\n'; document.write(barra); } } changePage();
| CAPÍTULO 2- REVELAÇÕES | |
Selene. A antiga capital do Milênio de Prata, situada na Lua. Talvez o nome Milênio de Prata refletisse o esplendor da cidade. As ruas eram calçadas com as mais brilhantes pedras, as lindas casas eram prateadas. Até mesmo a vegetação era completamente prateada. No meio da cidade, em um ponto que era visto por todos, o grande e esplendoroso Palácio Real. O Palácio Real... Era a sede do governo do Milênio de Prata, além de ser a morada da família real lunar. Um belo e grandioso palácio, feito do mais puro mármore do Universo. Fora projetado há muitas gerações atrás pelos mais brilhantes arquitetos e engenheiros do Milênio. Era uma construção magnífica, que batia qualquer outra do Milênio, ou dos tempos que viriam após sua queda. Claro que também havia maravilhosos jardins no palácio, onde as plantas tinham o mesmo tom prateado particular das plantas lunares. Esses jardins eram adornados com esculturas e fontes, eram extremamente belos e reconfortantes. Todo o palácio estava pulsando, pois havia uma festa. Os jovens nobres deveriam se divertir, nem que fosse um pouco. Antes se divertissem em festas, como as oferecidas pela rainha, do que arranjando problemas pelo Milênio. Claro, se viviam em uma época de paz, o que guerreiros dotados de poderes extraordinários poderiam fazer para se divertir? Nos maravilhosos jardins, iluminados por uma luz prateada, um casal afastava-se da agitação da festa. A garota usava um maravilhoso vestido negro, com uma longa saia rodada e um corpete negro sem mangas e sem alças. Estava sentada na beirada de uma fonte, enquanto acariciava os longos cabelos loiros. Seu amante estava de pé, olhando para o enorme astro azul que se fazia visível no céu. A armadura verde iluminava-se com o reflexo desse astro. Disse: - Mas por que está tão tristonha? - Porque tenho uma sensação horrível, a de que logo a visão que tenho do Milênio sendo destruído vai se realizar. - Não pense nisso agora, vamos nos divertir no baile! - Mas tenho medo! Por nossas irmãs, nossos amigos, principalmente por você. O garoto levantou sua amada e abraçou-a, enquanto acariciava seu rosto: - Vou te proteger de tudo. - Mas... você acha que deveríamos aceitar aquilo que nos foi oferecido? - Acho que devemos sim. Não podemos nos deixar intimidar por ameaças infundadas. Vamos aceitar sim... - Assim, quem sabe, poderemos proteger melhor o Milênio e as pessoas que amamos, não acha? - Claro... Sabe que estou fazendo isso porque não quero que nada nesse universo te fira, não sabe? A garota olhou para o rosto do amado. Os olhos castanhos, a franja de mesma cor caída displicentemente sobre eles, o sorriso encantadoramente confortante. Seus delicados dedos acariciavam o rosto daquele que amava. Os lábios do casal apaixonado inevitavelmente encontraram-se em um beijo, beijo esse iluminado pela enorme Terra que brilhava no céu... *** Um par de olhos verdes abria. A dona desses olhos tentava juntar as imagens distorcidas que via, tentando enxergar melhor o lugar onde estava para identificá-lo, talvez. Podia notar que estava em um lugar desconhecido. Antes mesmo de seus olhos se acostumarem com a escuridão, seus lábios exteriorizaram a grande dúvida de sua mente: - Onde estou? - No lugar que costumo chamar de lar. Os olhos da jovem cientista por fim acostumaram-se à penumbra. Estava em um beco abandonado de Tóquio, as paredes das decadentes construções que o formavam decorados com velhos cartazes de propagandas de lojas, shows ou filmes. No chão, além do velho colchão onde estivera dormindo e agora estava sentada, havia um outro, enrolado e escorado em um canto. Havia também uma velha cômoda, forrada com um gasto tecido amarelo estampado com pequenas flores vermelhas. Ao lado dessa cômoda, um vulto, sentado, com os joelhos paralelos ao peito, encolhido, provavelmente era a voz dele que ouvira: - Por quanto tempo dormi? - Doze horas. Já estava ficando preocupado! - Foi você que me salvou, ne? Gostaria de agradecer... - Não é necessário. O jovem levantou-se, ficando de costas para sua hóspede, virado para a rua, onde os milhares de passantes nem se davam conta