Pirate Knights
CAPÍTULO 3- OBRAS DO DESTINO OU MERO ACASO?
	Por mais que uma região do mundo viva em conflitos e guerras, a população civil,
 apesar das privações e provações decorrentes da violência e do terror, tenta tocar sua
 vida. Claro que não é a mesma vida de tempos de paz, sabendo-se que a qualquer momento um
 tiroteio pode começar na próxima esquina ou uma bomba explodir debaixo de sua janela.
	Não são apenas guerras que fazem pessoas se precaverem, se recolherem em casa, serem
 paranóicas no que diz respeito à segurança pessoal. A violência urbana também faz com que
 pessoas se isolem, se prendam, se mantenham precavidas. Para piorar mais ainda, em alguns
 casos, guerra e violência urbana se unem, tornando as pessoas ainda mais vulneráveis. 
	Porém, numa tentativa de manterem-se afastados da situação que os cercava, dois
 jovens andavam em uma pacata, vazia e silenciosa rua. Um casal de namorados. O garoto não
 era muito alto, tinha cabelos negros e profundos olhos azuis. Era magro, mas os músculos
 eram um pouco realçados pelas roupas sociais de tom discreto. A garota tinha estatura
 mediana, era magra e seu corpo não tinha as formas realçadas. Os longos cabelos negros
 batiam na cintura e eram acompanhados de um par de olhos negros muito brilhantes. Estava
 vestida com calça e casaco pretos e uma blusa branca. A garota disse, sem olhar para os
 olhos do namorado, mas para alguma pedra no chão, distraidamente:
	- <Você já teve a impressão de que todos os fatos que ocorrem em sua vida são
 reflexos de algo já planejado, algo já acontecido?>
	- <Bobagem, Sarah>.  
	- <Não sei... Ultimamente, sinto como se estivessem me chamando, como se eu fosse
 útil em algum lugar, como se precisassem de mim...>
	- <Precisassem? Como assim?>
	- <Não sei explicar...>
	- <Minha querida Sarah, eu preciso de você! Sabe muito bem que não há outro sentido
 na minha vida senão você!>
	- <Sei disso, Sam! Você também sabe que se estou viva agora é por você, somente por
 você>- Sarah não pôde deixar de sorrir.
	- <Vai ver é mais uma dessas coisas estranhas que você sente de vez em quando.>
	- <É... Vai ver é isso mesmo>
	- <Agora acalme-se, meu amor, vou te deixar em casa. A rua é perigosa, não é bom
 facilitarmos.>
	A escuridão da noite nublada acompanhava o jovem casal pela rua. Sarah parou de
 repente, fazendo com que seu namorado a olhasse, como se perguntasse o que havia
 acontecido:
	-<Ouvi um barulho, tem alguém por aqui!>
	-<Vamos depressa então, tenho que te levar para casa.>
	O jovem casal seguia com passos apressados na rua, mas um estrondo fez com que
 parassem e virassem para trás para ver do que se tratava. Ao virarem novamente para
 frente, após perceberem que não havia nada atrás de si, suas faces receberam uma expressão
 de espanto:
	- Tenho ordem para eliminá-lo...
	Um monstro de aparência assustadora, com asas de morcego, presas e corpo peludo
 estava a poucos metros do casal. A reação de Sarah foi gritar, a de Sam foi abraçar sua
 namorada. O monstro avançou para onde estavam e o jovem empurrou a si e a sua amada para o
 chão, para se proteger. Disse:
	- <Sarah, fuja daqui!> 
	- <E te deixar aqui sozinho? Nunca!>
	O monstro levantou-se, avançando contra Sam, que conseguiu apenas bloquear seus
 dentes com um pedaço de pau que tinha pegado no chão. Gritou:
	- <O que está esperando para fugir?>
	- <Não vou te deixar aqui sozinho!>
	A garota pegou algumas pedras no chão e começou a atirá-las no monstro, ato que não
 adiantou muito e serviu apenas para enfurecê-lo. Sam bloqueava os dentes, mas logo sua
 força foi superada e sua defesa destruída. As presas do monstro foram finalmente
 encravadas no pescoço do jovem, que após ter sua energia vital sugada caiu inerte no chão.
 Lewa disse por fim, antes de desaparecer tão sorrateiramente quanto apareceu:
	- Missão cumprida, tenho que prestar contas aos mestres.
	Sarah estava parada, em choque. A pessoa que mais amava no mundo havia sido morta por
 um monstro em sua frente e não tinha conseguido impedir. Lágrimas escorriam por seus olhos
 negros, enquanto ajoelhava-se ao lado do corpo sem vida daquele que amava. Enquanto
 colocava a mão já gelada de seu amado entre suas mãos, uma leve chuva começou a cair.
 Chover era um fato um tanto raro na região, ainda mais no começo do outono. A razão de
 viver da jovem já não existia mais... 
	Não se passaram mais do que quinze minutos antes dos primeiros curiosos aparecerem,
 mesmo com a chuva. Uma equipe médica foi chamada, mas a causa da morte do jovem Samuel
 Nasser nunca pôde ser apurada. Sarah não parava de chorar, o mundo tinha desmoronado sobre
 si. Não fazia mais sentido nenhum que continuasse viva se o ar de seus pulmões já não
 pertencia a esse mundo. 
	As horas que seguiram a esse momento foram difíceis. A jovem estava jogada em sua
 cama, entre lágrimas. Não havia mais razão nenhuma para que continuasse em Tel Aviv,
 afinal de contas, seus pais estavam mortos e seu irmão mais velho não se importava com
 ela. Precisava mais do que nunca de um ombro amigo, de alguém que a confortasse. Conforto?
 Não, não era bem conforto o que queria. Queria os braços de seu amado, que não poderia ter
 mais. Queria acompanha-lo na morte, já que sua vida já não tinha sentido nenhum...
	Sarah enxugou as lágrimas. Com alguma dificuldade, pegou o telefone e ligou para o
 aeroporto, procurando pelo primeiro avião que partisse para Los Angeles. Há dez meses,
 quando seu pai morrera, alguns familiares de sua mãe que moravam em Los Angeles haviam
 convidado a garota para morar com eles. É... estava na hora de aceitar o convite. O
 próximo vôo, com muitas escalas, mas isso não importava muito para Sarah, decolaria em
 cinco horas, tempo suficiente para que arrumasse suas coisas.
	A morena tirava as malas do guarda-roupa, enchendo-as com suas roupas e objetos de
 uso pessoal. Olhou para um porta-retratos perto de sua cama. Ali estava ela, feliz, ao
 lado de seu amor. Abraçou a foto e duas lágrimas caíram sobre o delicado vidro que a
 emoldurava. O mundo era injusto... 
	Não demorou muito para que a garota acabasse de arrumar suas coisas. Se iria deixar
 um recado para o irmão? Fazia oito meses que nem tinha notícias dele, por que deixaria?
 Nada disso. Se ele quisesse receber notícias, a encontraria na casa da tia da mãe, em Los
 Angeles.
	Cinco horas depois. Sarah observava as nuvens pela janela do avião. Havia tomado uma
 decisão definitiva em sua vida... Vida? Não, não fazia muito sentido viver agora. Se o
 avião caísse, ela não iria reclamar nem um pouco...

					***

	Um avião. Cento e dez pessoas estavam calmamente sentadas em suas poltronas, enquanto
 algumas belas e graciosas mulheres serviam bebidas e cabia a dois pilotos a missão de
 levar os passageiros em segurança a seu destino. 
	Em um avião, geralmente há a divisão de muitas pessoas na classe econômica, algumas
 na executiva e poucas na primeira classe. Em uma poltrona da primeira classe, uma garota
 de longos cabelos salmão enfeitados com uma tiara negra, vestida com um vestido
 sobriamente negro, estava encolhida. Estava abraçada aos próprios joelhos e seu olhar se
 perdia em algum ponto à sua frente. O homem de cabelos grisalhos vestindo um sóbrio terno
 azul marinho, dizia calmamente:
	- {Acalme-se, miss Rika. Dentro de meia hora estaremos no Japão, na terra onde
 nasceu!}
	- {Sei que está querendo me animar... obrigada, James-san! Mas a todo momento
 lembro-me de meu pai e sinto falta dele. Além disso... estou com medo! Nos mudamos para a
 França quando eu tinha seis anos, não me lembro de como as coisas funcionam no Japão!}
	- {Ora, miss Rika, não precisa ficar assim, acalme-se. Você fala japonês fluentemente
 e inclusive foi criada em um paralelo entre a cultura oriental e a cultura ocidental. Não
 precisa ter medo.}  
	- {Mas tenho um pouco de medo! Por exemplo, na escola. Não sei o significado de
 muitos ideogramas, acho que terei problemas...}
	- {Calma! O ano letivo ainda está no começo e certamente você ter ajuda para se
 adaptar. E não fique nervosa, toda mudança traz insegurança, mas passa logo.}
	- {Obrigada por me apoiar, James-san, se não fosse por você não sei o que seria de
 mim!}
	- {Tudo já está acertado. A mansão da família em Tóquio já está pronta para recebê-la,
 quase todas as suas coisas já estão aqui, você vai se sentir em casa. Bom, na verdade é
 sua casa!}
	- E também a partir de agora vou falar tudo em japonês!
	Rika apenas sorriu. Teria alguns probleminhas, mas seria forte, iria se adaptar e ser
 feliz em sua nova vida, ou não se chamava Tenoh Rika Lointain! Bom... pelo menos era assim
 que era chamada há nove anos, antes de se mudar para a França. “Tenoh Rika Lointain,
 bem-vinda de volta ao país onde nasceu”, pensou. Um sorriso de animação abriu-se em seus
 lábios, enquanto ajeitava-se na poltrona. Em meia hora estaria em terra.

