Pirate Knights
CAPÍTULO 1- SONHOS, LEMBRANÇAS, PERIGOS E OUTRAS COISINHAS
	O Sistema Solar. O que é um sistema solar? Corpos atraídos pela força gravitacional
 de uma estrela? Sim. No aspecto físico é isso mesmo, pelo que diz a ciência. Mas será
 apenas isso? 
	No caso de um em especial, o daquela estrela que se costuma chamar de Sol, não. Ali
 erguia-se uma sociedade. Uma sociedade rica em cultura e poder. Os habitantes dos dez
 planetas que orbitavam o Sol viviam em uma utopia denominada Milênio de Prata. 
	Era como uma federação, unindo todos os planetas. Havia o governo de cada um deles e
 um governo geral, que comandava todo o sistema solar. Esse governo geral estava situado na
 Lua do planeta Terra, o terceiro contando-se a partir do Sol. Obviamente, havia um
 soberano. No caso, uma soberana. Serenity. A rainha do Reino da Lua e, consequentemente,
 de todo o Milênio.  Cada planeta também tinha sua própria família real e seu próprio
 governo, mas todos estavam subjugados a Serenity. A sábia e poderosa rainha Serenity. 
	A população do Milênio de Prata podia definir-se como feliz. Apesar da diferenciação
 entre os poucos nobres e os muitos plebeus, aparentemente não havia conflitos muito
 grandes e todos pareciam viver felizes e satisfeitos.  Havia muitos privilégios para os
 nobres, mas aparentemente os plebeus não se importavam muito com isso...
	E obviamente, havia um exército para defender o Milênio de Prata. Porém, esse
 exército era um pouco diferente. Era dividido em várias milícias, cada uma independente
 das outras e com sua função específica. Cada milícia era independente para fazer o que
 achasse correto e não tinha que prestar contas à soberana, a menos que fizessem algo
 realmente muito grave. 
	Essas milícias contavam com representantes de todos os planetas da federação e na
 maioria das vezes os planetas só tinham um representante por planeta. Para preencher essas
 vagas, os filhos dos nobres desses planetas eram chamados. Muitas vezes, as vagas nas
 milícias do Exército de Serenity eram soluções para problemas de sucessão nos tronos, o
 que acabou por evitar muitas guerras civis e prolongar a paz que acompanhava seu reinado,
 talvez o mais brilhante que o Milênio já vira. 
	Estava na época em que duas das principais milícias tinham que ser renovadas. Sailor
 Senshi e Pirate Knights. O primeiro grupo era composto apenas por mulheres, que eram de
 certa forma o braço direito de Serenity. Sempre era composto pelas princesas dos planetas
 da Federação e tinha por missão proteger a princesa e herdeira do trono também chamada
 Serenity, como a mãe, ajudar na proteção da Federação contra os invasores externos e
 também, cabia a uma Sailor Senshi, à representante de Plutão, uma das mais difíceis
 tarefas de todo o Milênio: guardar o Portal do Tempo, onde passado, presente e futuro
 misturavam-se como se fossem uma única correnteza.
	Já ao segundo grupo, também um dos mais fiéis à Serenity, cabia defender o Milênio de
 Prata dos invasores externos e fazer um certo "monitoramento de fronteiras". E,
 naturalmente, caso houvesse um grande conflito interno, não podiam ficar apenas olhando.
 Era um dos batalhões de frente no caso de guerra contra outro Sistema Solar, além disso.
	Claro, as duas milícias poderiam cooperar entre si, mas uma não deveria interferir
 no trabalho da outra. E isso valia também para todas as outras, naturalmente. Cada uma
 tinha sua própria função, suas próprias regras e seus próprios guerreiros, era
 independente da existência de outras, mesmo que porventura essas milícias viessem a se
 unir por uma causa em comum. Logo, as Sailor Senshi não interferiam no trabalho dos Pirate
 Knights e a recíproca valia. 
	Selene, capital do Milênio de Prata. O Palácio Real estava pronto para uma recepção.
