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| CAPÍTULO 5- É TEMPO DE CONHECEREM-SE, PIRATE KNIGHTS | |
Aeroporto de Tóquio. Há poucos minutos atrás, este tinha sido um alvo de um atentado... Um atentado completamente fora do convencional, já que fora praticado por monstros. Bom, mas isso no momento não interessava. Naquela que fora a primeira missão após o despertar de quatro dos seis Pirate Knights ali presentes, haviam obtido sucesso e o aeroporto estava liberado. Está certo que haviam acontecido alguns estragos e provavelmente só dentro de algumas semanas o aeroporto seria reaberto, até lá qualquer coisa que se fosse resolver seria transferida para Kyoto ou outra cidade próxima. Mas isso não interessava aos Pirate Knights e a seus guardiões nesse momento. Telhado do Aeroporto de Tóquio. Oito figuras olhavam para o chão, com a segurança de que não seriam vistos. Loki disse, iniciando a conversa: - É mais seguro conversarmos aqui... Assim não seremos interrompidos e daremos espaço para que a polícia e defesa civil façam seu trabalho, apesar de que não encontrarão nada, no máximo respingos de sangue verde pelas paredes. - Ainda não acredito que conseguimos subir aqui...- Ishtar limitou-se a dizer. - Mas acho que vocês querem um pouco de aula de história, ne? Pois bem... Acomodem-se porque essa história é longa, e vocês fazem parte dela assim como ela faz parte de vocês. Antes de sentarem-se melhor em telhas mais afastadas, os jovens trocaram olhares desconcertados. É... novidades demais para um dia só. Loki continuou: - Há muitos e muitos séculos atrás, havia uma época e um lugar que eram denominados pelo mesmo nome... Milênio de Prata. Esse lugar era uma espécie de federação, onde todos os dez planetas do Sistema Solar estavam reunidos, sob o governo de uma família real que habitava a Lua da Terra. - Espere aí um pouco... Como assim dez planetas? São nove!- Jack não pôde deixar de argumentar. - Nove conhecidos pela ciência, você quer dizer. Nêmesis, o décimo planeta, está distante e sempre envolto por uma penumbra que não permite com que seja visto ou mesmo detectado. Mas, continuando, o Milênio de Prata poderia ser definido como uma federação. Naturalmente, em se tratando de uma federação, havia um exército para defendê-lo. E era um exército dividido em várias divisões, em várias ordens... E cada uma agia independente das outras, cumprindo o papel que lhe era destinado. Bom, vamos direto ao que vem ao caso de vocês. Uma dessas ordens, ou divisões, mas poderia ser chamada de milícia também, eram os Pirate Knights. Cabia a eles patrulharem as fronteiras e serem os primeiros a lutar contra invasores externos. E vocês viveram durante o reinado de Serenity-sama, uma época de ouro... Nessa época, as rixas internas estavam praticamente superadas e durante todo o longo reinado ela, apenas em três ocasiões fomos atacados por outros Sistemas Solares. Quem poderia adivinhar que marcaria o fim de uma era?- Loki suspirou. Os seis jovens Pirate Knights continuavam a entreolharem-se. Bom, depois do que tinham ouvido, tinham quatro idéias sobre a situação que era exposta a eles: Idéia 1: Hum... Então isso significa que um dia vivi em um lugar chamado Milênio de Prata? Que legal! E como era lá? Idéia 2: Isso que essa pantera está falando soa meio absurdo... Idéia 3: Kami-sama... Qual o telefone do psiquiatra mesmo? Idéia 4: Não, me deixa dormir só mais cinco minutinhos... Havia maior inclinação para as idéias 3 e 4, mas isso não significava que a 1 era completamente descartada por alguns. Loki continuou o discurso, após ter tomado um pouco de ar: - Como disse anteriormente, o Milênio acabou. E vocês morreram. Porém, pelo poder da sábia Serenity-sama e do Cristal de Prata, vocês reencarnaram nessa época. Na verdade, era necessário que nascessem nesta época, pois alguma coisa que nem eu nem Íris sabemos o que é está para acontecer. A nossa missão é apenas despertá-los e guiá-los como Pirate Knights. Bom, pelo menos em “despertá-los”, acho que eu e Íris tivemos um tanto de sucesso, afinal de contas só faltam dois de vocês! - Deixa ver se entendi... Há muitos séculos atrás eu era um guerreiro de um lugar chamado Milênio de Prata que morreu e reencarnou na minha forma atual?- Jack disse. - Resumindo é isso mesmo- Íris confirmou. - Isso é um absurdo, um completo absurdo! Não tem lógica nenhuma! Como posso ser reflexo de um passado nunca provado, como posso ser uma guerreira de um reino que nunca soube da existência? - Sarah exclamou. - Talvez não seja tão absurdo assim, senhorita Granger. Como você explica estar falando japonês fluentemente se nunca teve contato com essa língua antes? - Deve ter uma explicação lógica! Não vou aceitar essa resposta! “Deve haver uma explicação lógica”... Essa frase também dominava a mente de outra Pirate Knight. Cassie fechou os olhos lentamente, talvez esperando que com esse ato uma resposta aparecesse. Então quer dizer que agora ela, a cientista, iria acreditar nessa explicação? Simplesmente uma guerreira de um passado distante que reencarnou e fim de história? Era ser simplista demais... Além do que, era uma preposição sem lógica nenhuma! E onde ficava seu ceticismo nisso? Bom... o resquício de ceticismo que ainda tinha depois de