					***

	Um par de olhos azuis abria-se, após uma longa noite sem descanso. Esses olhos
 fitavam o teto já um pouco familiar do quarto de hotel, em Nova Délhi, onde estava
 hospedado fazia duas semanas. Perto desses olhos, manchas roxas que demonstravam que seu
 dono havia passado uma bela noite em claro. Como se fosse possível dormir depois dos fatos
 acontecidos no dia anterior!  Primeiro sentia-se atraído por uma joalheria e dentro dela
 seu proprietário o presenteava com um pingente, depois um monstro atacara o centro de Nova
 Délhi e, por último e o mais estranho de tudo, com o pingente que ganhara, pronunciando
 uma frase que surgira em seus lábios como sombra surge quando a luz diminui,
 transformara-se em um tal Saturn Pirate Knight e matara o monstro! Era demais para a
 cabeça de Jack.
	Esse era seu último dia na Índia... O passeio, que fora prazeroso como todo sonho
 realizado, após os fatos do dia anterior, havia se tornado um grande pesadelo, de onde o
 garoto queria acordar.  Estava no restaurante, tomando o café da manhã. Jack aproveitava
 para dar uma olhada nos jornais, a manchete era óbvia.  Estava transtornado, não podia
 acreditar nos fatos que aconteceram, mesmo sendo o protagonista. Saturn Pirate Knight! Se
 não fosse pelo corte que havia em sua bochecha esquerda, provavelmente estaria achando que
 era apenas mais um de seus sonhos muito reais e muito estranhos. 
	O dia demorou a passar, de tão ansioso que Jack estava para que chegasse logo a hora
 de seu embarque, quatro e meia da tarde. Estava, ao contrário de todos os outros dias,
 trancado no quarto e não queria ver nada nem ninguém. Tinha perdido completamente o prazer
 da viagem e já nem se animava mais a mostrar as fotos aos colegas... 
	Mas como o tempo não pode ser contido, para a alegria de Jack o dia passou depressa.
 Eram uma e meia da tarde quando pegou o táxi que o levaria para o aeroporto. Como o
 trânsito da Índia é algo... lento, por falta de adjetivo melhor, andaram pouco desde a
 porta do hotel antes que o táxi ficasse preso em um congestionamento. Jack olhava pela
 janela e pôde reparar que estava próximo à joalheria do dia anterior, mas ela estava
 desocupada, o prédio em ruínas, e uma placa de “vende-se” sobre a vitrine. O garoto não
 pôde conter um pulo de espanto no banco do táxi:
	- <Mas ontem mesmo aquela loja estava aberta!>
	- <Aberta? O senhor deve estar confundindo, porque faz cinco anos que aquela
 joalheria fechou e está à venda.>
	Jack ajeitou-se na cadeira, meio chocado com a informação que acabara de receber. Não
 estava confundindo, nunca tivera tanta certeza em sua vida quanto tinha de que aquela era
 a joalheria onde estivera no dia anterior.
	 O garoto de cabelos azuis estava tão confuso que nem percebeu o tanto que demorara
 para chegar ao aeroporto, que despachara suas malas e que embarcara. Só foi acordar quando
 descobriu que teria de se sentar ao lado de uma garota. Essa garota virou-se e seus olhos
 negros profundos e serenos como um oceano encantaram o atormentado jovem:
	- <P-p-p-p-p-p-posso me sentar a seu lado?>
	- <E por que não poderia?>
	Jack acomodou sua bagagem de mão e sentou-se. Disse:
	- <Se seremos companheiros de viagem por algumas horas, acho que devemos nos
 apresentar! Meu nome é Jack Sarasvati.>
	- <Sarah Granger, muito prazer.> 
	- <Mal eu pergunte, para onde está indo?>
	- <Los Angeles e você?>
	- <Nova York.>
	- <Você já teve a impressão, quando vê uma pessoa, de que não é a primeira vez eu a
 vê, mesmo nunca tendo visto essa pessoa antes?>
	Jack arregalou os olhos. Também tinha sentido isso ao olhar para a companheira de
 viagem! Mais um fato estranho para sua coleção...	