da existência do beco. Apoiou as mãos na cintura, para espreguiçar-se. Cassie, ao notar o gesto de seu acompanhante, perguntou: - Você... durante essas doze horas... ficou ao meu lado? - Claro, estava preocupado! O jovem virou-se e o lindo e perfeito rosto era enfeitado com um sorriso, que Cassie pôde ver apesar da escuridão do beco. Levou um susto. Já o conhecia, e o conhecia bem! Aquela perfeição de rosto, os cabelos castanho-escuros curtos com a franja caída sobre o rosto displicentemente, o sorriso que a acalmava, até mesmo o brinco na orelha esquerda estavam registrados na sua mente! Uma pergunta deveria ser feita: - Quem é você? - Meu nome é José Silva mas, por favor, NÃO ME CHAME ASSIM! Prefiro que me chame de Storm. - Não é um nome muito comum... - Aqui não é mesmo, mas no lugar aonde vim... E qual e seu nome? - Beckham Cassandra. Um nome horroroso... Pode me chamar de Cassie. E você pode achar estranho que eu fale meu sobrenome antes do meu nome, mas me acostumei assim! Era como meus pais diziam, se nasci e cresço em um lugar, tenho que ter a cultura deste lugar! - Não acho estranho. Storm sentava-se ao lado da sua "hóspede". Cassie, enquanto acomodava-se melhor sentada, continuou as perguntas: - Mas que espécie de lugar é esse? - É o lugar onde vivo, fica em algum lugar do bairro Juuban. Tenho sorte porque ninguém nota a existência desse beco. - Falando em sorte, obrigada por salvar minha vida. - Não fiz mais do que minha obrigação, não precisa agradecer! Mas tenho uma pergunta: como uma garota como você foi meter-se com aquele tipo de organização? - Eu não sabia do que se tratava, mas eu tinha que passar algumas coisas a limpo. Não posso acreditar, não tem lógica nenhuma! Como Tomoe-sensei pode ter se tornado um demônio? Cassie retomava mentalmente os fatos da noite anterior. Parecia que todo o seu ceticismo havia sido atirado ralo abaixo de vez. Não que visões do futuro que sempre acabavam acontecendo não fossem atordoantes, mas ser atacada por um cientista que sabe-se lá como transformara-se em demônio fora demais para sua mente. Não se surpreenderia com mais nada depois dessa! - Mas você ainda não respondeu. O que a levou para aquele lugar? - Você deve ter tomado conhecimento da tragédia que aconteceu em Tóquio há uma semana, ne? A destruição do Laboratório Tomoe? - Claro... - Pois bem. Aquele homem que você enfrentou na noite passada para me tirar daquele lugar era Tomoe Souichi, o dono do Laboratório! A expressão de Storm era de um profundo espanto. Quer dizer então que aquele homem, ou melhor, aquele demônio da noite passada era um dos grandes nomes da comunidade científica internacional? Só podia estar ficando louco... Além disso, mais uma coisa não saía de sua cabeça desde a noite anterior: o que o levara até aquela sala da construção e de onde tirara forças para enfrentar um demônio? A explicação de que pessoas podem fazer coisas além de suas capacidades quando ameaçadas não era suficiente, deveria haver outra resposta. Estava blefando, como poderia enfrentar um demônio. Mas como o tal Tomoe não havia percebido que era um blefe? Estranho. Muito estranho. Mas não era hora de reclamar da sorte. - Mas não entendo... Se não for perguntar demais, qual sua ligação com Tomoe Souichi? - Simples, eu trabalhava para ele. Storm arregalou os olhos ainda mais. - Trabalhava?- A pergunta foi feita em um tom de voz espantado. - Hai. Eu sou uma cientista. - Mas você aparenta ser tão jovem!- O espanto continuava crescendo. - Bom, tenho quinze anos de idade. - QUINZE? O espanto fez com que Storm se desequilibrasse e caísse no chão de pernas pra cima, numa pose cômica. Cassie disse calmamente, enquanto seu salvador se recompunha: - Sei que isso não é muito comum e não se encontram gênios em cada esquina, mas fazer o quê? Nasci com esse dom, ora! - Tem razão. Também não é muito comum vermos garotas sendo atacadas por demônios, não acha? Mas você não se parece muito com a idéia de gênio adolescente que eu tinha... É bonitinha demais pra isso. A loira enrubesceu completamente e deu duas piscadas de vergonha. Storm disse, ao ver o constrangimento da garota: - Anoo... Quis dizer que a imagem que eu tinha era de uma pessoa completamente estranha, carregada de livros, rato de bibliotecas e que falava difícil para esnobar, além de um incompreendido. Você não é nada disso! - Bom... Digamos que incompreendida eu seja, já que não tenho nenhum amigo. - Podemos ser amigos, ora!