transformar-se em uma guerreira, seu chefe transformar-se em um demônio e ver um cerco de monstros a um aeroporto. Fora que visões que sempre acabavam acontecendo também não tinham nada de lógicas. É... seu ceticismo a essas alturas deveria estar em algum ponto das galerias de esgoto de Tóquio, afinal de contas já tinha sido atirado fora há muito tempo tempo. “Deve haver uma explicação lógica”... Uma frase irônica, sem dúvida. A jovem cientista arregalou os olhos. Tinha chegado a uma conclusão um tanto assustadora: - Quer dizer então que todos aqueles sonhos eram lembranças? O palácio de cristal negro, Setsuna, o Forte de Halley... Tudo são... lembranças? - Não posso saber exatamente com o que sonhou, mas é possível. Todos vocês já devem ter se lembrado de alguma coisa, principalmente você e aqueles que tem a essência de Júpiter e Saturno...- disse Loki. Storm estava displicentemente sentado, apoiando o queixo na mão, com o braço apoiado no joelho. Seus olhos estavam fixos em algum ponto da pista do aeroporto, perdidos. Estava explicado então! Todos aqueles sonhos, a nostalgia que sentira ao ouvir falar em “Milênio de Prata”, a sensação ao ver a garota de penteado estranho... Tudo era explicado pelo fato de já ter vivido essas situações. Bom, por falta de uma resposta melhor, aceitava essa. Jack também estava pensativo, sentado apoiado em uma mureta. Aquelas visões eram lembranças... Também tinha encontrado uma explicação sobre por que ao mesmo tempo ficava atordoado, confuso e com saudades de uma época que nunca vivera... Tinha vivido aquelas situações! Era por isso que tinha saudades de uma terra, por assim dizer, mágica, mas que nunca tinha conhecido, nunca tinha visto em livro nenhum, nunca tinha ouvido falar! As palavras foram esperadas: - Acredito em você. Acredito que fui um guerreiro que viveu em uma terra mágica, diferente dessa, há muitos e muitos séculos atrás. Loki sorriu com as palavras do jovem. Disse: - Sei que é difícil se acostumarem com a idéia, mas o que posso fazer? E eu tenho uma pergunta... Aurora, você não se lembra de nada que aconteceu no Milênio? Rika levantou os olhos. Estivera um tanto distante durante grande parte da conversa, mas tinha percebido que o assunto era com ela: - Fala comigo? - Você... nunca lembrou-se de nada? Nunca teve visões, nunca aconteceu nada que saísse um pouco daquilo que se chama de “normal”? - Não- foi a resposta espantada da garota. Loki abaixou a cabeça, desapontado. Então ela não se lembrava de nada? Todo o passado era passado? Bom, já devia esperar por isso mesmo. Ishtar, que também não havia falado muito, perguntou, um pouco desapontada: - Por que também não tenho esse tipo de lembrança? Nunca tive nada parecido! Será que vim com defeito de fabricação? - Não, Ishtar-chan! E isso serve para todos vocês... À medida que seus poderes forem despertando, vocês irão se lembrando. É só uma questão de tempo e treinamento- disse Íris. Sarah estava sentada, transtornada. Simplesmente tinha ouvido o maior absurdo de toda sua vida! Para começo de conversa: reencarnar? Não, isso era absurdo! E o fato de ter havido um reino que reunia todos os planetas... impossível era pouco pra definir essa proposição! Se tivesse havido alguma coisa parecida com um reino de uma tecnologia avançada no passado, a ciência já teria achado alguma pista! Fora as coisas MUITO estranhas que andavam acontecendo na sua vida ultimamente... Em primeiro lugar, falar japonês de uma hora para outra, sendo que nunca tivera contato com essa língua antes. Depois, os ataques de monstros, principalmente aquele que lhe tirara seu amado. Sua vida estava parecendo um delírio saído de uma mente insana! - E se eu não quiser ser Neptune Pirate Knight? - Sarah-san, você não é Neptune Pirate Knight por nossa escolha. É seu destino e sua missão- disse Íris. - Ninguém está te obrigando a se transformar, e nem poderia. Mas você tem certeza de que conseguiria viver como uma adolescente normal?- Loki argumentou. - É, tem razão. Não tenho escolha, afinal... E o fato de me transformar em Neptune Pirate Knight não significa que aceitei sua explicação- foi a resposta. - Que seja- foi a resposta de Loki. - Tenho uma pergunta: de onde saíram aqueles monstros que enfrentamos hoje?- Storm perguntou. - E o monstro que estava em Nova Délhi?- Jack aproveitou a pergunta. - Como bioquímica, tenho uma nota a acrescentar. Nunca, em livro nenhum, em trabalho nenhum, em lugar nenhum, resumindo, vi ou tive notícias de seres com essa aparência. E também nunca li nada sobre seres que simplesmente viram pó instantaneamente depois que morrem! - Não podemos enganá-los: não sei de onde esses monstros vêm- disse Loki. - E nem o que procuram- disse Íris. - Só deu para perceber que são do tipo sugadores de energia vital e isso não é um bom sinal... - Por que isso é ruim?- Ishtar perguntou. - Porque não tem coisa melhor do que energia vital humana para se fortalecer essa espécie de criatura. E muito provavelmente estão agindo em nome de um chefe. Mas quem é esse chefe, isso não sei dizer- disse Loki. - Lembro-me de que o monstro disse que fora fácil com ele, mas haveriam outros. Isso significa... que haverão outros?