O Milênio de Prata
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O milênio de Prata

Autor: Alex Tenou
Email: july.oc@terra.com.br

Capitulo 1. O nascimento das herdeiras

A Rainha Serenity se encontrava descansando em seus aposentos. Estava sentada a frente à janela, contemplado como a água brotava feliz da fonte que presidia os jardins reais. A fonte era bela, em seu centro ficava uma figura, representava a Rainha Serenity que fundou o Milênio de Prata, a primeira de uma larga geração. Em mãos levava um cristal, cuja base saia água, azul debaixo do reflexo do planeta Terra. Levantou a vista para aquela enorme bola azul e branca e pensou em seus habitantes.

Que tolos... viviam primitivamente e haviam se esquecido que alem de sua atmosfera existiam planetas com vida inteligente. Melhor. Não queria misturar-se com aqueles bárbaros que comiam com as mãos, viviam em cavernas e maltratavam suas mulheres. Lamentou haver enviado um embaixador para a Terra com um tratado de paz. Os habitantes da Terra, aqueles terrestres, pensaram que o emissário era louco e o exilaram ao deserto, onde perderam o contato com ele. Serenity não estava disposta a sacrificar a vida de nenhum membro de sua corte para tirar aqueles cavernícolas de suas sujas residências e suas lamentáveis existências.

De repente escutou um choro, primeiro suave, como um lamento, logo mas forte e vigoroso. Sorrio para si e chegou perto de um berço, onde um precioso bebê de olhos grandes e azuis e sedosos cabelos *prateados chorava, reclamando seu alimento.

Serenity pegou a pequena dama em braços. A menina só tinha apenas 7 meses e seu choro era digno de um membro da realeza. Suspirou feliz pensando que, depois de anos de batalha e estabelecimentos de alianças, o Milênio de Prata, havia se transformado no que sempre sonhou. Um lugar próspero e pacífico. Fazia anos que não havia ataques que requeriam a participação das Sailors. Alegrou-se por suas fieis guerreiras, suas amigas. Agora todas já eram mães.

Lady Marte se casou muito jovem com um príncipe de seu planeta. Fazia pouco mas de 10 meses que havia nascido sua primeira filha. Em uma conversa com a guerreira do fogo, ela lê contou que a pequena Rey já caminhava e falava... e demonstrava ter um forte temperamento porque quando se irritava não havia que a fizesse se calar. Serenity segurou o riso quando se deu conta que a pequena dama havia adormecido em seus braços.

“Outra Serenity para a família”, pensou, recordando aquele cálido dia de junho, quando entre gritos de dor se deu conta de que a princesa herdeira do Reino da Lua já havia nascido. Sentiu lagrimas em sues olhos ao recordar seu marido, já morto. Uma grande doença lê havia tirado seu amor de juventude, a única pessoa por quem havia lutado e vivido todos esses anos... A pequena Serenity era todo o que lê restava dele e não permitiria que nada a fizesse mal. Deixou o bebê pausadamente no berço, contendo a respiração quando viu que a pequena dama se movia em sonhos, com temor de despertá-la.

Nos últimos anos meses haviam nascido, respectivamente, Amy, a princesa de Mercúrio, Minako, a princesa de Vênus e Makoto, a princesa de Júpiter. Suspirou ao recordar os pais de Makoto. Sailor Júpiter e seu marido, o general da guarda de Júpiter, haviam morrido recentemente, quando a nave espacial em que viajavam se desintegrou ao bater, de forma acidental, contra um cinturão de asteróides.

Dentro de uns dias seria celebrada uma festa em comemoração ao nascimento da princesa herdeira do reino da Lua e sentiu um nó na garganta ao pensar que uma de suas melhores amigas não ia poder assistir. Tampouco sabia se assistiria Sailor Mercúrio, porque sua filha se encontrava doente. Mas estava segura de que poderia voltar a ver as Outer Seshis de novo. Suas filhas já tinham 2 anos de idade. Não podia esconder sua desconfiança encima daquelas guerreiras misteriosas pois, ainda duvidava de sua fidelidade, eram conhecidas por sua crueldade e sua força.

As trombetas anunciaram sua entrada no salão principal do palácio. Ao abrir as portas uma luz segadora lê impediu de ver as escadarias que tinha a seus pés. Quando seus olhos se acostumaram com a luz e seus tímpanos com a musica, suave e atraente, começou a descer as escadarias. A Rainha Serenity caminhou com passos firmes e seguros pela escadaria que davam aceso ao baile. Já havia chegado todo mundo. Buscou com os olhos suas guerreiras e sorrio ao localiza-las ao fundo da sala, perto da varanda.

Não viu Lady Mercúrio... seguramente Amy não havia melhorado. Decidiu enviar ao dia seguinte uma carta expressando seus desejos de melhora à pequena herdeira e a Lady Mercúrio e seu esposo, o capitão da guarda de mensageiros, Hermes.

Marte, como sempre, estava esplendida, com um vestido vermelho ajustado ate a cintura e solto ate os joelhos. Levava um broche de rubi no peito, presente de seu marido. Sorrio ao vela e lê dedicou um cortesia, com aquele encanto apaixonado que só fogo de seu caráter lê concedia. Ares seu marido, respeitado príncipe de um dos territórios mas extensos de Marte, a escoltava felicíssimo. A recente paternidade brilhava em seus olhos como as estrelas no firmamento, e a frieza em seu olhar deixava perceber o orgulho que sentia.