- Storm sorria para a "hóspede" Cassie sorriu de volta. É... ele parecia que seria um bom amigo! Mas algumas coisas acontecem após doze horas de sono. Uma dessas coisas é a fome. O estômago da jovem começou a informar que queria comida, o que não passou despercebido para Storm: - Pelo jeito está com fome, ne? Então vamos a alguma lanchonete aqui perto, eles não cobram muito caro. ***
[Nota da autora: Para uma maior comodidade para quem está lendo e também para mim, texto
entre <> representará diálogos em inglês. Texto em {} representarão diálogo em alguma
língua que aparecerá em uma cena ou duas, no caso das cenas a seguir, em francês. Texto
normal retratará diálogos em japonês. Está certo que pelo contexto dos diálogos dá para se
saber em que língua os personagens estão falando, mas como eu disse anteriormente, isso é
pra facilitar um pouco meu trabalho e a leitura^_^]
Outono. As temperaturas estavam começando a abaixar, deixando para trás o calor do
verão. As árvores ainda estavam cheias de folhas, o Sol brilhava no céu sem nuvens, ainda
faltava algum tempo para que a neve começasse a cobrir os campos. Outono... As férias de
verão, assim como as altas temperaturas, eram passado e uma rotina de aulas e trabalho
havia recomeçado fazia cerca de um mês. Não que isso fosse um grande sofrimento, tampouco
impedisse que em momentos de folga algumas pessoas se divertissem.
Algum lugar da região francesa de nome Borgonha. Entre pequenas e grandes
propriedades rurais, um grupo de jovens procurava diversão. Encontravam-na praticando
esportes, no caso um esporte que causasse calafrios em qualquer um apenas em observar.
Bungee jump.
Os jovens conversavam animadamente sobre o esporte que praticavam ou assuntos
banais. Porém, entre eles, uma garota não podia esconder a agonia que queimava em seus
olhos.
Essa garota passou os dedos delicadamente pelos longos cabelos naturalmente, por
mais incomum que essa cor pudesse parecer, cor-de-rosa. Nunca vira outra pessoa com cabelos
da mesma cor dos seus, mas isso pouco importava. Os olhos rubros fitavam todo o ambiente,
seus amigos que conversavam, tudo. Estava preocupada, não tinha como negar.
Colocou as mãos nos bolsos da calça larga, que escondiam a perfeição de suas pernas
longas e torneadas, delineadas pela prática esportiva constante. Não entendia o motivo de
estar ali... Talvez porque queria relaxar um pouco da tensão dos últimos dias, que ainda não
terminara. Também estava seguindo os conselhos de seu pai, de que adiantaria passar o final
de semana em casa, preocupada, sendo que não poderia fazer nada?
Seus olhos fitavam o vazio. Estava preocupada, seus colegas podiam perceber, não
tinha como esconder. Além disso, eles sabiam de toda a agonia... A longa doença de seu pai
que se estendia por meses, o longo e penoso tratamento. Quantas vezes a garota não tinha
que faltar às aulas para cuidar de seu pai? Além do que, ela não andava alegre e expansiva,
como sempre fora, já há muito tempo. A doença do pai a feria por dentro e a única coisa que
podia fazer era confortá-lo.
Um carro aproximava-se da ponte onde o grupo de amigos praticava bungee jump. Era
um Rolls-Royce, como os usados pela monarquia inglesa. O dono desses carros era um
apaixonado por modelos antigos e clássicos. Dentro desse carro, um homem observava a
paisagem, enquanto arrumava os cabelos grisalhos. Naturalmente a garotinha que vira crescer
e amava como se fosse sua filha estaria por ali.
Esse homem continuava pensando, enquanto aproximava-se de onde tinha certeza de onde
sua pequena margarida estaria. Por que continuava a chamá-la de pequena margarida? Ela já
havia completado quinze anos há algum tempo. Pouco importava, ela sempre seria a garotinha
que vinha correndo pelo jardim, atrapalhando o penteado e sujando os vestidinhos rodados,
chamando por ele. Era como um eco em sua mente, a voz daquela garotinha: "James-san,
conte-me uma história!".