- Sarah perguntou. - Provavelmente. Principalmente se estão agindo sob as ordens de um chefe- respondeu Íris. - Também tenho uma pergunta: Loki disse que o Milênio de Prata era uma espécie de federação formada pelos planetas do Sistema Solar. Aqui estão os representantes de Vênus, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão, pelo que podemos deduzir de nossos títulos. Minha pergunta é: onde estão os representantes de Mercúrio, Marte e Terra? Além do representante do tal décimo planeta?- Rika perguntou. - Bom... Mercury e Mars andam por aí... Logo eles serão atraídos por vocês, ou esbarrarão neles, não se preocupem- Íris respondeu. - Então não há representante da Terra ou de Nêmesis?- Jack perguntou. - Isso fica para uma próxima reunião. Mais perguntas?- Loki disse. - Isso tudo é muito interessante, mas afinal de contas, por que fomos despertados? Por que reencarnamos justamente nesta época?- Ishtar perguntou. - Porque... sim. Serenity-sama sabia que aconteceria alguma coisa nessa época e programou para que reencarnassem agora. Mas o porquê exato, isso não sei responder- disse Loki. - Esse motivo deve estar relacionado com os monstros- disse Jack. - Ou pode ser algo de que ainda nem suspeitamos- arriscou Storm. - Ou um erro de planejamento- Sarah palpitou. Enquanto os seis cavaleiros especulavam sobre por que tinham despertado, Íris não pôde deixar de perguntar: - Mas não deixa de ser coincidência demais seis Pirate Knights juntos em um só lugar, quando monstros vão atacar. Tem seu dedo aí, Loki? Foi por isso que você me chamou para o aeroporto, você sabia? - Digamos que sim... Na verdade, só mandei Saturn indiretamente para cá e fiz com que você trouxesse Venus, que já tinha me dito que despertara. De resto, acho que nem Serenity-sama sabia que os fatos tomariam esses rumos. - Também Uranus... Foi você que a guiou para cá, não foi? - Não propriamente. Mas agora, tenho que ir. Logo você terá notícias minhas. Loki desapareceu, deixando uma expressão de espanto no rosto de Íris. A gata foi desperta do torpor momentâneo causado pelo sumiço repentino de seu companheiro por um grito: -IRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIS!!!!! - Nani yo, Ishtar-chan? - Eu tenho uma pergunta muito séria e muito urgente para fazer! - Bom... faça! - Que raios significa “Eve Star Beam”? Cinco humanos e uma gata caíram no chão, com gotas na testa. Ishtar, em SD, com o dedinho na boca, disse: - Ué? Perguntei algum absurdo? - Algo como raio da estrela da noite- disse Sarah. - Arigatou...- disse Ishtar, ainda em SD com lágrimas de emoção nos olhos. - É porque inglês é uma matéria tão difícil... Eu não entendo nada!!! Rika levantou os olhos de um ponto fixo no chão para tomar a palavra: - Acho que se somos colegas, devemos conhecer um pouco mais sobre nós mesmos. Não só o nome, já nos apresentamos, mas um pouco da vida de cada um, o porquê de estarem aqui, essas coisas. - Bom... vamos começar! Como sabem, meu nome é Jack. Moro em Nova York, com meus pais e irmã, tenho 18 anos e no momento estava tirando umas férias da minha rotina. Para tal, viajei para uma das terras que sempre povoaram meus sonhos: a Índia. Lá, aconteceu um fato que simplesmente viraria minha vida do avesso pouco depois: me senti atraído pelas jóias de uma loja e, ao entrar lá, me descobri Saturn Pirate Knight. Foi quando uma sucessão vertiginosa de acontecimentos me fez estar aqui agora. - Atashi wa Aino Ishtar! Tenho 14 anos, meu signo é touro e meu tipo sanguíneo é O positivo! Estudo na Juuban Junior High School, onde curso a segunda série ginasial. Moro em Juubangai e tenho duas irmãs: Ereshkigal, de 18 anos, e Geshtinana, de 10. - Não dava para arrumar nomes mais fáceis não?- Storm perguntou, com uma gota na testa. - Eu não tenho culpa se minha mãe é arqueóloga e tem verdadeiro fascínio pela Babilônia! E você queria o quê? Que nossos nomes fossem Urd, Belldandy e Skuld por um acaso? Se bem que chamar Belldandy até que não seria de todo ruim... Os ouvintes ganharam um preview exclusivo da coleção Outono/Inverno by Aino Ishtar de Gotas de Suor na Testa. Antes que a guerreira de Vênus falasse mais alguma coisa, Rika tomou a palavra: - Se eu fiz a pergunta, acho que devo também uma resposta. Como devem saber, me chamo Rika. Vim para cá porque recentemente perdi meu pai... E prometi a ele que cuidaria de minha irmã, por isso voltei para cá, mesmo que nem sei se ela quer ajuda... - Faz pouco tempo que isso aconteceu, ne? E você ainda não se recuperou de todo... - Cassie disse, estendendo o braço para Rika. - Oui... Sarah tinha um pequeno sorriso em seus lábios. Não deixava de ser irônico... Duas pessoas próximas, no mesmo local por um motivo tão parecido! Porém, enquanto aparentemente o mundo havia aberto um leque de possibilidades, para a dona de negros olhos tristes o mundo tinha acabado... - Bom, a história da minha vida é bastante longa, por isso fica para outra ocasião. Agora só vou falar um pouco do que precisamos para nos conhecer como grupo, para maior detalhes, aceito conversas mais demoradas, em situações menos desconfortáveis. Prefiro que me chamem de Storm, como já disse antes. E, resumindo minha história, sou um garoto pobre de uma terra distante que veio tentar a sorte aqui, mas se por um lado deu bastante errado, por outro acho que começou a dar mais certo do que algum dia imaginei que poderia dar. Mas só tem um pequeno problema: não estou aqui legalmente e isso pode ser um empecilho no futuro, se é que já não é. Mas gosto de Tóquio, não pretendo tão cedo sair daqui. - Mas por que te chamam de Storm?