					***

	Juubangai. Uma lanchonete popular, com pratos rápidos com preços baixos.  Costumava
 atrair o mais diverso público, desde alguns indigentes a executivos de empresas próximas.
 Entre as muitas pessoas que esperavam o almoço, estavam Cassie e Storm. A jovem cientista
 e o ladrãozinho estavam tornando-se amigos, tinham muito mais em comum do que qualquer um
 poderia supor.
	A loira deliciava-se contando toda a história de sua vida. A infância, quando
 surpreendera os pais lendo um anúncio de jornal aos dois anos e meio de idade sem ninguém
 nunca tê-la ensinado a ler, a conclusão de que era diferente das outras crianças, os anos
 na escola para superdotados, onde continuava a ser diferente e ir muito além de seus
 colegas, a faculdade, como fora formar-se aos doze anos de idade, como era sua vida
 trabalhando em um grande laboratório. Além de sua vida, falava de seus sentimentos. De
 como sempre se sentira sozinha, de nunca ter tido amigo nenhum, de ser considerada só uma
 criança tola por seus colegas de trabalho. De ter perdido seus pais aos treze anos, ficar
 sozinha no mundo.
	Nessa parte o diálogo tornou-se um pouco mais doloroso, já que Cassie sabia que os
 pais morreriam no acidente. Storm interrompeu-a antes que se debulhasse em lágrimas,
 contando sua história. 
	- Não comece a chorar, Cassie. Tem sempre alguém pior que a gente. Escute só minha
 história, por exemplo. Nasci no Brasil, mais exatamente na cidade portuária de Santos, sou
 o mais velho de quatro irmãos. Minha família sempre foi bastante pobre, não tinha
 condições de ter muitos brinquedos, conforto, essas coisas. Mas eu tinha um sonho, um
 sonho que me motivava. Talvez pela situação que vivia, meu maior sonho, quando tinha uns
 seis, sete anos, era ser o dono de uma fábrica de brinquedos!
	Cassie não conseguiu segurar uma risadinha. Storm também riu antes de continuar:
	- Eu era uma criança de seis anos, estava esperando o quê? Minha mãe dizia que só
 estudando eu poderia alcançar meus objetivos.E estudei. Muito. Era o melhor aluno da
 classe, sempre ganhava aquelas homenagens de melhor aluno, como medalhas, livros, essas
 coisas. Os anos foram passando e, inclusive, na última série do ginasial... você deve
 saber que o ensino no Brasil é um pouco diferente do ensino aqui, não é? Pois então,
 continuando... na oitava série fui até o orador da turma na formatura! Mas o destino
 guardava um golpe pra mim ainda...
	Storm evitou os lindos olhos verdes que estavam em sua frente. Olhava para os
 ladrilhos do chão:
	- Nas vésperas do meu aniversário de quinze anos, meu pai deixou minha casa. Ele
 sempre fora um bêbado, mas afogou-se na bebida de vez... Eu era o mais velho, meus irmãos
 eram crianças e eu tinha que pôr dinheiro em casa. Eu queria estudar, porém meu sonho
 estava cada vez se afastando mais de mim... Não me dava bem no emprego, era explorado e
 ganhava pouco. Foi quando conheci Cérebro...
	- Cérebro?- Cassie perguntou.
	- Meu “amigo”. Ele também não estava satisfeito com a situação em que vivíamos, já
 roubava algumas coisas naquela época também. Ele me fez uma proposta, proposta essa que
 mudaria minha vida para todo o sempre. Lembro-me bem das palavras dele, palavras que deram
 uma reviravolta em minha vida: “vamos deixar essa miséria aqui e vamos vencer na vida! Não
 será ficando aqui que vamos crescer, que vamos ter dinheiro! Venha comigo, estou indo para
 o Japão”. Não sei o que deu em mim para concordar com o plano dele, mas não interessa.
 Peguei minhas poucas economias e sabe-se lá como entramos como clandestinos em um navio
 que partiria para o Japão... Não sei como também sobrevivemos à travessia, nossa comida se
 esgotou e passamos a comer ratos...
	 Cassie fez uma careta de nojo. Storm continuou:
	- Você nunca passou fome, por isso não sabe o que pessoas que tem fome fazem... Mas,
 continuando, chegamos aqui e, naturalmente, caímos na marginalidade. Viramos ladrões.
 Colegiais saindo da escola, velhinhas, pequenas lojas... vítimas que não tinham muito
 poder de reação, assaltos de onde certamente sairíamos ilesos. Pois você sabe o que
 poderia acontecer comigo se por acaso for preso, ne? Não sou um imigrante legal, na melhor
 das hipóteses iriam me escorraçar para o Brasil e lá eu ficaria em alguma prisão, sem
 muita chance de defesa, e meus sonho de ter um futuro se perderia de vez. 
	- Ambos temos uma história triste- concluiu Cassie.
	- O que não mata fortalece, não é o que dizem? Pois então, o que não nos matou nos
 tornou fortes, Cassie.- Storm tinha seu belo sorriso confortante estampado na face.
	Cassie retribuiu o sorriso, ao mesmo tempo em que as tigelas de macarrão chegavam ao
 balcão. A televisão do restaurante estava ligada e estava passando um jornal. A repórter
 estava na frente de um prédio e as palavras e imagens chamaram a atenção dos jovens que
 tentavam almoçar sossegadamente:
	- O cientista Tomoe Souichi denunciou hoje à polícia o seqüestro de sua companheira
 de pesquisas Beckham Cassandra, aqui em imagens de arquivo. Até agora não houve contato
 dos seqüestradores exigindo resgate. Qualquer informação que tiverem sobre o paradeiro da
 jovem cientista será de grande ajuda, liguem para o número que está na tela se a virem.
 Foi anunciado também que Tomoe-sensei dará uma recompensa para qualquer um que tiver uma
 informação que leve diretamente aos seqüestradores ou que entregue Beckham-san em
 segurança receberá uma recompensa. Da segunda delegacia de Juubangai, Shidou Hikaru para a
 ZFR.
	Cassie e Storm estavam pasmos. A loira só pôde dizer uma coisa:
	- Seqüestrada? Eu?
	Não é necessário dizer que o restaurante todo olhou para ela. Storm inclinou-se para
 comer e deu um pequeno chute na canela de sua convidada, para indicar que ela deveria
 fazer o mesmo. Após inclinar-se sobre sua tigela de macarrão, Cassie ganhou uma pequena
 bronca:
	- Não precisa demonstrar a todos que está aqui.
	- Desculpe, mas a surpresa foi grande...
	- Coma rápido para terminarmos depressa. 
	Após comerem no tempo recorde de dois minutos e meio, a dupla saiu do restaurante e
 misturou-se à multidão. Storm apertava o passo e punha em prática uma de suas habilidades,
 misturar-se à multidão sem ser notado. Cassie disse:
	- Tomoe-sensei sabe que não fui seqüestrada, mas que fugi! Isso significa... que ele
 me quer!
	- E podemos concluir que todos os seus passos habituais estão sendo vigiados.
 Traduzindo: você não pode voltar para sua casa.
	- E agora? O que vou fazer? Por que ele está me perseguindo? Ai...
	- Calma, não entre em desespero (como se eu não estivesse desesperado!).
	- O que disse?
	- Nada, só pensei alto. Talvez até mesmo minha “casa” esteja em perigo. 
	Enquanto Storm passava como ar entre as pessoas, Cassie já tinha dado uns vinte
 esbarrões. De repente, como se tivesse se dado conta de alguma coisa, parou de repente.
	- Que foi?- Storm não pôde deixar de perguntar.
	- É minha culpa que esteja envolvido, que por minha causa você poderá perder seu
 sonho de futuro. Me desculpe por te pôr em perigo!
	- Deixe de bobagem e venha, Cassie. Já estou em perigo, o fato de me expor à luz já é
 perigo! Se for pensar em todos os riscos que posso correr antes de fazer qualquer coisa,
 não vou viver! Não é sua culpa, não é minha culpa, não é culpa de ninguém se estamos nessa
 situação. Aliás, se é para achar um culpado, esse certamente é o papel de Tomoe-sensei. 
	- Você está certo...
	A dupla já estava na “casa” de Storm, Cassie sentava-se em um canto ainda mais
 escuro. Disse, arregalando os olhos demonstrando que havia chegado a uma conclusão que,
 de certo modo, a surpreendia:
	- Ele está me perseguindo por tudo o que vi! Ele mesmo disse, era escolher entre ser
 uma Death Buster ou ser eliminada! 
	- Ele está me perseguindo também, se for assim, mas não conhece minha identidade.
 Porém... por que ele quer tanto te encontrar se tudo o que você viu, pelo ponto de vista
 da ciência e do senso comum não tem lógica nenhuma? 	

				***

	Uma agradável casa do bairro Juuban. Era um sobrado, bastante espaçoso para os
 padrões japoneses. Pertencia a uma família de classe média. O pai, um representante
 comercial de uma grande empresa e a mãe, uma arqueóloga a serviço da Universidade de
 Tóquio.  As três filhas, de 18, 14 e 10 anos, estavam na escola. Isso é, quando estavam em
 horário de aula, pois às quatro da tarde já estavam em casa.
	Ishtar estava na sala, assistindo a um canal de notícias, esperando pelas últimas
 novidades da turnê de uma de suas boybands preferidas, cujo show em Tóquio seria no dia
 seguinte. Porém a notícia era sobre uma certa cientista seqüestrada...
	- ÍRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIS!
	- Que foi, Ishtar-chan? Nem pode mais comer ração Preferida dos Gatos em paz?
	- É que você disse que eu podia lutar pelo amor e pela justiça, ne? Pois então, uma
 cientista foi seqüestrada e devo salva-la, pelo bem da ciência mundial!
	Ishtar estava de pé sobre o sofá, com o braço direito erguido, empolgada. Íris disse:
	- Tudo bem, vamos procurar por ela. Só uma coisa... Combinei um encontro com um
 colega de missão meu hoje, no aeroporto, dentro de algumas horas. Inclusive acho que ele
 já deve estar a caminho, mas isso é só um detalhe... Se sua busca não for nos atrasar tudo
 bem, você precisa mesmo de treinamento.

					***

	Algumas horas antes das quatro da tarde, no aeroporto internacional de Tóquio, um
 avião chegado de Paris aterrissou. Uma garota de cabelos incomumente cor-de-rosa e um
 senhor que a acompanhava estavam pegando as bagagens. O responsável não encontrava as
 bagagens de Rika por mais que procurasse. Após meia hora, só havia uma conclusão a ser
 tomada:
	- Infelizmente a bagagem da senhorita foi extraviada.  Não há muito o que possamos
 fazer, mas é possível que sua bagagem esteja no próximo vôo vindo de Paris, que chegará
 em três horas. Volte daqui a três horas.  O que o senhor deseja?
	Rika estava com uma expressão que misturava espanto e uma certa indignação. Bagagem
 extraviada! Era o que faltava!  Já não bastava uma viagem longa, que representava uma
 mudança em sua vida, e ainda tinha que começar mal? James disse, puxando-a para o saguão
 de desembarque do aeroporto:
	- Imprevistos sempre podem acontecer, miss Rika. Mas não precisa se preocupar, daqui
 a três horas virei aqui pegar sua bagagem.
 	- Não, James-san. Eu quero vir também. E se tiver algum problema adicional com a
 minha bagagem... eles vão ver uma coisinha, o que é mexer com Tenoh Rika Lointain!
	- Não precisa se exaltar muito, miss Rika, tampouco se aborrecer. Pode deixar, eu a
 deixo em casa, o motorista já deve estar nos esperando mesmo. Você deve estar querendo
 descansar. 
	- Já decidi que quero vir pegar minha bagagem! Mas agora... estou com fome! E também
 quero passear um pouco por Tóquio, mesmo que de carro.
	James apenas suspirou. Rika era teimosa... Bom, o pai também era. Era melhor fazer as
 coisas do jeito dela. E estava surpreso, ela estava falando japonês melhor do que esperava!		