Mas agora sua garotinha estava divertindo-se com amigos pulando de uma ponte. Não
conseguia entender essas manias esquisitas da juventude e esse tipo de esporte sempre o
deixava preocupado. Mas de que adiantava se preocupar? A mãe era do mesmo jeito...
Lembrava-se bem de sua falecida patroa. A garota aristocrática francesa que apaixonou-se
pelo herdeiro de uma fortuna japonês. Marguerite sempre parecera feliz durante todos os
anos em que vivera com o marido, mas quando a pequena margarida ainda era muito pequena
sua mãe deixara este mundo.
O carro parou no meio da ponte, junto do grupo de jovens. A garota de cabelos
salmão voltou seus olhos para o carro. O motorista abria a porta para o velho mordomo
inglês sair. A jovem só pôde sussurrar:
- James-san...
- {Venha, Miss Rika. O estado de seu pai agravou-se e você deve vir comigo}.
- Oui...
Duas lágrimas atingiram o chão enquanto a jovem Rika entrava no carro. Tinha
entendido tudo nas entrelinhas, seu pai estava nas últimas. Não podia acreditar, ele iria
morrer, ele iria deixá-la! Por mais que estivesse se acostumando com essa idéia enquanto o
estado de seu pai piorava a cada dia, não queria aceitá-la.
Nem percebeu que já estava chegando na enorme mansão de três andares no meio de uma
região que parecia saída de um conto de fadas. Nem esperou que o carro parasse totalmente
para sair e correu para dentro da casa, atravessando os corredores ricamente decorados e
subindo as lindas escadas o mais rápido que podia.
Após muita correria, chegou a um enorme quarto. No teto, afrescos que retratavam um
lindo jardim. No chão, o piso de madeira também era decorado. As grossas cortinas estavam
fechadas e apenas um pequeno facho de luz iluminava o quarto. Um homem jazia em uma cama
no meio desse quarto. Rika ajoelhou-se aos pés dessa cama:
- Papa...
- Minha querida Rika...
O pai de Rika colocou a mão no rosto da filha, enxugando as lágrimas que teimavam em
escorrer de seus olhos.
- É bom saber que você é a última pessoa que vejo, ma chére.
- Não diga isso, papa! Você não vai morrer!
- Pessoas doentes tem o direito de morrer, filhinha. Mas... você deve voltar ao
Japão. Gostaria de vê-la se formar na escola para aristocratas em que sua mãe estudou, mas
é seu destino voltar para nossa terra. Sabe que você herdará uma grande soma e um dia,
quando tiver maturidade, assumirá a presidência de nossas empresas, talvez na mesma época
em que poderá apossar-se da fortuna que sua mãe te deixou.
- Não me fale em dinheiro agora, otou-san!
O pai de Rika sorriu. Sabia que a filha só o chamava de otou-san quando estava
nervosa. Mas tinha que continuar falando:
- E tem mais. Você deve cuidar de sua irmã. Da filha que reneguei, mesmo sendo
legítima.
- Minha... irmã? Mas faz tanto tempo que não a vejo!
- Ela mora em Tóquio com a mãe, sabe disso. Ela tem doze anos e eu realmente
gostaria que cuidasse de sua irmã mais nova.
- Cuidarei...
- É a única coisa de que me arrependo, não ter cuidado muito dela. Gostaria de tê-la
aqui agora, mas é impossível... Haru-chan, será que será capaz de me perdoar algum dia?
- Papa...- as lágrimas impediram que Rika continuasse.
- Vou me encontrar com sua mãe agora, Rika. Saiba que te amo, filhinha.
O homem sobre a cama fechou os olhos serenamente. Rika só pôde gritar:
- Papa! Papa! Otou-san! Não me deixe, otou-san!
As lágrimas impediram que a garota dissesse mais alguma coisa. Seu pai havia partido,
não havia como mudar isso... Estava sozinha...
James entrou na sala e abraçou a jovem:
- {Você nunca estará sozinha, miss Rika}.
- {Temos... que voltar... ao Japão...}
- {Não pense nisso agora... Pode chorar quanto quiser, estarei aqui}.