 O grande salão de mármore branco, com grandes colunas de estilo grego que apoiavam os
 arcos que apoiavam o teto, com grandes janelas adornadas com cortinas do mais fino e alvo
 tecido, onde Serenity dava muitas de usas audiências e cerimônias de valor mais prático
 do que simbólico, como a que estava para ocorrer, aconteciam.
	No meio da sala, em uma espécie de "altar", colocado quatro degraus acima do piso da
 sala, estava o trono de Serenity. Era feito da mais nobre madeira do Milênio de Prata e
 era branco, com detalhes em prata. Diante da soberana, os convidados, logo abaixo dos
 quatro degraus.  Estavam sentados em confortáveis cadeiras e eram as famílias reais de
 oito dos planetas da Federação.  A Soberana começou as boas-vindas:
	- Sejam bem-vindos a esse palácio, meus jovens e meus caros amigos. Vocês sabem
 porque estão aqui hoje... É uma data deveras importante, pois o destino de vocês, meus
 caros jovens, será decidido agora, destino esse traçado e cumprido desde o instante em
 que nasceram. Não posso precisar o destino de vocês, mas posso encaminha-los para que
 cumpram a missão a que estão destinados... Cabe a vocês proteger o Milênio de Prata,
 ajudarei a encaminharem-se para o lugar onde serão mais úteis, à Ordem onde serão mais
 úteis. 
	As crianças que estavam espalhadas pelas cadeiras trocavam olhares. A ansiedade em
 saberem qual seria seu destino, se seriam uma Sailor Senshi ou um Pirate Knight, se
 estariam nesta ou naquela ordem, com esta ou aquela pessoa, era visível. A cada centena de
 anos em que esse processo acontecia era a mesma coisa, pensou Serenity. Mas era uma
 saudável ansiedade de jovens querendo conhecer os desígnios de seu destino.
	- Como devem saber, a alcunha de Sailor Senshi só é dada a mulheres. Portanto, meus
 caros príncipes e princesas de Mercúrio, Marte, Júpiter e Saturno, o destino de vocês já
 é claro e sei que já o conheciam. 
	Os casais de irmãos representantes desses planetas entreolhavam-se. Logo, abraços
 eram trocados, num desejo silencioso por sorte e sucesso como representante do Exército
 de Serenity, não importando a Ordem. A soberana não pôde deixar de sorrir ao ver a
 animação dos jovens e a expectativa que se estampava nas faces das princesas que esperavam
 que seu destino como guerreiras de Serenity fosse revelado. Um jovem de cabelos loiros e
 olhos azuis, vestido com um casaco de gola alta branco com detalhes prateados, calça da
 mesma cor do casaco e sapatos da mesma cor da calça disse:
	- Majestade, Luna já foi chamar Moira.
	- Sim, Artemis, como o previsto.
	Após essas palavras serem proferidas, por uma porta lateral uma bela jovem de longos
 cabelos negros cacheados, olhos de um azul profundo e vestindo um vestido amarelo guiava
 uma anciã, vestida com uma túnica negra e carregando um cetro em forma de chave para junto
 dos convidados. 
	Setsuna e Cassandra apertaram as mãos do avô. Era Moira, a famosa Moira, a Sailor
 Pluto! O sonho das duas garotas era estar no lugar dela, ser Sailor Pluto, cuidar do
 Portal do Tempo. Apenas uma delas teria essa missão e as irmãs estavam ansiosas por saber
 a qual delas a missão cabia. Mas estariam satisfeitas com o que quer que o destino havia
 reservado a elas.
	- Princesas de Plutão, gostaria de pedir para que se aproximem- disse Serenity.
	As duas garotas aproximaram-se do trono da soberana. Estavam de mãos dadas,
 apoiando-se uma na outra para saber de seu destino. Todas as outras crianças observavam
 atentas ao destino das duas meninas que seria revelado:
	- Como todos devem saber aqui, Sailor Pluto é a guardiã do Tempo... Por ela tudo
 passa, a linha temporal está nas mãos dela, o Passado, o Presente e o Futuro são a sua
 jurisdição. E, ao contrário das outras Sailors, só é substituída de muitas em muitas
 gerações. A escolhida vai viver no limbo, de onde apenas sairá em alguma situação extrema.