- Ishtar perguntou. - Eu simplesmente acho meu nome horrível, por ser um tanto comum demais! Daí foi a primeira palavra que, um dia, ainda na infância, me veio na cabeça e que me identifiquei com ela. Mais tarde vim a descobrir seu significado... e como sempre me considerava internamente como uma tempestade, acho que combinou. Ishtar piscou rapidamente duas vezes, significando que tinha entendido. Sarah tomou a palavra, usando a mesma técnica de Storm, ou seja, nada de detalhes, apenas o essencial do essencial: - Já devem saber que meu nome é Sarah. Bom, sou filha de uma terra distante, órfã, que ia procurar o que restou da minha família em Los Angeles. Isso é o suficiente. - Só isso? Mas de onde você veio, por que está aqui, para onde você vai, o que faz da vida...?- Ishtar não pôde deixar de perguntar. - E do que importa o passado?- Sarah respondeu. Ishtar olhou para o chão, um pouco decepcionada com a evasiva. Íris deu um longo miado, espreguiçando-se, o que, de certa forma, causou uma certa estranheza nos presentes, afinal de contas, é um tanto estranho ouvir uma gata falante miar... Cassie tomou a palavra, já que só faltava a sua apresentação: - Em primeiro lugar gostaria de pedir para me chamarem de Cassie, também não gosto nem um pouquinho de meu nome. Vocês também devem saber que sou uma cientista, mas acho que mais conhecida por ter só quinze anos do que por ter colaborado com algum projeto importante...- a loira deu um longo suspiro. Rika levantou-se, sorrindo: - Entendo o que você diz. Ser conhecida somente por ser uma exceção... Cassie sorriu de volta para a amiga antes de conversar: - Costumava trabalhar no laboratório de Tomoe Souichi, quando aconteceu a coisa mais estranha dentre todas as coisas estranhas que já vivi! Tomoe-sensei transformou-se em um.... ei, esperem um pouco! Os cinco companheiros de Cassie, e também Íris, ficaram de pé em um pulo. A jovem cientista estava com uma expressão de espanto, de quem tinha descoberto um grande segredo, chegado a uma grande conclusão. Seis vozes só puderam fazer uma pergunta: - Nani yo? - Agora as coisas fazem sentido! É tudo obra de Tomoe-sensei! Ele já devia saber que tanto eu quanto Storm somos Pirate Knights e quer eliminar-nos! Não duvido nada de que os monstros e ataques estão partindo dele! - Agora que você disse... Faz mesmo sentido!- Storm disse, com uma expressão impressionada. - Ah não... esperem aí um pouco: primeiro nós somos guerreiros renascidos de uma civilização antiga e agora um dos maiores cientistas da atualidade está por trás dos monstros que nos atacam? É demais para a minha cabeça! O que mais eu posso esperar depois dessa, um cataclisma que destrua meia humanidade e sua verdadeira causa seja acobertada por organizações internacionais subordinadas à ONU?- Sarah disse irritada, enquanto sentava-se novamente. - E você tem alguma sugestão melhor que explique todos os fatos ocorridos em nossas vidas ultimamente?- Storm perguntou, com uma ligeira agressividade. - É exatamente esse o problema, não tem nenhuma resposta lógica! Mas me recuso a acreditar em suas explicações!- Sarah disse, enquanto acertava com os punhos a mureta onde estava sentada. - Nada de brigas- Jack disse, tentando acalmar os ânimos. - Bom, e tem mais: eu e Cassie corremos perigo. Tomoe está atrás de nós, ele quer nos eliminar. Acho que temos que fazer um plano o mais rápido possível, afinal de contas, pode sobrar para vocês também- Storm disse. - Sem querer desviar do assunto mas já desviando, o que acham de irmos para casa? - Ishtar perguntou. Sarah, Cassie, Jack e Storm entreolharam-se. O nova-iorquino disse, encarando o chão: - Só tem um problema... - ...não temos para onde ir- Cassie completou. - Bom, isso eu acho que posso resolver. Tenho uma casa bem grande, que pode acomodar muito bem a todos nós!- Rika disse, sorrindo. - Mas sua família não irá estranhar que receba estranhos em casa?- Storm perguntou. - Família? Que família? Além disso, James-san será compreensivo... Não posso deixar que pessoas que me ajudaram a escapar do ataque de monstros em um aeroporto fiquem na rua da amargura. - Bom, por mim tudo bem- disse Jack. - Se não for incomodar...- disse Sarah. - Bom, tomem aqui meu telefone, qualquer coisa é só ligar- disse Ishtar, estendendo um pedaço de papel. - Acho que devemos nos reunir o mais rápido possível para discutirmos os acontecimentos com mais calma. Sugiro que dentro de três dias- disse Storm. - Por mim tudo bem! Agora... como descemos daqui, Íris? - Tente transformar-se para descermos, Ishtar-chan- disse a gata pacientemente dos braços de sua protegida. - Bom, realmente acho que temos um problema aqui...- disse Storm, enquanto olhava para baixo. - Como diz o ditado, pra baixo todo santo puxa!- Ishtar disse, sorrindo. - Não seria pra baixo todo santo AJUDA?- Disse Jack, com uma gota na testa. - Ou isso...