Rika aninhou-se nos braços de James para continuar a chorar. As lágrimas lavavam a
dor da sua alma, dor essa que demoraria, mas por pior que fosse, cicatrizaria. Mas iria
realizar o que seu pai lhe pedira. Era um juramento que havia feito a si mesma.
***
Existem alguns lugares em que, por mais próximos da luz estejam, permanecem na
escuridão. Lugares onde não apenas a luz do Sol não toca, mas também as luzes do amor e da
justiça. Lugares distantes do Sol e cobertos pelo ódio e desejo de vingança. Lugares
assustadoramente sombrios...
Em um desses lugares, nuvens negras cobriam o céu, impedindo que a fraca luz solar
passasse. Um enorme castelo, feito com mármore branco que refletia a escuridão o céu. Um
castelo construído no Milênio de Prata, em tempos imemoriais. Mas não era um simples
castelo, era uma fortaleza. Milhares de seres habitavam a enorme construção.
Essa construção era dividida em várias torres que se uniam, sendo que cada uma delas
tinha sua função. Algumas serviam como moradia, em outra fazia-se o estoque dos alimentos,
outras já abrigavam centro de treinamentos. Porém, entre essas torres, havia uma que estava
em lugar de destaque, entre todas, e era a mais ricamente decorada: era ali a torre
principal, onde quem governava o castelo ficava.
Nessa torre principal, havia um enorme quarto. Nesse quarto, alguém dormia dentro de
uma proteção de cristal. Um sono parecido com a morte, não havia nenhum sinal de que a
pessoa ali deitada estava viva, apenas um leve calor que se sentia ao tocar sua pele. Mas
isso era proibido, essa pessoa tinha que dormir protegida pelo cristal até que o dia de seu
despertar chegasse...
Alguns andares abaixo, uma outra sala. Era enorme e, pelas paredes, muitos monitores
de computador, cada um deles mostrando uma coisa. Havia balcões com teclados e botões,
tornando essa sala um contraste com toda a construção medieval de que ela fazia parte.
Nessa sala, uma garota estava sentada em uma cadeira, confortavelmente, observando
um computador. Os olhos prateados arregalaram-se. Os lábios apenas disseram:
- Pelo visto nossos problemas começaram, Cuprum.
Um homem de grande porte apareceu na sala. Vestia uma farda negra, abotoada pelo
lado esquerdo com um botão prateado. Os cabelos eram curtos e tinham um tom verde. Esse
homem olhou para a tela e disse:
- O que você vê por esses dados, Sílica?
A garota colocou uma mecha do cabelo cor-de-rosa com reflexos azuis atrás da orelha
antes de responder:
- Segundo esse monitor, posso ver que o poder de Vênus foi despertado e o de Plutão
também se manifestou, tudo isso ontem... Isso significa que os Pirate Knights estão
despertando para essa existência!
- Isso é mau...
- Não tão mau assim, mas eles despertos irão nos trazer problemas, mais do que
trariam se permanecessem adormecidos.
- Pois bem.Vamos mandar um de nossos servos antes que eles acordem de vez, será mais
fácil. Precisamos de energia para despertar nossa mestra.
- Vejamos... A energia de ambos os planetas foi manifestada em um lugar chamado
Japão, não seria muito prudente mandamos algum servo para lá. Temos que escolher algum
lugar com muita gente e onde não teremos problemas. Hum... já sei! Esse aqui.
A garota vestida com uma malha preta e uma jaqueta preta bordada de prateado apontou
para um lugar no mapa que estava na tela. O seu acompanhante sorriu, dizendo:
- E que servo mandaremos?
- Um de alto treinamento, naturalmente. Titi... apresente-se!
Um dos servos materializou-se na sala de controle. Ele tinha a aparência humanóide
e passaria tranqüilamente por um humano, se não tivesse escamas, fosse verde e tivesse uma
grande cauda de lagarto. Além disso, tinha grandes presas e seus olhos eram como os olhos
dos répteis. Para completar, usava um maiô azul.
- Titi, vá até esse lugar e drene o máximo de energia humana que puder!- Cuprum
disse.
- Titi!- Foi a resposta.
***
Uma multidão movimentava-se pela cidade. Não era a cidade mais populosa do mundo,
mas havia muita gente andando. Cada uma seguia seu próprio ritmo, rumo a seu próprio
destino, andando pela cidade.