					***

	Cassie e Storm refugiavam-se em um beco escuro de Tóquio. Se Tomoe-sensei queria
 deixá-los assustados, havia conseguido. Toda a sombra era motivo de medo, cada passo dado
 era acompanhado por duas respirações contidas e um longo suspiro de alívio quando se
 mostrava um alarme falso. Se Tomoe-sensei queria oponentes emocionalmente afetados, havia
 conseguido. Os diálogos que iniciavam eram quase que totalmente feitos através de
 monossílabos.   A respiração de Cassie interrompeu-se por alguns segundos:
	- Você também sentiu?- Storm sussurrou.
	- Hai...
	- Tem alguém aqui perto, alguém que nos procura.
	- Devemos continuar aqui?
	- É melhor não nos arriscarmos muito, qualquer vacilo pode ser mortal.
	O Sol saiu de um eclipse momentâneo provocado por uma nuvem e banhou Tóquio de luz.
 Uma garota, na entrada do beco, estava de costas para o sol. Apenas seu vulto era visível,
 e estava apontando o dedo para frente:
	- PARADOS AÍ!
	Cassie e Storm gelaram. A garota continuou falando:
	- Como se atreve a seqüestrar uma cientista brilhante como essa, que com seus
 experimentos tenta encontrar soluções para os males da humanidade? Sou uma guerreria que
 luta pelo amor e a justiça, sou Venus Pirate Knight e vou punir você em nome da Lua!
	- Essa frase não é sua, Venus- disse uma gata que estava do lado da guerreira.
	- Isso não é o que importa....- Gotas surgiram na testa da guerreira. 
	- Você trabalha pra Tomoe-sensei por um acaso?- Storm perguntou.
	- Tomoe-sensei? Quem é esse?
	- Deixa pra lá...- Storm não disfarçava as gotas de suor que escorriam pela sua
 testa.
	- Er... Mas agora seus dias de crimes acabaram, vou te entregar para a polícia! Venus
 whip, attack!
	Storm ajudou Cassie a se desviar, já que a pontaria de Venus era tão boa que ela
 quase acertara aquela que pretendia salvar. A jovem cientista tomou a palavra:
	- Espere aí um pouquinho... Eu nunca fui seqüestrada, tudo não passa de um
 mal-entendido!
	- Não, é? Mas deu na televisão e o tio do canal de notícias não teria razões para
 dar uma notícia errada!
	- Se essa menina aí luta por amor e justiça estamos perdidos...- disse Storm.
	- O que disse?- Venus perguntou.
	Íris olhava para a cena, completamente paralisada. Não... não era possível! Era sorte
 demais para uma mensageira de Serenity só! Só podia estar errada, mas não custava nada
 conferir. Além disso o poder era forte demais, só podiam ser eles!
	- ESPERE AÍ, VENUS! Vocês... não, isso é muita sorte! Pluto... Jupiter?
	- Hã?- Foi a resposta óbvia de três jovens em SD.
	- Não posso acreditar. Os dois Pirate Knights mais poderosos de uma só vez! Que sorte
 a minha!
	- Peraí um pouquinho... É O GATO QUE ESTÁ FALANDO OU EU QUE ESTOU LOUCO?- Storm
 perguntou.
	- Atashi wa Íris desu... Conselheira de Serenity-sama!
	- Acho que já era pro despertador ter tocado...- disse Cassie.
	- E vocês são Pluto Pirate Knight e Jupiter Pirate Knight! Que emoção! 
	- Alguém pode me fazer o favor de explicar o que está havendo?- Storm disse.
	 - Ah! Esqueci que tenho que explicar tudo, que vocês não estão com suas memórias
 despertas totalmente ainda! Hum... em sua vida anterior, vocês eram guerreiros que
 protegiam o Milênio de Prata de...
	Íris continuava explicando quem foram os Pirate Knights do passado, mas nem Cassie
 nem Storm prestavam muita atenção. Milênio de Prata... Esse nome era extremamente
 familiar! Remetia a sonhos que tinham desde a infância, a um passado distante, que não
 sabiam situar no tempo, mas que sabiam que já haviam vivido. Era um nome que gerava até
 mesmo uma certa saudade, mas de algo que não sabiam exatamente o que era. 
	- Mas claro, só palavras não servem de quase nada! Vocês precisam sentir! 
	O símbolo em forma de lua crescente que havia na testa de Íris começou a brilhar.
 Dois pingentes materializaram-se, um negro com o símbolo de Plutão na mão de Cassie e um
 verde com o símbolo de Júpiter na mão de Storm. A gata continuou falando:
	- Agora, meus caros, vocês tem que “ativar” seus poderes. É só dizer: “Poder de
 Plutão, venha a mim!” e “Poder de Júpiter, venha a mim!”. Mas acreditem que isso é
 possível, que vocês são os guerreiros que são, senão não vai adiantar nada.
	- É verdade...- disse Venus com um arzinho de quem se acha muito experiente.
	Cassie tocava seu pingente de leve. Novamente, o símbolo de Plutão brilhava em sua
 fronte. Bom, depois de uma semana “daquelas”, era o que faltava mesmo! Não parecia que
 tornar-se uma guerreira fosse tão impossível assim. Com toda a força que tinha, disse:
	- Poder de Plutão, VENHA A MIM!
	Tudo foi envolto por sombras. Apenas o corpo de Cassie estava iluminado, no meio da
 escuridão. Suas roupas desapareceram e sombras começaram a percorrer seu corpo. Primeiro,
 pelo seu peito, onde apareceu uma blusa negra colada. Depois, quando as sombras passaram
 pelas suas pernas, ganhou uma calça preta justa que ia até pouco abaixo do joelho. Mais
 sombras a rodearam e estava vestida com um casaco negro brilhante, com detalhes em prata,
 meias brancas e um par de sapatos negros com um pequeno salto, cheios de babados da mesma
 cor. Segurava também um grande cetro em forma de chave, com uma pedra vermelha o
 adornando. Logo as sombras se dissiparam e ali estava Pluto Pirate Knight, que observava
 seu uniforme com uma expressão de espanto.
	Storm, olhando para sua amiga, para a garota que os atacara, para a gata falante e
 para o pingente verde com o símbolo de Júpiter que estava em sua mão estupefato. Só
 faltava agora estar diante de uma invasão interplanetária! E onde estavam os etzinhos
 verdes e gosmentos? Diante de uma perspectiva dessas, não lhe soava tão absurdo assim que
 também poderia se transformar:
	- Poder de Júpiter, venha a mim! 
	Raios elétricos rodearam o corpo do jovem, enquanto suas roupas sumiam. Os raios
 giravam freneticamente, em um movimento estonteante. Uma calça verde apareceu, juntamente
 com uma camisa com listras horizontais verdes e brancas. Também ganhou um casaco verde com
 muitos bordados da mesma cor, ainda mais pomposo do que o de Venus, Pluto ou mesmo Saturn.
 Nos pés, sapatilhas verdes. Os raios dissiparam-se e Júpiter Pirate Knight também
 observava seu novo uniforme, com um certo desapontamento:
	- O que foi?- Pluto perguntou.
	- Nada não...- disse Júpiter.
	Venus olhava para seus colegas encantada. Disse:
	- Que legal, agora faço parte de uma equipe! Faço parte de uma equipe, ne, Íris?
	- Hai...- disse a gata, com olhos brilhantes de satisfação.
	- Tenho a sensação de que falta alguma coisa...- disse Júpiter, olhando para o
 uniforme.
	- O que, Storm?- Pluto perguntou.
	- NADA DISSO!- Íris berrou.- Ele não é Storm, é Júpiter Pirate Knight. Ou querem ter
 suas identidades reveladas e correrem o risco de sofrer retaliações, fora que nunca mais
 seriam deixados em paz pela população civil?
	- É, tem razão-  disse Pluto.
	Jupiter estava de olhos fechados, concentrando-se. Sua mão direita estava fechada,
 como se segurasse algo. Eletricidade percorreu-a e uma espada apareceu. O metal brilhava,
 sendo que alguns raios passavam por ele a todo instante, e seu punho era enfeitado com
 esmeraldas. O jovem c