Lady Vênus deu um passo a frente ao ver sua soberana e espojou com elegância e distinção uma cortesia. Vestia um vestido ajustado, largo ate os pés, entre laranja e dourado, que fazia contraste com seu cabelo loiro, quase branco. Sorrio, ligeiramente corada, ao ver vários soldados, que chegavam perto da varanda, a olhavam de lado sorrindo. Volcano, príncipe de um dos satélites de Vênus, um homem alto e magro, corcunda e meio torto olhou com fúria aos aduladores. Serenity todavia se surpreendia ao ver um casal tão estanho. Como podia a representante do amor e da beleza haver se casado com um homem tão feio? Mas... como dizem o amor e cego. Sorrio pensando na sorte que havia tido a princesa Minako, porque havia nascido sem parecesse fisicamente com seu pai.

Pegando um copo de ponche encontrava-se Lady Saturno, acompanhada de um gigante de mas de dois metros de altura, cabelos escuros e olhos penetrantes. Era Titan, o medonho marido de Sailor Saturno. Chegavam rumores de que Titan estava provocando guerras internas em seu planeta para levar a cabo uma revolução... Mas eram mas do que isso: rumores. Sorrio para a dama e se dirigiu a os músicos da orquestra. Estavam tocando uma lenta canção de piano e violino, suave, criando uma atmosfera perfeita para uma reunião de amigos que haviam vindo conhecer a sua futura rainha, acabava de nascer.

De repente, viu a Lady Netuno, acompanhada de Anfritite velho amigo de juventude da guerreira dos oceanos. Segundo Serenity faziam um belo casal, mas se deu conta de que os olhos de Netuno pareciam tristes. Um sorriso apareceu no seu rosto quando viu sua rainha, espojou uma elegante cortesia, deixando seu largo vestido de seda aguamarinha acariciar o solo. Perguntou a bela dama de Netuno por suas companheiras e o sorriso se converteu em uma careta, com uma mescla de dor, ira e tristeza. Anfritite respondeu com voz profunda e cálida, dizendo que havia visto Plutão na varanda, tomando um pouco de ar.

A rainha Serenity foi ate a varanda e viu Lady Plutão, só. A madures tão só acrescentava beleza a aquele rosto bronzeado e curtido pelas correntes temporais das portas do tempo. Fazia varias semanas que Lord Charon, marido e primo de segundo grau de Plutão havia saído do palácio de seu planeta e todavia não havia voltado. Embora já lê davam como morto, o certo era que havia aparecido seu cadáver. O planeta Terra refletia nos olhos de cor cinza de lady Plutão, seu cabelo azul escuro reluzia com a luz da noite. Serenity, pós uma mão no ombro de Lady Plutão, esta se virou repentinamente, surpreendida. Ao identificar a sua soberana abaixou a cabeça solenemente e sorrio com tristeza. Conversaram por muito tempo, ate que um cortesão informou a Rainha de que era hora de apresentar a pequena dama a sociedade. Serenity, sorriu e foi buscar a sua filha.

Aplausos foram os primeiros sons que escutou a pequena dama ao aparecer no salão principal. Lê assombraram as luzes, a cor, as doces fragrâncias e a suave brisa que jogava com sua pele. Estirou as mãozinhas, brincalhona, para pegar a luz que brilhava no teto, mas não chegou a pegar nada.

Serenity apresentou, com orgulho e alegria a sua filha. A futura Rainha Serenity, embora decidiu chamá-la familiarmente de “Usagi” para que o palácio não a confundisse com sua mãe.

Lady Urano chegou perto de sua soberana e pegou a pequena Usagui em braços . A menina, tentava pegar o laço azul que levava a guerreira do vento preso ao pescoço, se estirou para pegá-lo, mas Urano a deteve entre seus braços, comentando que a pequena dama era uma menina muito alegre e energética. Serenity sorriu orgulhosa e perguntou a Urano por Umbriel, seu marido. Lady Urano fez uma careta e comentou que fazia meses não se viam. Umbriel era um casanova proclamado que se dedicava a explorar os diferentes satélites do planeta dos ventos em busca de damas, para tenta-las. Por outro lado, se Umbriel se encontrava flertando ou não com outras, não parecia incomodar sua esposa.

“Que típico de Umbriel” comentou uma delicada voz detrás de Urano.

Lady Netuno apareceu junto a Anfritite e acariciou os prateados fios de cabelos da pequena dama. Lady Urano devolveu a menina a sua mãe e sem medir palavras saiu da varanda, pegando um copo de ponche de uma mesa que ficava perto. Netuno sorriu de forma sarcástica e Anfritite franziu a sobrancelha.

Algo não cheirava bem. Urano e Netuno eram a melhor dupla de combate do Milênio de Prata e a melhores amigas que podiam existir. Lady Júpiter disse uma vez que era com se uma lesse a mente da outra. Seus ataques conjuntos eram os mas devastadores do exercito e sua velocidade na hora de correr era como a do vento. Sem embargo, a soberana viu uma mescla de ódio nos olhos de Lady Urano quando esta lê deixou Usagi em seus braços. Não permitiria brigas entre seus guerreiros, assim pensou em discutir o tema com as afetadas na reunião que tinha com as Outer Seshis no dia seguinte no Salão do trono.

* Os cabelos de Usagi no mangá são prateados.

Continua...