As ruas eram uma mistura de pessoas, carros e animais. Todos tentavam contrariar a
física, estando no mesmo lugar ao mesmo tempo. Mas de certa forma, era uma "desorganização
organizada". Apesar da rua cheia, as pessoas conseguiam se entender e seguir seu caminho.
Uma dessas pessoas era um jovem, não muito alto e com cabelos azul-claros
razoavelmente compridos, batendo pouco abaixo dos ombros, estava parado na frente de um
prédio, com uma máquina de fotos na mão. Estava maravilhado com tudo o que via e sentia,
sempre fora seu sonho estar ali, desde que se entendera por gente. Lembrava-se de todos os
anos, na época do Natal, do seu aniversário, ou de qualquer época que fosse ganhar um
presente, o pedido era apenas um: "quero visitar a Índia!".
Pois bem, estava realizando aquele que era seu sonho. Está certo que o país real era
diferente daquele que sempre vira nos filmes, nas lendas, nas histórias... Mas ainda sim
tinha uma certa aura mágica, que o fascinava. Não que fosse um hippie, ou um adepto do
misticismo, mas apenas um estudante. Um estudante de culturas, de povos, de civilizações,
de línguas.
Naquele momento deveria estar na universidade, não em um passeio em Nova Délhi. Mas
um passeio em Nova Délhi lhe soava muito melhor do que ficar em Nova York para todo o
sempre. Não que não gostasse da cidade onde nascera e crescera, mas gostava de provar
outros ares, ver outras culturas de perto. Além do que, iria dividir com todos os seus
colegas as fotos que estava tirando. Não que eles se importassem com o que ele fazia ou
deixava de fazer, mas mesmo assim. Jack Sarasvati estava definitivamente deliciando-se no
passeio pela terra de seus ancestrais, pela terra que sempre quis conhecer.
Mas não iria ficar na porta do hotel o dia inteiro, naturalmente. Continuaria
andando pelas ruas de Nova Délhi, registrando mentalmente todas as suas particularidades.
Estava na rua, do meio do caótico trânsito. Com alguma dificuldade, conseguia andar pela
confusão de pessoas, animais e carros, aproveitando para observar cuidadosamente o ambiente.
Pela rua, observava as pessoas e as construções. Uma dessas construções lhe chamou a
atenção: uma loja. Era uma pequena joalheria, mas que chamava sua atenção. Na pequena
vitrine estavam expostos três colares maravilhosos, que prendiam a atenção do jovem. Tinha
que entrar, nem que fosse para olhar as jóias, já que não teria dinheiro para comprar
nenhuma delas.
Os olhos azuis fitavam encantados os belos colares, de todos os formatos e jóias. Os
anéis também eram encantadores, ainda acabaria comprando um, mesmo que não tivesse dinheiro.
As jóias o fascinavam, resumindo.
- <Bom dia, meu jovem.>
Jack virou-se assustado para trás. Era um velho de aparência frágil, provavelmente o
responsável pela loja. Respondeu, ainda um pouco assustado por ter sido despertado dessa
maneira do seu estado de contemplação:
- <B-b-bom dia.>
- <Gosta das jóias, não é mesmo?>
- <Sim, elas são lindas.>
- <Pois bem, Jack Sarasvati...>
- <Como sabe meu nome?>- O espanto do jovem era óbvio.
- <Sei muito mais que seu nome, meu filho... Quero te dar um presente. Aparentemente,
não vale mais do que qualquer uma das peças expostas aqui, mas você logo descobrirá que,
para você, será um dos maiores tesouros do universo.>
O velho estendeu a mão. Na sua mão, estava um cordão de prata com um pequeno pingente
roxo no formato de losango, com o símbolo de Saturno em prata. Jack tomou-o, enrolando-o na
mão para olha-lo melhor:
- <Obrigado.>
- <Você verá que esse pingente será muito útil para você.>
Jack observava o cordão cuidadosamente. Sabia que aquele era o símbolo de Saturno,
mas sentia uma certa nostalgia ao olhar para aquele símbolo, que o remetia a um passado
longíquo...