avaleiro estava com seu sorriso especial e não pôde deixar de dizer: - Sabia que faltava alguma coisa! - Essa é sua arma, a Jupiter Sword... Bom que se lembra dela, mesmo que inconscientemente!- Íris disse. - Íris! Você não tinha um encontro com um companheiro de trabalho seu?- Venus disse com a entonação de quem se lembra de algo muito importante. - É verdade! Bom... tenho muito a contar a Loki-sempai! Vamos, venham comigo, ele vai gostar de vê-los. Venus destransformou-se. Pluto e Jupiter entreolharam-se, como se perguntassem um ao outro como é que se fazia para se destransformarem. - É só desejar voltar ao normal- disse Venus, que estava achando o máximo ser mais experiente que seus colegas. Cassie e Storm olhavam espantados um para o outro. A perseguição de Tomoe ficara em segundo plano, afinal de contas eram cavaleiros com poderes... mágicos, por assim dizer. No que estavam pensando, era impossível! O que mais faltava acontecer? Íris disse: - Vamos, temos que nos apressar. Os três jovens, seguindo a gata, saíram do beco escuro. Estavam indo para o aeroporto, para encontrarem-se com Loki... não era esse o nome do colega de Íris? Definitivamente estava acontecendo de tudo naquele dia... *** Uma sala ampla, com muitos monitores e telas pelas paredes. Havia também muitos balcões, cheios de teclados e botões. Era uma sala de controle. Cabia a dois operadores monitorarem tudo o que se passava em todos os monitores, praticamente o tempo todo. Um desses operadores, um homem de cabelos verdes, acordou de um cochilo com o barulho de uma sirene. Ao olhar para a tela, gritou: - SÍLICA! - Hã... Que foi?- Perguntou Sílica, espreguiçando-se. - Os poderes de Plutão e de Júpiter foram despertados! - NANI?- Sílica desequilibrou-se e caiu no chão com a notícia. - Isso mesmo! Ah, mas por que justo Plutão e Júpiter? Por que justo os mais poderosos? - Bom, na verdade o poder deles não está em sua totalidade ainda... Eles ainda precisam despertar esses poderes... E podemos trabalhar em cima disso! - Tem razão. Além do que, não temos ordens para matar os dois. - Isso não exclui os outros. - Então, é justamente aí que entramos! Nenhum dos despertados está na totalidade de seus poderes e ainda eliminamos Netuno! - É, mas antes de qualquer coisa temos que despertar a mestra! - Realmente... - Bom, mas é claro que se eliminarmos alguns Pirate Knights antes disso as coisas ficarão mais fáceis pro nosso lado! - Olha só... Segundo o que esse radar está mostrando, parece que os Pirate Knights estão indo todos para o mesmo ponto! - Hum... Podemos mandar um batalhão para lá? - Nada nos impede. - Então é isso. CINIZAD! Uma garota de pele, olhos e cabelos azuis apareceu na sala de controle. Sílica disse: - Leve seu batalhão para esse local, que os humanos chamam de Aeroporto de Tóquio e consiga o máximo de energia humana que puder! - Cinizad!- Foi a resposta do mostro antes de desaparecer. *** Tóquio era bela... Rika estava encantada com o passeio que estava fazendo pela cidade onde nascera. Lembrava-se vagamente de alguns lugares, mas era um reencontro fantástico. Definitivamente estava feliz, mesmo que estivesse prestes a vivenciar alguns choques culturais. Apenas uma coisa a tirava de sua paz de espírito: - James-san... Está na hora de pegarmos minha bagagem. - Miss Rika, vou te deixar em casa. Não vá se desgastar com isso, pode deixar que pego sua bagagem! - Nada disso, James-san! Quero fazer isso pessoalmente. O motorista recebeu ordens de ir para o Aeroporto de Tóquio. Rika estava decidida a pegar sua bagagem pessoalmente, mesmo que isso acarretasse um certo desgaste. O caminho do ponto onde estava até o aeroporto prendia completamente a atenção da jovem, apesar da preocupação com o destino de sua bagagem. Bom, pelo menos logo saberia se levaria suas roupas prediletas e alguns objetos de uso pessoal de valor muitas vezes mais emocional do que monetário ou se estavam perdidas para sempre. Algum tempo depois, o motorista manobrava para preencher uma vaga do estacionamento do aeroporto de Tóquio. Rika logo desceu, acompanhada de James. Atravessou o estacionamento com passos decididos... Não sairia do aeroporto sem suas malas. Esses mesmos passos decididos atravessaram rapidamente as portas do aeroporto, apenas parando quando interrompidos pela voz de James: - Miss Rika, pode deixar que eu vou. - Eu já disse que vou, James-san, que coisa! Mas por enquanto, gostaria que comprasse os jornais... me esqueci disso! Quero saber de tudo o que está acontecendo no país. Inclusive... será que já acharam as causas do acidente no tal laboratório? - Tudo bem então, Miss Rika. A jovem de cabelos rosados dava passos rápidos em direção ao balcão da companhia na qual viera para o Japão. Tudo terminaria bem se as malas estivessem lá, mas se por um acaso não estivessem, uma grande confusão se prenunciava. *** Um avião atravessava os poucos quilômetros que restavam entre o ponto na Baía de Tóquio, onde se encontrava, até uma das pistas do Aeroporto de Tóquio. A comissária já dava os avisos para os passageiros sobre como deveriam se portar durante a aterrissagem. Enquanto afivelavam seus cintos de segurança, dois vizinhos de poltrona conversavam: - <É uma viagem longa, de muitas escalas, mas não reclamo em passarmos quatro horas, antes de trocarmos de avião, no Japão> - disse Jack. - <Sempre tive uma certa curiosidade em conhecer o Japão>- disse Sarah. - <Ficaremos por lá durante pouco tempo, mas vou aproveitar ao máximo, mesmo que não possa sair do aeroporto. Li muito, mas muito mesmo sobre a cultura japonesa, inclusive sei falar japonês! Bom, minha próxima viagem, assim que der, vai ser para Tóquio mesmo...>- disse Jack. Sarah simplesmente sorriu, um tanto surpresa. Jack era mesmo um estudioso! Aprender japonês, uma língua que parecia ser tão complicada! Era meio que surpreendente. - <Bem, Sarah... O que acha de ser minha companheira de passeio?>- O garoto propôs, sorrindo. - <Eu adoraria!> Pouco depois, o avião aterrissou sem nenhuma surpresa. Logo, Sarah, Jack e os outros passageiros desembarcaram. O casal de viajantes, após entrar no aeroporto, podia ver entre a multidão as pessoas que chegavam, as famílias que preparavam-se ansiosamente para viagens, muitas vezes com crianças bagunçando as bagagens e um dos pais as repreendendo, viajantes que se encontravam com seus familiares, despedidas discretas de amantes, olhares curiosos ante uma nova terra. Jack puxava Sarah pelos corredores. Olhava encantado para os guichês e balcões das companhias aéreas, para as lojas, mas principalmente para as pessoas. - <Em um aeroporto você pode ver de tudo, é só procurar>- disse. - <É... interessante>- Sarah estava tonta devido à multidão. - <Sei que não está acostumada a vir para o meio de uma multidão e olhar para as peculiaridades de cada um de seus componentes...> - <Não sei por que... No meio dessa gente toda me sinto ainda mais sozinha, já estou me sentindo sozinha por estar longe de... casa... e ainda mais em uma terra estranha!>. - <Mas você não está sozinha! Temos um ao outro aqui>. - <De certo modo você está certo...> Jack sorriu, enquanto olhava para um casal que passava com uma garotinha loira, com um laço vermelho na cabeça. Sarah disse: - <Estou morrendo de fome...> - <Eu também. Vamos procurar um restaurante!> Não precisaram andar muito pelos corredores tomados de pessoas e bagagens para acharem um café. O casal acomodou-se em uma mesa, enquanto pedia sanduíches. Enquanto os pedidos eram preparados, Jack acomodou-se e começou um diálogo: - <Não vou pedir um prato tradicional de cara. Estou no meio de uma viagem longa, não é bom facilitar>. - <Verdade, passar mal já é ruim, em uma viagem longa então é péssimo! Mas gosto muito de comida oriental, sabe? Meu pai, quando estava vivo, de vez em quando preparava yakissoba vegetariano para meu irmão e eu...> A frase foi acompanhada por um longo suspiro. Jack disse: - <Eu te contei praticamente minha vida inteira e até agora você não falou muito sobre você, sobre seu passado!> - <Disse apenas o necessário. O resto são apenas alguns detalhes na qual não quero pensar.> - <Hum... e tem alguma paixão no meio desses detalhes?> Sarah fechou os olhos, apoiando o rosto com a mão. Algumas lágrimas saíram de seus olhos e encontraram-se com a mesa. Jack assustou-se e logo tentou contornar o assunto: - <Desculpe-me se te feri>. - <Não foi nada... Apenas não quero falar>. - <Se é assim não perguntarei mais>. Para enterrar o diálogo de vez, os sanduíches ficaram prontos, mostrando que não era hora de entristecer-se com lembranças amargas, mas sim hora de comer. ***
	Aeroporto de Tóquio. Milhares de pessoas, devido às mais variadas razões, estavam
 neste local.  Para algumas, dali era retirado o sustento. Para outras, era uma confortante
 volta para casa, para o país de origem. Para outras, pelo contrário, o aeroporto marcava
 um novo início, em um novo país.  Era uma das portas de entrada e saída do país, afinal de
 contas. O aeroporto poderia ser visto de muitos jeitos, pelas mais diferentes pessoas, nas
 mais diferentes ocasiões. 
	Três jovens e uma gata atravessavam as portas do Aeroporto de Tóquio. Cassie disse
 baixinho, apenas para Storm, próximo ouvir:
	- Não sei se deveria ter vindo... Vai ser fácil ser reconhecida em um lugar tão cheio
 de gente assim!
	- Não se preocupe com isso agora. Mas sabe de uma coisa? Estou gostando, nunca tinha
 visto um aeroporto ao vivo.
	- Além disso somos Pirate Knights e tudo vai dar certo no final!- Ishtar, que tinha
 ouvido a conversa, disse.
	Íris olhava de um lado para o outro. Disse:
	- Estou sentindo a presença de Loki-sempai... Tenho que me guiar pela presença
 dele... Venham, sigam-me!
	A gata andava depressa pelas muitas pessoas que ali estavam. Storm não tinha muita
 dificuldade para segui-la, Cassie dava alguns esbarrões de vez em quando e Ishtar
 praticamente ficava para trás, já que esbarrava em tudo o que via pela frente, incluindo
 aí cerca de trinta pessoas e vinte carrinhos de bagagem. O grupo logo aproximava-se de uma
 parte deserta do aeroporto, um banheiro desativado. A escuridão os ocultava aidna mais
 dentro do banheiro. Logo uma voz fez-se ouvir:
	- Muito bem, Íris, vejo que teve sucesso em sua missão.
	- Sim, Loki-sempai. Já despertei três Pirate Knoghts!
	- E eu, pessoalmente, já despertei Saturn. Metade foi despertada, muito bem. Só
 faltam quatro agora...
	Um facho de luz entrou por uma janela do banheiro e Cassie, Ishtar e Storm puderam
 ver quem era Loki. Uma pantera negra, com brilhantes olhos de um roxo intenso. Em sua
 testa, uma jóia oval vermelha. Os jovens cavaleiros olhavam espantados para aquele que era
 um de seus guardiões, junto com Íris. Ishtar tomou a palavra:
	- Anoo... Loki-san, ne?... Acho que nós temos algumas perguntas a fazer.
	- Por exemplo: o que é exatamente um Pirate Knight, quais são nossas atribuições, por
 que estamos aqui- disse Storm.
	- E por que justamente nós- completou Cassie.
	- Você não explicou a eles, Íris?
	- Eu tentei, mas não sou muito boa pra essas coisas...- algumas gotas de suor
 escorriam pela testa da gata. 
	- Tudo bem... As respostas logo virão para vocês. Não vou explicar tudo agora,
 porque falo pra três, daí daqui a pouco tenho que falar pra mais um, depois mais dois,
 depois mais dois... Prefiro esperar e falar para todos de uma só vez, ou se não for
 possível para todos de uma vez, que seja para muitos. Mas não precisam se preocupar, logo
 tudo estará claro! Agora devo ir, mas logo nos reencontraremos.
	Quando os jovens olharam novamente, Loki já não estava mais ali. Íris disse:
	- Loki-sempai é demais...
	- Íris!!!! Você gosta dele, hein, hein, hein?- Ishtar perguntou.
	- Não é nada disso, Ishtar-chan!- A gata ruborizava.
	- Bom, imagino que não temos mais nada para fazer aqui dentro, é melhor irmos embora-
 disse Storm. 
	O grupo saiu do banheiro e voltou ao corredor de outrora. Porém, dessa vez as pessoas
 não estavam em uma desordem ordenada, como deveria ser. Havia um certo pânico, gritos eram
 ouvidos e havia correria. 
	- O que está acontecendo?- Ishtar perguntou.
	A pergunta foi respondida por um ser que parecia um sapo gigante bípede, que
 agarrava-se nas costas de um passante e sugava toda a sua energia. A reação da venusiana
 foi pular no colo de Storm:
	- SOCORRO! Alguém me ajuda!!!
	- Pare com isso e desça daí, Ishtar-chan.... é esse seu nome, ne?- Cassie disse.
  	- Nós não somos Pirate Knights? Pois bem... Está na hora de entrarmos em ação.- Storm
 colocou Ishtar no chão antes de prosseguir.- PODER DE JÚPITER, VENHA A MIM!
	- PODER DE PLUTÃO, VENHA A MIM!
	- PODER DE VÊNUS, VENHA A MIM!
	Após três transformações, Jupiter Pirate Knight disse:
	- Como não sabemos direito o que está acontecendo, acho que devemos nos dividir. Eu e
 Pluto vamos pela esquerda e Venus e Íris para a direita, certo?
	- Hai- as duas amazonas consentiram.
	- Uma vez líder sempre líder...- pensou alto Íris, antes de acompanhar Venus pelo
 corredor que se estendia pela direita.