- disse a venusiana, com gotas enormes na testa. - Bom, temos que arriscar- disse Rika. - Poder de Urano, VENHA A MIM! Após a cena de transformação, Uranus Pirate Knight olhou para o lado do aeroporto onde ficavam as pistas: - Teremos de sair por aqui, afinal de contas não será muito fácil passar com todos esses curiosos e equipes de resgate... Bom, e só tem um jeito de irmos! Uranus tomou um pequeno impulso e pulou na pista. Para o espanto de seus companheiros, caiu de pé no chão e olhou para cima, tampando os olhos com a mão para protegê-los do sol: - O que estão esperando? Transformem-se e pulem! A uraniana nem precisou falar duas vezes, afinal foi obedecida de cara. Após chegarem no chão, Saturn disse: - Hum... bem percebido, Uranus. Quando transformados, nossa capacidade física aumenta radicalmente. Somos capazes de fazer coisas que nem em sonho conseguiríamos fazer destranformados. Jack Sarasvati não tem preparo físico nenhum, nunca conseguiria fazer coisa semelhante! - Fora a capacidade de manipularmos elementos...- disse Pluto. - Mas isso não está relacionado em nos transformarmos ou não, agora lembro, nunca, apesar de lidar razoavelmente com eletricidade, tomei um choque!- Jupiter disse. - Bom, o poder sempre esteve latente em vocês, pode ser que inconscientemente o manifestaram algumas vezes, ou mesmo que os elementos em que seus poderes se baseavam não pudessem feri-los - disse Íris. - Interessante...- Saturn disse. Neptune fitava o chão, desconcertada. Não podia acreditar no que estava acontecendo, sua vida tinha se tornado um delírio completo! Capacidade para dominar elementos e uma certa atração por eles... Bom, sempre tivera atração por água, sempre gostara de mar e piscinas... Era coincidência, que coisa, para que ficar esquentando a cabeça com esse tipo de constatação? - Já são cinco e meia da tarde!- Venus disse, em um sobressalto. - Tenho que ir para casa, ainda não terminei meu dever e mamãe fica preocupada comigo se chego muito tarde! - A venusiana pegou Íris no colo antes de despedir-se e sair correndo.- Ja ne, minna-san! Os Pirate Knights que continuariam no aeroporto não tiveram muita reação senão observar a poeira que era levantada pela garota que corria em disparada entre os aviões. Não eram porque tinham despertado como guerreiros que iriam renunciar à sua vida cotidiana normal, pelo menos quando isso era possível, e era natural que Ishtar preocupasse-se com seus afazeres de estudante! Uranus disse, não escondendo um sorriso formado pela justificativa da colega: - Acho que também está na hora de irmos para casa... Mas tem um detalhe: como cheguei de viagem há poucas horas, ainda não sei de cor o caminho até ela! Gotas de suor espalharam-se pelas testas dos quatro Pirate Knights a quem a frase era dirigida, enquanto Uranus revertia e Rika tirava um celular de sua bolsa, para descobrir que James a procurava pelos hospitais da cidade, preocupado. Era natural que se preocupasse, principalmente depois de toda aquela insistência para pegar as malas! Por falar nisso, que fim sua bagagem tinha levado? Definitivamente não era hora de pensar nisso... - Temos que arranjar um jeito de entrar novamente no aeroporto e aparecer do outro lado... - Ah, isso é fácil, esqueceram a porta aberta - disse Storm, apontando para a porta onde embarque e desembarque de passageiros ocorria. Os cinco Pirate Knights revertidos entraram no aeroporto, e depois de atravessarem a sala vip onde tinham ido parar, podiam ver os estragos causados pelo ataque: lojas depredadas, vidraças quebradas, papéis espalhados para todo o lado, alguns corpos que estavam sendo retirados pela perícia e paredes tingidas com manchas de sangue verde. Alguns peritos trabalhavam no aeroporto, colhendo este ou aquele material para análise laboratorial. Um deles, ao perceber a presença dos jovens, perguntou: - Mas... como estão aqui? - Quando começou o ataque, nós...- Sarah começou. - ...corremos para as pistas e nos escondemos por lá. Agora, depois dos gritos terem acabado e não ouvirmos mais nenhum barulho suspeito, resolvemos voltar... - Cassie explicou. - ...e é isso!- Storm concluiu. - Ainda é perigoso ficar aqui, não sabemos o que causou o ataque e muito menos o que fez com que ele terminasse! Vamos, vou acompanhá-los até a saída. O perito guiava os jovens pelos corredores completamente caóticos, enquanto pensava alto sobre o que poderia ter causado aquela destruição. Sarah olhava para as paredes e para o chão, impressionada: - Como isso pode... ser possível? - É isso o que estamos tentando descobrir, mocinha. - Muitas vezes o possível passa longe do provável...- disse Cassie, sorrindo. Ao chegarem do lado de fora do aeroporto, o sangue da jovem cientista e de Storm gelou: câmeras, repórteres, um aglomerado... não! Porém, precisavam agir o mais naturalmente possível se não queriam ser notados, e tentar evitar as câmeras era uma boa opção. Rika entrou na multidão, tendo a certeza que estava sendo seguida pelos colegas, procurando por James, ou mesmo pelo seu motorista, o que acabou por encontrar depois de quarenta minutos de caminhada. - Vamos para casa, senhorita Rika- disse o motorista enquanto envolvia sua jovem patroa com o braço. - Espere, Hajime-san, eles... eles vão conosco!