Um lugar que podia ser definido como inóspito. Não havia atmosfera e o solo tinha uma cor marrom. No céu, podia-se ver um grande astro com uma faixa sobre si. No céu também, alguns astros próximos, as outras luas do planeta que convencionou-se chamar de Saturno. Uma garota, aparentando doze anos de idade, cabelos pretos acima dos ombros, olhos violeta, trajando um vestido leve, empunhando uma alabarda. Perto de si, um garoto pouco mais velho, de cabelos azuis presos em um rabo, com um traje de treinamento, olhando admirado para a irmã: - Meu querido Shiva, tem certeza que quer continuar isso? - Tenho toda a certeza do mundo, Devi. - Ainda dá tempo de desistir... Sabe que se um dos golpes for apenas um grauzinho mais forte essa lua será destruída e nós dois estaremos mortos, não sabe? - Mas tenho certeza de que dará certo, Sailor Saturn. - Tomara mesmo, futuro Saturn Pirate Knight. Os irmãos trocaram sorrisos. Devi, a Sailor Saturn, tomou sua arma, o Silence Glaive: - DEATH REBORN REVOLUTION! - SILENT DESTRUCTION! As fitas que destruiriam um planeta, tanto as amarelas do golpe de Sailor Saturn quanto as prateadas daquele que estava treinando para ser Saturn Pirate Knight anularam-se, como o previsto e esperado. Devi estava com seu mais maravilhoso sorriso: - Muito bem, maninho! Sabia que daria certo! - Se deu certo é graças a seu treinamento, maninha, e devo te agradecer por toda a atenção que dá para mim. - Eu te adoro, Shiva, sabe disso! E sei que será Saturn Pirate Knight, tudo dará certo, você passará no teste! Jack fechou os olhos com força e os abriu vagarosamente. Fazia tanto tempo que não via nada estranho, que nada estranho acontecia, que tinha desacostumado. Será que as visões desconcertantes estavam voltando, que todo o martírio iria recomeçar? Desde criança, de tempos em tempos, era acometido de visões de algo distante, de uma terra mágica que povoava seus sonhos, mas que não era a Índia. Nunca conseguira entender o porquê e as visões sempre o atormentaram. O jovem suspirou, como se fosse expelir suas visões juntamente com o ar que expelia com o suspiro. A teoria estava se confirmando: a cada determinado período de tempo, as visões retornavam. Eram apenas sonhos, não deveria se preocupar tanto. Apenas sonhos? Sonhos são acompanhados de uma sensação tão grande de nostalgia? Não eram simples sonhos, definitivamente. Jack saiu da loja e continuou seu passeio como se nada tivesse acontecido. Era melhor fingir que nada tinha acontecido, era mais cômodo mentir para si mesmo que nada tinha acontecido. Afinal de contas, estava no melhor passeio que já tivera, estava no lugar onde sempre sonhara estar, por que ficar se preocupando? O garoto misturou-se à massa humana, andando automaticamente, sendo levado pela multidão. Desviava sua atenção para as pessoas e construções, tentando esquecer da visão de alguns minutos atrás. Não queria mais pensar nela, queria bloqueá-la em sua mente. E não pensaria mais. A rua estava movimentada, afinal de contas, era mais um dia de trabalho. Porém, a agitação começou a ir um pouco além do que se esperaria de uma manhã. Aliás, muito além. Pessoas corriam desesperadas pela rua, deixando Jack atordoado, parado, tentando proteger-se. Por que as pessoas estavam correndo? A resposta virou a esquina nesse instante. Um monstro, em forma de lagarto, que agarrou uma das pessoas e depois largou o corpo inerte no chão. Num impulso, o jovem de cabelos azuis envolveu o pingente com a mão e teve o impulso de dizer uma frase: - PODER DE SATURNO, VENHA A MIM! No instante que essa frase foi dita, o corpo do jovem foi imerso em um círculo de uma luz roxa. Suas roupas desapareceram nessa luz. Algumas fitas o rodeavam e uma calça roxa apareceu, juntamente com uma blusa com listras horizontais roxas e brancas e um sobretudo bordado com muitas pedras roxas. Nos pés, sapatos como os usados na prática de artes marciais, também roxos. A luz dissipou-se e Saturn Pirate Knight fez-se visível. O jovem não estava entendendo mais nada, mas o mostro sim. Era hora de atacar: - Pirate Knight... titi... você deve ser eliminado! - Quê? Tá falando de mim? O monstro movimentou-se