	- Boa tarde, no que posso ajudá-la?
	- Eu vim pegar minha bagagem.
	- Qual é seu nome?
	- Tenoh Rika Lointain...
	- Espere um instante, sim?
	Rika apoiou os cotovelos no balcão. Pois é, que suas malas tivessem chegado, porque
 se estivessem perdidas... as coisas não ficariam tão bem assim para a companhia. Os
 minutos passavam e nada da atendente voltar. Isso não era um bom sinal, Rika pensou. Se já
 estava um tanto irritada, essa irritação agora crescia. 
	Depois de meia hora em que olhava para as paredes, ouviu passos que se aproximavam:
	- ESCUTE AQUI, SUA... hã?
	Não era a atendente que estava em sua frente, atrás do balcão, mas sim uma criatura
 com aparência humanóide, pele azul, vestindo um biquíni também azul, longos cabelos azuis
 e tentáculos no lugar de braços.
	- O que é você?
	A resposta foi um tentáculo atirado na direção de Rika, pronto para agarra-la. No
 último instante, a garota rolou para debaixo do balcão, numa tentativa de escapar. Porém,
 o outro tentáculo a perseguia, o que a fez rolar. Tinha agora que desviar do primeiro
 tentáculo, o que parecia difícil...  
	- O que está acontecendo, o que está acontecendo?