- Rika apontou para os amigos. - Mas, senhorita Rika... - Por favor! - Tudo bem... Os quatro companheiros de Rika a seguiram até o carro que a esperava... Se pensavam que se tratava de um modelo um pouco mais sofisticado, ficaram chocados ao verem que a companheira os levara para um Rolls-Royce! Ao ver o espanto dos colegas, a garota não pôde deixar de dizer: - Papai adorava esses carros... O outro Rolls-Royce está na França, e era o carro preferido dele... Quatro surpresos e chocados jovens entravam no carro, com o máximo de cuidado que podiam. Rika disse que a casa era grande e todos poderiam ficar lá, depois da surpresa de um carro tão ostensivo, podiam esperar que a companheira era a proprietária da maior mansão do Japão... *** As ruas de Tóquio estavam cheias, como sempre. Porém, havia congestionamentos naquelas que levavam ao aeroporto, o que era visível para os ocupantes do Rolls-Royce. Era natural que houvessem, afinal de contas, o número de parentes preocupados, representantes da imprensa, policiais, peritos e curiosos que se dirigiam para aquele local era enorme! O carro atravessava Juubangai, bairro um tanto familiar para duas pessoas que estavam naquele carro, afinal era onde viviam, cada um a seu modo, antes da sucessão de fatos que levaram-nos a um encontro, e à fuga! Juubangai... Um belo bairro, com mais coincidências do que qualquer um poderia supor... Os portões de algumas mansões eram visíveis, depois de mais um certo tempo de percurso. Estavam entrando em um bairro de classe alta... Podiam ver os mais lindos jardins, mansões magnificamente belas... Era um bairro muito bonito, naturalmente! O carro virou uma esquina. Era um grande terreno, cercado por três grandes muros cobertos de heras e com um quarto muro de grades. Havia uma enorme casa, estilo ocidental do século XIX, com dois andares e muitas e grandes janelas. Também havia jardins enormes, cheios de árvores e flores, que mais parecia uma praça. O carro atravessou os portões dessa casa, enquanto quatro Pirate Knights estavam boquiabertos. Rika disse: - Essa casa foi construída para ser a moradia de um samurai monarquista, que após a revolução Meiji ganhou um cargo importante no governo e a construiu... Inclusive minha casa tem um nome... Sumire, que era o nome da jovem esposa que morreu após dar um filho a esse samurai... meu bisavô. - Nossa... - foi tudo o que os hóspedes de Rika puderam dizer após a história da casa ser contada. O motorista os deixara na frente da enorme e com uma madeira extremamente trabalhada porta da casa, que estava aberta esperando por Rika. A jovem aristocrata entrou na casa, pedindo para que os amigos fizessem o mesmo. No seu interior, logo na pequena saleta de entrada, deixaram os sapatos como de costume. Jack olhava maravilhado para os afrescos dessa sala, que mostravam as mais variadas flores: - Esse lugar... é maravilhoso! Rika sorria enquanto passava para a grande sala de recepção, com alguns sofás, arcos demarcando as portas para os corredores que levavam aos outros cômodos, além de uma enorme escada de madeira que levaria para o andar superior. O piso era de mármore escuro, e havia muitos tapetes e mesinhas carregando flores, além de algumas poltronas e muitos abajures. Um homem, aparentando bastante idade, vestido com um terno impecavelmente negro que entrava em contraste com os cabelos grisalhos, estava parado perto da escada: - Miss Rika, que bom que está bem! - Não precisava ficar preocupado comigo, James-san, já passou e estou inteirinha! - Quem são essas pessoas? - Ah... eles? Bom, tivemos de nos esconder juntos durante o acontecido no aeroporto e como não tinham para onde ir resolvi trazê-los para cá! - Miss Rika... - Sei o que deve estar pensando, mas eles ficarão aqui até conseguirem voltar pra casa, ou arranjarem um lugar para ficar. Tenho certeza de que papai faria o mesmo! Por favor, James-san, peça para que os quartos de hóspedes sejam arrumados! - Sim, Miss Rika... James foi na direção de um dos corredores. Sim, Rika tinha assimilado muito de que seu falecido patrão pregava, como ajudar a quem está com dificuldades, fossem elas de qualquer espécie. Os jovens podiam ser desconhecidos, mas até mesmo dentro do \n'; document.write(barra); } } changePage(); *** Na sala de controle que havia no castelo da escuridão, as coisas não estavam muito boas. Sílica e Cuprum não podiam acreditar no que viam em alguns monitores e nos relatórios que apareciam em outros. Principalmente em um dos monitores, o que monitorava o despertar dos poderes dos planetas, havia dados que estavam desconcertando-os: - Como é que pode estar aí “energia de Netuno despertada” se eliminamos aquele que tinha o poder de Netuno?- Sílica perguntou. - Vai ver o computador está com problemas...