tão rápido que Saturn não pôde vê-lo. Apenas quando sentiu o rosto sangrar é que percebeu o caminho que o monstro tinha feito. Ele vinha de novo, rapidamente, Saturn com alguma dificuldade desviou. Desejou mais do que nunca ter uma arma para poder reagir aos ataques do monstro, já que suas mãos não seriam suficientes para eliminá-lo. Sentiu algo em suas mãos e viu que segurava uma lança, ou melhor dizendo, uma alabarda, com duas pontas, forma semelhante a uma meia-lua dobrada. Novamente Titi atacou, mas dessa vez Saturn, meio que instintivamente, parou-a com a lança. O monstro caiu a alguns metros e limpou um filete de sangue verde que saía de sua boca: - Não pense que será tão fácil me derrotar, Pirate Knight! Saturn tinha que lembrar de alguma coisa, e rápido. Não teria tempo de atacar o rápido monstro com a lança sem que ele fugisse. Precisava pará-lo, mas não tinha idéia de como. Desejava pará-lo, destruí-lo, para que não causasse mais mal, para que deixasse a cidade. As palavras vinham aos lábios de Saturn como sombra surge à medida que a luz vai diminuindo: - Silent... - Um instante de silêncio. Todo o mundo pareceu estar aprado, esperando que a frase fosse concluída. -... attack! Saturn apontou seu Silent Glaive para o monstro e dele algumas fitas negras como as sombras saíam, envolvendo Titi e reduzindo seu corpo a pó. Saturn apenas observava, espantado com todos os acontecimentos dos últimos minutos. Era o fim do monstro, afinal. A rua estava vazia, dados os últimos acontecimentos. Mais do que nunca, Saturn desejou voltar a ser o jovem Jack Sarasvati, um desejo que vinha do fundo de sua alma... Uma luz arroxeada envolveu seu corpo e o jovem percebeu que vestia suas roupas normais, apenas um arranhão no rosto que comprovava os fatos ocorridos momentos antes. "Se você sonhasse algo muito real e acordasse desse sonho, como distinguiria o sonho da realidade?". Essa frase ressoava pela mente de Jack. Alguns \n'; document.write(barra); } } changePage(); *** Muito longe de Nova Délhi, muito longe da Índia, muito longe da Terra, a missão de Titi era acompanhada com atenção em uma sala de alta tecnologia em uma torre de um castelo medieval. Uma garota que observava dados em um monitor só pôde ter uma reação após receber alguns dados: - Raios!- O punho de Sílica encontrou-se com força com uma mesa. - O que foi, Sílica?- Cuprum, seu companheiro de trabalho, não pôde deixar de perguntar. - Uma notícia ruim e uma péssima: Titi falhou em sua missão e o poder de Saturno despertou! Mas isso é azar demais, Saturn estava no lugar para onde enviamos Titi! - Penso que deveríamos mudar nossa estratégia um pouco. - O que sugere? - Eliminar os Pirate Knights antes que despertem para essa existência. - É uma boa! Acho que posso mudar a configuração do programa para "procura por poder latente". - Não devemos esperar que Pirate Knights acordem... É melhor destruirmos brotos desagradáveis antes que virem flores mais desagradáveis ainda. - Devemos agir rápido... Venus e Saturn já despertaram e além disso não estão com o máximo de seu poder desperto... - Fora que se o poder de Plutão já se manifestou, logo Pluto despertará. - Mas ainda há cinco que não deram sinal nenhum... Devemos destruir esses cinco! O computador começou a apitar. Uma luz verde-clara piscava em um dos monitores. Sílica disse: - O poder latente de Netuno foi encontrado! - Pois bem... Lewa, apresente-se! Um monstro com grandes asas de morcego, corpo semelhante ao humano mas com muitos pêlos de uma cor amarela, a cabeça sem pêlos, com pele da mesma cor amarelada, com grandes presas, apareceu na sala. - Destrua Neptune Pirate Knight!- Cuprum limitou-se a dizer. - Lewa!- Foi a resposta. A serva desapareceu da sala. Sílica disse: - Esse plano vai dar certo, tem que dar certo! E logo nossa mestra estará desperta. - Sim... Logo os Pirate Knights serão eliminados! Uma gargalhada sádica espalhou-se pelo castelo. Logo a Mestra estaria desperta... e os Pirate Knights mortos! |
|
^.^ Prólogo // Capítulo 01 // Capítulo 02 // Capítulo 03 // Capítulo 04 // Capítulo 05 // Capítulo 06 // Capítulo 07 Então? O que está achando? mis9_fics@hotmail.com |