	Um casal de estrangeiros olhava para a vitrine de uma loja. Jack pediu licença e
 entrou na loja, enquanto Sarah observava as capas das revistas expostas na banca ao lado.
 Logo sentiu a presença de seu companheiro de viagem a seu lado:
	-<Gostaria muito de te ver quando estivermos nos Estados Unidos>.
	-<Qual é seu endereço em Nova York?>
	-<Vou te dar, espere aí... Mas quero te dar uma coisa para que se lembre dos momentos
 em que estivemos juntos. Feche os olhos>.
	Sarah fechou os olhos e Jack pegou o braço de sua companheira de viagem. Quando Sarah
 abriu os olhos, viu em seu braço direito uma pulseira que era uma corrente prateada com
 algumas miçangas verde-água. 
	-<Obrigada, é linda>.
	Jack sorria:
	-<Você é a companheira de viagem mais especial que já tive>.
	Sarah enrubesceu. Jack era tão simpático que até a deixava sem graça! Era melhor
 continuar olhando para a vitrine enquanto o vermelho de seu rosto atenuava-se. Jack também
 olhava para a banca, vendo as últimas notícias internacionais. Estavam distraídos, mas um
 grupo de pessoas que corria, seguido por um grupo de monstros definitivamente chamou a
 atenção do casal. Sarah arregalou os olhos e só pôde exclamar:
	- <Monstros... como os que tiraram meu amor de mim!>
	- <Vou te proteger deles, Sarah.>Poder de Saturno, VENHA A MIM!
	Após a transformação, que a cegou por alguns instantes, a garota não pôde conter o
 espanto ao ver um guerreiro com uma roupa que lembrava de longe àquela usada pelos
 corsários, mas melhor adaptada para a batalha, segurando uma alarbada. Era uma cena
 espantosa... mas de certo modo familiar! Era como... se já soubesse da existência de tal
 guerreiro, era um baita déjà vu! 
	- Silent Glaive, attack!
	Saturn lançava seu ataque contra os monstros que perseguiam as pessoas de outrora.
 Isso fez com que as pessoas escapassem, mas atraiu cerca de vinte monstros, dos mais
 variados formatos e tamanhos, para onde o casal estava. Saturn empunhava a lança, enquanto
 Sarah escondia-se atrás de seu companheiro de viagem, tentando se proteger.
	O cavaleiro empunhava seu Silent Glaive, mas logo a desvantagem numérica pesaria. Não
 podia arriscar-se a atacar e no contra-ataque sua companheira de viagem ser ferida, de
 jeito nenhum. Mas a desvantagem numérica era um fato e logo iria perder o controle...
	- PARADOS AÍ!
	A luz do sol erguia-se por trás de uma figura. Era uma garota, seguida por uma gata:
	- Como se atrevem a invadir um aeroporto, um lugar tão importante para pessoas que
 vêm e vão todos os dias e ainda ferirem inocentes? Não os perdoarei! Venus Pirate Knight
 vai punir vocês... em nome do amor!
	- Esse não é seu lema, Venus...- Íris disse.
	- Não, é?- Uma gota de suor era visível na testa da venusiana.- Mas agora tenho
 assuntos mais urgentes a tratar! Venus Whip Action!
	Venus atacava os monstros com seu chicote e Saturn usava sua lança. Porém não estava
 adiantando muito e cada vez mais monstros chegavam. Venus Pirate Knight já estava
 encurralada, junto de Saturn e Sarah. A desvantagem numérica cada vez aumentava mais,
 logo teriam de se render. A amazona  não pôde deixar de perguntar:
	- Você é uma Pirate Knight também?
	- Eu é que pergunto!
	- Bem-vindo ao time, Saturn Pirate Knight!- Íris disse.
	- Acho que não é hora para blábláblá... Temos é que arranjar um jeito de derrotarmos
 esses monstros!- O cavaleiro disse.
	- Se soubéssemos como!- A frase de Venus foi acompanhada por um suspiro. 
	Saturn apontava a alarbada para os monstros, mas logo algum deles passaria pela
 barreira. Tinham que pensar em alguma coisa e tinha de ser rápido!
	Venus olhava para os monstros, impaciente por não saber como derrotá-los. Precisava
 pensar em alguma coisa, antes que estivesse realmente em perigo! Uma frase vinha a seus
 lábios, como os primeiros raios de sol iluminam o dia... Era uma frase que sabia que já
 tinha falado muito, algum dia! 
	- Eve...- Venus apontou o dedo indicador direito para cima, com o braço erguido.
 -...star...- apontou o dedo para um dos monstros.-... beam!- Um raio de luz saiu de seu
 dedo e atravessou o monstro. 
	Venus caiu de joelhos. Havia se esforçado muito para apenas um raiozinho mixuruca que
 nem dera pra derrubar seu adversário. Porém, o ataque serviu para abaixar a guarda dos
 monstros, o que fez com que Saturn atacasse:
	- Silent Glaive... attack!
	Metade dos monstros foi pulverizada, a outra metade estava ferida, assustada e
 furiosa. Outro ataque de Saturn, que também pulverizaram metade, mas agora além de
 feridos, assustados e furiosos tinham sede de sangue. Avançavam com toda a sua força sobre
 Venus, Saturn e Sarah, mesmo que os cavaleiros tentassem impedir a aproximação não
 conseguiriam segura-los por muito tempo. 
	Sarah estava encolhida, apoiando-se na parede, tremendo muito. Estava assustada, o que
 estava havendo? Um ataque de... monstros, mas estava sendo protegida por dois guerreiros.
 Quem eram eles? Não podia acreditar que seu companheiro de viagem pudesse se transformar
 em um guerreiro... e a defender!
	- Céus, como não percebi antes! Estava debaixo do meu nariz e não senti!- Íris disse.
	- Que foi?- Venus perguntou.
	- Garota... GAROTA!
	Sarah olhou para a gata que estava no chão. Um gato falando... Por que isso não a
 espantava? Bom, talvez porque perto de um ataque de monstros um gato falante era até um
 refresco. E seria educado responde-la:
	- Sim?
	- Como não percebi antes, você tem o poder de Netuno! 
	A Lua da testa de Íris começou a brilhar e Sarah percebeu que tinha um cordão com um
 pingente verde-água com o símbolo de Netuno na mão. A gata continuou falando:
	- Agora você deve dizer “poder de Netuno, venha a mim” para que seus poderes sejam
 ativados. Mas não deve ser da boca pra fora, você deve acreditar no que está dizendo!
	Sarah olhava para o cordão. Podia ver seu companheiro de viagem e a outra garota
 esforçando-se ao máximo para que os monstros não se aproximassem, para que fossem
 derrotados e pudessem sair dali. Será eu poderia ajudá-los? Só tinha uma maneira, se era
 isso o que queria:
	- Poder de Netuno, VENHA A MIM!
	Um círculo de água dançava, envolvendo o corpo da jovem. Suas roupas tinham
 desaparecido e mais água envolvia seu corpo. Ganhou uma blusa verde-água colada em seu
 corpo, acompanhada de uma calça da mesma cor que ia até pouco abaixo do joelho. Ainda
 ganhou um casaco verde-água, com alguns bordados da mesma cor. Para completar o uniforme,
 sapatos com rendas verdes e um par de meias brancas. A água dissipou-se, revelando Neptune
 Pirate Knight. 
	Venus e Saturn distraíram-se por um instante, enquanto olhavam a nova companheira.
 Porém, não podiam abaixar a guarda justo agora... Neptune estava de olhos fechados,
 concentrando-se. Pouco depois, um bumerangue verde-água, com o símbolo de Netuno em
 prateado estampado, aparecia em sua mão. Ela não precisou de muita força para joga-lo e
 as palavras que acompanhavam o golpe brotaram de seus lábios como se fossem água que brota
 de uma fonte:
	- Neptune boomerang wing!
	O ataque de Neptune acabou com os monstros que faltavam. Venus e Saturn deram um
 grande suspiro de alívio. Mas Neptune estava estarrecida, pra dizer o mínimo. Quer dizer
 então que era uma guerreira? Mas por que ela? Por que conseguia sentir toda a energia do
 Sistema Solar percorrendo seu corpo? Por que a sensação de que isso não era novidade
 nenhuma? E, por último mas não menos importante, COMO É QUE ESTAVA FALANDO E ENTENDENDO
 JAPONÊS? Isso devia ser um pesadelo...
	Saturn disse, interrompendo os pensamentos da companheira:
	- Bem-vinda ao time!
	A resposta foi um sorriso. Porém, havia coisas mais urgentes a fazer do que uma
 recepção à nova companheira... Um aeroporto sitiado que precisava ser libertado, por
 exemplo. Íris disse:
	- Vamos, temos que libertar o aeroporto e cuidar para que civis não se firam!
	Os três cavaleiros e a gata corriam pelos corredores, destruindo um ou outro monstro
 que apareciam. Após andarem por alguns corredores, libertarem alguns civis e destruírem
 alguns monstros, podiam ver duas crianças no chão, abraçadas, cercadas por dois monstros,
 e dois guerreiros perto delas.
	- Thundering beam!- Gritou o de verde.
	Uma alta descarga de eletricidade destruiu os dois monstros, que se desfizeram em pó,
 assim como todos que eram destruídos. A amazona que estava ao lado dele disse:
	- Podem ir, garotos... Saiam depressa, tudo bem?
	- Obrigado! Nós agradecemos muito a vocês dois!