- respondeu Cuprum. - Não, nós fizemos a revisão há dois meses atrás, não pode ser isso! Tem alguma coisa muito estranha aqui... - Realmente. Nós conferimos! Era aquele que emanava o poder de Netuno, depois que a vítima foi eliminada não havia mais manifestação do poder de Netuno detectada! - O pior nem é isso... É ter mais um Pirate Knight para atrapalhar nossos planos. - E pra piorar... eles estão juntos! Seria mais fácil extermina-los se estivessem separados... - E como não somos tolos, tampouco estamos aqui para brincar, o melhor que temos a fazer é mandar nossos servos mais fortes, pois assim será mais garantido que consigamos alguma coisa. Além disso, o treinamento vai ser mais pesado para todos eles! - Mas por que não podemos mandar nossos servos para onde os Pirate Knights não estão? Será mais garantido... -...ou não. Além disso, gastaria uma energia que não podemos desperdiçar. Além do que, no lugar onde eles estão existem muitas pessoas em pouco espaço! É mais fácil pegar energia assim! - Isso é... Além do que, seria mais fácil se eles fossem destruídos! - Exatamente! E agora... Acho que seria bom escolhermos um servo e mandar para esse lugar que os humanos chamam de Tóquio. - GRICKTICK! Apresente-se a seus mestres! Pouco à frente de Sílica e Cuprum na sala, um monstro apareceu. Ele tinha o corpo que lembrava o humano, porém, misturado com um touro e com cabeça de touro. A general de cabelos rosa e prata disse simplesmente: - Traga energia humana... E mais importante que isso, ELIMINE OS PIRATE KNIGHTS! - Gricktick!- Foi a resposta, antes de o monstro teleportar-se para Tóquio. Cuprum, após a partida de seu servo, apenas disse: - Espero que dê certo... Gricktick é um dos mais fortes. - E dará certo... Os impertinentes Pirate Knights serão eliminados. - E nossa mestra despertará! Uma dupla gargalhada diabólica ecoou pelo castelo da escuridão. Os Pirate Knights seriam eliminados, a Mestra seria despertada e...? Bom... aí só o tempo poderia dizer o que aconteceria. *** Juubangai não tinha apenas uma escola. Algumas eram somente dedicada a alunos do ginasial, outras só aos do colegial, outras só aos do primário e outras dedicavam-se às três faixas de estudantes. Rika tinha sido transferida da escola onde estudava, na França, para uma escola dedicada apenas ao ensino médio que ficava em Juubangai. Como já estava no primeiro ano do colegial, não usaria o “famoso” uniforme de sailor. Seu uniforme seria uma saia azul-escura, acompanhada de casaco da mesma cor e uma gravata vermelha, nada muito diferente do que costumava usar na tal “escola para aristocratas” em que estudara. Um suspiro foi dado no banco de trás de um dos carros de propriedade da família Tenoh. Ela só suportava aquele colégio por ser um desejo de sua falecida mãe... Se não fosse por isso, certamente seu pai a transferiria para qualquer outro colégio em que não fosse olhada como uma estranha. Afinal de contas, não era isso que era? Sempre não fora tratada com desprezo, aqueles que se aproximavam queriam saber apenas do saldo de sua conta bancária? A escola, como era natural, estava cheia de estudantes que logo teriam mais um dia de aulas... Rika disse para o motorista antes de descer do carro: - Acho que vou voltar a pé hoje, portanto não precisa vir me buscar. - Sim senhorita. A garota atravessou os portões do colégio, ansiosa. Como seria sua nova turma? O sino que anunciava o começo das aulas soou e era hora de procurar sua sala... Era o 1-A, não seria muito difícil encontrá-lo... era o que esperava, ao menos. Enquanto Rika procurava por sua nova classe, alunos entravam em uma sala e ocupavam os lugares previamente determinados para cada um deles. Um garoto de estatura mediana, magricelo, cabelos loiros muito curtos, com a franja caindo um pouco sobre os olhos, que usava óculos de lentes razoavelmente grossas, colocava o material sobre sua carteira. Acomodou-se e tirou um livro de sua mochila, enquanto seus colegas conversavam em uma rodinha, próxima a ele. - Kage-san chegou mais tarde do que de costume hoje- disse uma garota. - Ele é tão isolado que chego a esquecer da existência dele de vez em quando- disse um menino alto e musculoso, com as mãos nos bolsos. - Não é porque é o melhor aluno da escola que precisa ser tão estranho! Kanzaki-san o passou na última bateria de provas ano passado e é uma das meninas mais populares do colégio, senão a mais. Amamiya-san, do 1-C, também é bastante popular!- Uma garota de estatura mediana, dona de duas tranças loiras, disse. - Mas isso deve-se também ao fato dele ser o capitão do clube de futebol e ter pernas lindas, não apenas por ser um ótimo aluno- uma garota baixinha, com cabelos bastante curtos e maquiagem carregada, disse. - Isso é...- a loira respondeu, vermelha. - Prefere ele a mim, Kyoko?- Um garoto alto, demasiadamente magro, dono de longos cabelos rubros, perguntou. - Iie... Não quis dizer isso, Akio...- Kyoko ficou mais vermelha ainda. - Estudo junto de Kage-san desde o primário e não me lembro de vê-lo conversando com alguém alguma vez. Já o vi trocando palavras com algumas pessoas, inclusive comigo, mas nunca mais do que o necessário- um garoto baixo e moreno disse. - Olhem só o novo penteado da Midori-san!