	Após as palavras de Serenity, Moira bateu com a chave no chão, pedindo atenção:
	- Estou no fim do meu ciclo, mas terei tempo suficiente para treinar minha
 substituta. A vida de Sailor Pluto não é fácil, mas é uma das mais nobres missões do
 Milênio de Prata. 
	Setsuna e Cassandra apertaram mais as mãos. Seria a qualquer momento. Estavam prontas
 para ouvir as palavras que selariam o destino das duas irmãs:
	- Garotas, o destino de ambas já está traçado e saibam que ele será glorioso.
 Cassandra, representante de Pluto Pirate Knights e Setsuna, Sailor Pluto. 
	A surpresa estava presente nos olhos das duas irmãs. Após alguns segundos para
 absorverem as notícias, abraçaram-se, em prantos. Setsuna disse:
	- Cuide-se, irmãzinha!
	- Vou me cuidar... Fique bem no portal do Tempo, tá bom? Um dia iremos nos
 reencontrar, irmã...
	- Venha, Setsuna, seu treinamento começa imediatamente- disse Moira, puxando a garota
 de cabelos verdes pela mão.
	As seis meninas que ainda esperavam seu destino voltaram os olhos para a jovem Sailor
 Pluto, que saía da sala. Agora sim a simbólica cerimônia de nomeação dos futuros
 guerreiros chegava a seu ponto alto... Quem seriam as escolhidas para serem Sailor Senshi?
 Quem  seriam as escolhidas para serem Pirate Knights? Só Serenity sabia...
	Alheio a tudo isso, Thor, o príncipe de Júpiter, escolhido para ser Jupiter Pirate
 Knight, olhava para todos que o acompanhavam na sala. Havia uma garota que havia tomado
 sua mente e seu coração. Nada mais importava na cerimônia, além da princesa de Plutão que
 fora indicada para ser Pluto Pirate Knight... 
					***
	- ACOOOOOOOOOOOOORDA, DESGRAÇADO!
	Algum lugar de Tóquio, uma cidade de um país chamado Japão, localizado em um planeta
 denominado Terra. Uma manhã. Essa manhã não tinha nada em especial, era apenas uma das
 muitas por qual a pessoa que estava sendo acordada aos berros passaria em sua vida. Pouco
 importava que o sol estivesse brilhando ou que não houvesse nuvens no céu, era apenas mais
 uma manhã.
	Um par de olhos castanho-escuros estava aberto. O dono desses olhos era um jovem,
 que passou a mão direita vagarosamente sobre os cabelos do mesmo tom de seus olhos. Ser
 acordado aos berros definitivamente não era a melhor maneira de começar o dia. Antes mesmo
 de levantar-se, comentou sarcasticamente para aquele que o acordara.
	- Nossa, qualquer dia eu morrerei do coração e nem saberei o motivo.
	- Nesse dia arranjarei um cachorro, será mais útil do que você.
	- Como te amo, Cérebro. Você nem imagina. 
	- Sei que me ama tanto quanto ama os ratos desse beco.
	- Disse tudo.
	A briga matutina estava se tornando uma rotina entre os dois jovens. Aquele que
 estava deitado levantou-se e do alto de seus 1,85 metros de altura continuou a fitar seu
 companheiro, quinze centímetros a menos e capacidade de persuasão muito maior. Seu
 codinome, Cérebro, devia um pouco a isso. Era sempre o cabeça, sempre fazia os planos e
 conseguia induzir qualquer um a colaborar, por mais absurdos que fossem esses planos. 	 
	- Vamos tentar um assalto onde, hoje?
	- Não sei. De um beco fedorento de Tóquio, dois mendigos preparam um plano para
 que na noite seguinte dominem o mundo. O Storm e o Cérebro, o Cérebro e o Storm...
 Tarararã-rã!
	- Parece que tirou isso de um desenho animado.
	- Eu inventei, tá bom? Não confia na minha criatividade? Mas tem uma coisa me
 perturbando...