	- Não fizemos mais que nossa obrigação, não precisam agradecer- Jupiter disse,
 sorrindo. 
	Os dois garotos saíram correndo. A conversa podia ser ouvida:
	- Eles foram muito legais com a gente!
	- E você reparou como o verde, com o uniforme parecido com aquele daquele time
 brasileiro chamado Palmeiras, é forte?
	Jupiter ganhou uma gota gigantesca na testa. Pluto perguntou:
	- Que foi?
	- Eu sabia que isso iria acontecer um dia...
	- O quê? Salvar uma pessoa?
	- Não, dizerem que meu uniforme parece com o do... com o do... com o do.... ah, deixa
 pra lá.
	Venus aproximou-se correndo dos dois:
	- Olhem só, nosso grupo aumentou!
	Jupiter olhava para os dois novos companheiros. Disse:
	- Sou Jupiter Pirate Knight- disse, sorrindo.
	- E eu sou Saturn Pirate Knight.
	- Neptune Pirate Knight...
	- Pluto Pirate Knight e sejam bem-vindos ao grupo! 
	- Chega de apresentações, temos um aeroporto ainda pra salvarmos!- Venus disse.
	O grupo, agora unido, andava pelos corredores, ainda destruindo monstros ocasionais,
 já que já tinham destruído bastante quando estavam separados. Os civis também já haviam
 fugido, só aqueles envolvidos com a batalha estavam no aeroporto. Pluto disse:
	- Temos que procurar o líder desses monstros. 
	- Se é que há algum- disse Saturn.
	- Com certeza há um! Porque senão como haveria um ataque perfeitamente combinado,
 esse monte de monstros de uma só vez, no mesmo lugar? Deve haver alguém coordenando!
	- Mas temos que eliminar esses monstros, não interessa se com líder ou não. Eles não
 podem matar mais pessoas!- Neptune disse.
	- É... Você está certa. Vamos nessa!- Disse Venus, bastante empolgada.
	O grupo, agora composto de cinco pessoas, eliminava os monstros que encontrava. Eles
 rareavam cada vez mais, logo o aeroporto estaria limpo! Bom... se é que um lugar salpicado
 de sangue verde poderia ser considerado limpo... Mas tudo estava se ajeitando, os últimos
 monstros estavam sendo eliminados depressa. Venus até mesmo disse:
	- Conseguimos! O aeroporto finalmente está livre!
	- SOCORRO!
	- Tanto o aeroporto não está livre quanto há uma pessoa em perigo... vamos!- Jupiter
 disse.   
	Os cinco Pirate Knights correram em direção ao grito. Podiam ver uma garota de longos
 cabelos cor-de-rosa desviando de dois monstros, com dificuldade. Por fim, um deles soltou
 um tentáculo que agarrou a garota pelo pescoço e a ergueu. O outro monstro limitou-se a
 dizer:
	- Pirate Knights... Como sempre enxeridos! São problemas a serem eliminados! Cinizad!
 	Enquanto o outro monstro segurava a garota, que debatia-se para tentar se libertar,
 Cinizad pôs-se em posição de ataque. Jupiter disse:
	- Vamos, precisamos salvar a garota e destruir os monstros!
	Logo o grupo teve de desviar dos dois tentáculos, que iam pelo chão como se fossem
 chicotes, para derruba-los. Com uma certa facilidade conseguiram escapar, exceto Venus que
 desequilibrou-se e tomou um tombo. Os tentáculos não paravam e mesmo que fosse fácil
 desviar deles, não havia tempo para desferir nenhum ataque. Jupiter disse:
	- Temos que ser mais rápidos que ela!
	- Tenho uma idéia.- disse Saturn.- Poderíamos atacar, enquanto Neptune corta o
 tentáculo com a garota com o bumerangue!
	- É uma boa, vamos tentar- disse Jupiter.
	- Melhor! Assim que o tentáculo for cortado, você, Saturn, manda seu ataque no outro
 monstro- disse Pluto.
	- Tá, pode ser.
	Enquanto eram atacados pelos tentáculos, Neptune conjurou o bumerangue. Estava
 difícil para mirar, ma tinha que conseguir, aquela garota dependia de sua pontaria!
 Quando achou que era o momento certo, e realmente não poderia esperar mais, atacou:
	- NEPTUNE BOOMERANG WING!
	Dez segundos depois foi a vez de Saturn:
	- SILENT GLAIVE... ATTACK!
	A garota estava a salvo... e era a vez de Jupiter. Ele estava com as mãos próximas e
 concentrava eletricidade nelas:
	- Thundering...- A eletricidade era arremessada em forma de raio na direção do
 inimigo.-...beam!
	Esse raio atravessou Cinizad. O monstro disse, em sue último suspiro:
	- Pode ter sido fácil comigo, mas com os outros não será assim, Pirate Knights!
	Após essas palavras, como acontecera com todos os outros monstros, Cinizad virou pó.
 Por sua vez, os Pirate Knights faziam uma roda ao redor da garota que tinha caído. Ela
 abria os olhos vagarosamente, colocando a mão na testa para verificar se havia machucado,
 pois estava doendo. Ao olhar o grupo que a estava rodeando, apenas perguntou:
	- Quem são vocês?
	- Somos Pirate Knights...- Jupiter respondeu, com um sorriso no rosto.
	Rika sorriu, enquanto passava a mão pela cabeça para tentar aliviar a dor de uma
 batida. Íris começou a gritar:
	- NÃO PODE SER! Kami-sama... Eu estou com sorte hoje, hein! 
	- Que foi, Íris?- Venus perguntou.
	- Essa menina aí... Ela tem o poder de Urano, posso sentir! Ei, garota!
	- O gato tá falando? Não pensei que tinha batido a cabeça com tanta força!
	Íris ganhou uma grande gota na testa:
	- Não temos tempo para isso agora. Você também é uma Pirate Knight, é Uranus Pirate
 Knight mais exatamente falando!- O símbolo em forma de lua crescente começou a emitir uma
 luz e um pingente amarelo com o símbolo de Urano surgiu na mão de Rika. - Agora diga: 
 “Poder de Urano, venha a mim!” para seus poderes serem ativados.
	Rika, ainda sentada, olhava para o pingente. O símbolo de Urano brilhava em sua
 fronte. Bom, se até o gato tava falando, tinha sobrevivido a um ataque de monstros e
 alguns guerreiros a haviam salvado, não era tão impossível assim!
	- Poder de Urano... VENHA A MIM!
	Uma tempestade de areia surgiu em torno do corpo da jovem... Eram terra e vento,
 juntos. E essa torrente de areia passava por seu corpo... Primeiro, uma blusa colante
 amarela e uma calça pouco abaixo dos joelhos da mesma cor. Depois, um casaco amarelo
 brilhante, bordado também de amarelo, por cima dessas roupas. Ainda, sapatos com rendas
 amarelas e meias brancas. A areia dissipou-se e Uranus Pirate Knight, como todos os
 outros, começou a olhar para o uniforme, espantada. Depois, ao olhar para os companheiros,
 perguntou:
	- Quem são vocês?
	- Pirate Knights, ora!- Venus disse.
	- Iie… A identidade por trás do uniforme.
	Cinco Pirate Knights se destransformaram. Ao ver a pergunta expressa nos olhos de
 Uranus, Íris disse:
	- Deseje voltar ao normal.
	Agora os seis jovens estavam se analisando mutuamente. Storm deu um passo a frente do
 círculo que havia se formado:
	- Storm, muito prazer. Claro que esse não é meu nome de batismo mas deixa pra lá...
	- Atashi wa Aino Ishtar desu...
	- Beckham Cassandra, mas pode chamar de Cassie!
	Três vozes disseram, espantadas:
	- A cientista?
	- É... Mas como podem ver sou...- antes de falar “gente normal”, lembrou-se que não
 era tão normal assim ser uma Pirate Knight-... como vocês!
	Rika sorria. Ela era tão familiar! Sentia que a conhecia desde sempre, que sempre
 esteve próxima, com um sentimento muito forte. Simplesmente sentia que estava diante de
 sua melhor amiga. Também deu um passo a frente e apresentou-se:
	- Tenoh Rika Lointain.
	- Sarah Granger…- a morena estava meio espantada com os nomes dos companheiros.
 Mas... lembrava-se de algo que tinha lido há muito tempo atrás, que no Japão costumava-se
 dizer o sobrenome antes do nome. É, então era isso.
	- Jack Sarasvati.
	Os olhos vermelhos de Rika encontravam-se com outro par de olhos que se destacava.
 Sentia a paixão mais intensa que sentira em toda a sua vida... E ao mesmo tempo sentia que
 era uma paixão para nunca ser consumada. Voltou os olhos para o chão, pensativa. Era muita
 novidade para um dia só...
	- Muito bem. Vejo que vocês estão juntos e em fase de reconhecimento.
	- Loki-sempai!- Íris disse alegremente.
	A pantera negra estava andando em direção aos jovens. Sarah sentia seu corpo tremer
 um pouco. Alguém poderia chamar essa sensação de “medo do desconhecido”, quem sabe? Jack
 olhava para a pantera com a sensação de que ela era familiar... Não que já a tivesse
 visto, mas ela lembrava alguém. Rika levantou os olhos ao ouvir a voz e quando os olhos da
 pantera cruzaram-se com os da garota, uma frase foi dita:
	- Você continua linda, Aurora.
	Os Pirate Knights entreolharam-se. Aurora? Quem era essa agora? A pantera retomou a
 palavra:
	- Não seria indicado conversarmos aqui no meio do saguão do aeroporto. Vamos,
 sigam-me! Temos muito a conversar. 

Prólogo // Capítulo 01 // Capítulo 02 //

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