- a baixinha de cabelos negros e curtos disse. O sino que marcava o início das aulas soou e, após concluírem o que quer que estivessem fazendo, desde conversas a pequenos detalhes de deveres que precisavam ser terminados, os alunos acomodaram-se em seus lugares. A primeira aula do dia era de física, o professor já se preparava para começar a aula. Porém, antes da aula começar, o supervisor entrou na sala: - Bom dia a todos vocês. Tenho uma notícia para dar a vocês: a partir de hoje, terão uma nova colega. Ela veio transferida da França e espero que sejam amistosos com ela. Por favor, entre. Rika estava um pouco nervosa. Apresentou-se, um pouco trêmula: - Watashi wa Tenoh Rika Lointain. É um prazer conhecer todos vocês! - Tem uma cadeira vazia ali, atrás da Inoue-san. Pode sentar-se ali, por favor. Rika apressou-se para sentar em sua nova carteira. Todos os seus novos colegas, principalmente os homens, a observavam. Estavam encantados com a beleza da nova colega, como era natural. Durante todas as aulas que se seguiram, foi difícil para os professores chamarem a atenção de seus alunos para a matéria... Além da previsível admiração, o dia também foi cheio de perguntas. Como era a vida na França, por que tinha se mudado, se falava japonês fluentemente, se estava se adaptando... o questionário-padrão aplicado a alunos transferidos, resumindo. Apesar da conversa, o dia letivo continuava e era aula de matemática. Rika tentava resolver os exercícios do livro, mas não eram assim tão fáceis... E precisava apagar algumas contas, mas percebeu que tinha esquecido sua borracha. Bom, o jeito era pedir emprestado para o colega ao lado: - Ei... você tem uma borracha para me emprestar? O garoto levantou os olhos dos exercícios um tanto surpreso. Ao olhar para quem havia perguntado, enrubesceu completamente: - H-h-h-h-h-h-h-a-a-a-a-a-a-i-i-i... Esse garoto pegou a borracha e entregou-a rapidamente a Rika, que após usá-la e agradecer, aproveitou para perguntar o nome do novo colega: - Kage Ryo, a seu dispor...- disse ele, ainda muito nervoso. Rika sorriu da gentileza tímida de seu novo colega, antes de voltar-se novamente aos exercícios. Após terminá-los, era hora do intervalo. Queria conhecer um pouco mais seu novo colégio, seus novos colegas, professores... tudo. Até mesmo inscrever-se em um clube. Bom, era esgrimista, então nada mais justo do que o clube de esgrima! Coincidentemente, o capitão do clube de esgrima era de sua classe. Sasaki Akio, mais especificamente falando, que estava na sala de treinamentos. - Sasaki-san? É com você que devo falar para me inscrever no clube de esgrima, ne? - Pode ser, Tenoh-san. Rika passeava os olhos pelos armários com equipamentos, saudosista. Já fazia algum tempo que não treinava, mas com certeza não havia se esquecido dos fundamentos e regras, tampouco havia perdido sua habilidade com o florete. - Os treinamentos são segunda, quarta e sexta, duram uma hora e meia e são depois da aula. Se quiser começar amanhã mesmo tudo bem... - Certo, então amanhã volto! Rika saiu da sala de treinamento de esgrima para continuar seu passeio pela escola, porém lembrou-se de uma coisa. Nem tinha almoçado ainda, que coisa! Não estava com muita fome, porém era bom comer... Vai ver no refeitório ainda tinha algum retardatário e era bom se apressar... Após correr um bocado pelos corredores da escola, perguntando para um e outro onde era o refeitório, acabou por chegar em uma grande sala recoberta por azulejos brancos, com algumas mesas, vazias. Apenas uma, no canto mais isolado partindo da porta, estava ocupada. A garota de cabelos rosa foi correndo pegar o último prato da refeição do dia, antes de sentar-se na mesa ocupada. Para sua surpresa, o ocupante da mesa era um colega de classe seu... - Posso sentar aí, Kage-san? - Claro... Rika acomodou-se em uma cadeira, antes de agradecer pela comida e começar a comer. Entre os bocados de arroz, perguntou: - Por que está aqui a essa hora? - É porque... porque... porque... porque não gosto de estar aqui quando o colégio inteiro está! - Doushite? - Porque... não consigo... conviver com eles. É assim desde sempre, desde que entrei para a escola. Não consigo conversar com alguém, ter um amigo... nada. - Mas você está conversando comigo agora! Ryo piscou os olhos um pouco. Estava ruborizado por estar conversando com a colega mas... não é que estava abrindo um pouco de seus sentimentos com alguém mesmo? Disse, calmamente e baixinho... - Estou... - E pode conversar comigo quando quiser!- Rika tinha um grande sorriso nos lábios. O vermelho do rosto de Ryo tinha tornado-se discreto, já tinha quase desaparecido de todo. Começou pelo questionário-padrão, mas a conversa foi evoluindo rápido, pois em pouco tempo já contavam casos da infância e comentavam sobre este ou aquele colega. Inclusive, Ryo ria, o que nunca, absolutamente nunca, tinha feito na escola. Tenoh-san era simplesmente a garota mais fantástica que já conhecera! Estava conseguindo conversar, se abrir, mostrar coisas de que nunca se imaginou capaz. Ela era um anjo, um anjo que viera para tirar-lhe do mar da solidão... A conversa animada que acontecia no refeitório foi interrompida pelo bater do sino que determinava que o intervalo tinha acabado e tinham de voltar para a sala de aula. Rika disse, enquanto espreguiçava-se: - Adorei conversar com você, Kage-san! - E eu com você, Tenoh-san... Acho que finalmente tenho uma amiga! Rika sorriu, encantada. Amiga! Tinha um amigo... também não tivera muitos em sua vida. Estava feliz, quem sabe no Japão sua vida seria um tanto menos infeliz do que era na França? Primeiro a sensação da ligação forte com Cassie, agora Kage-san... seriam presságios de novos, e bons, tempos? Só restava torcer para que fossem... Prólogo // Capítulo 01 // Capítulo 02 // Capítulo 03 // Capítulo 04 // Capítulo 05 // Capítulo 06 // Capítulo 07 |
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