	- O que foi?
	- Tive um sonho hoje...
	- Oh, que coisinha mais meiga...
	- Não precisa ser sarcástico.
	- Continua a ser meigo.
	- Não foi só um sonho, havia algo mais por trás. Era como se fosse a sombra de alguma
 coisa importante. Mas deixa para lá, você não entenderia mesmo. Vamos procurar nossa
 vítima de hoje.
	A dupla de ladrões saiu do beco escuro e malcheiroso que lhes servia de lar e
 misturou-se à massa humana que se deslocava para mais um dia de trabalho. Tóquio, por ser
 uma cidade enorme, dava uma infinidade de possibilidades de locais e pessoas que
 mereceriam uma “visitinha”. 
	Logicamente a vítima teria que ser escolhida a dedo, já que a prisão não era indicada
 para os dois jovens, de jeito nenhum, ao menos que quisessem voltar para o passado da qual
 haviam fugido... Storm sempre pensava nisso, não tinha como se esquecer de todas as
 privações que sofrera. Da sua vida de garoto pobre e sem futuro, de que quis fugir,
 juntamente com Cérebro. Mergulharam de cabeça em uma aventura que dera errado e que não
 tinha volta. Afinal de contas, que escolha há para jovens que conseguiram entrar como
 clandestinos em um navio no Brasil e chegaram vivos e sem nenhum dinheiro, apenas vontade
 de mudar de vida, no Japão?  
	A queda no mundo do crime fora uma saída fácil. Claro, eram ladrões de galinha no
 Japão agora... Mas seria muito diferente se estivessem no Brasil? Certamente não. Storm
 brincava com a pequena argola dourada que pendia de sua orelha esquerda enquanto pensava
 nisso. Nunca fora seu sonho acabar como ladrão, mas agora já não era seu sonho que
 importava, mas a sua sobrevivência. 
	Também não era muito agradável viver com seu agressivo “companheiro de quarto”,
 Cérebro. Mas tinha que sobreviver e seria melhor se estivesse em dupla. Além do que, a
 máscara de agressividade era necessária se queriam sobreviver naquele submundo. Até mesmo
 ele próprio a usava!  
	- Storm, dá uma olhada nisso- Cérebro ceifou os pensamentos do colega.
	- Uma joalheira... Vamos roubar jóias hoje?
	- Isso... OSA-P, prepare-se, porque Cérebro e Storm vêm aí!
	Cérebro não pôde segurar a risada demoníaca. Enquanto isso, Storm observava as
 crianças na sua caminhada diária para a escola. Não pôde deixar de notar uma garotinha que
 corria como um foguete, loira, cabelos presos em forma de “odangos”, vestindo um uniforme
 de colegial. O choque era visível em sua face:
	- Que foi, Storm?
	- Está vendo aquela garotinha? Ela... ela estava em meu sonho!
	- Pare de falar em sonhos, que coisa idiota.
	- Mas não foi um sonho comum... Parecia o reflexo de alguma coisa que eu já vivi, a
 sensação de déjà vu é forte demais...
	- Que é isso, Storm? Falando difícil agora? Já não basta ter aprendido japonês agora
 você vai querer falar grego também?
	- Não, Cérebro, é francês... Significa que você vê uma coisa mas parece que você já
 viu essa coisa antes, entende?
	- Entendo é que você está querendo me esnobar.
	Storm balançou a cabeça. Não adiantaria explicar, Cérebro não o entenderia mesmo. O
 codinome só queria dizer que ele era o cabeça de qualquer plano, não que tivesse alguma
 perspicácia, definitivamente. 
	A hora do assalto estava chegando. A OSA-P seria a primeira vítima grandiosa da dupla
 e a ansiedade e vontade que tudo desse certo os invadia. Era bom prepararem-se. Colocaram
 máscaras do Nacional Kid, para impedirem uma identificação imediata (não que existissem
 muitos ladrõezinhos de 1,85 no submundo de Tóquio, mas tudo bem...) das vítimas e pegaram
 as armas de brinquedo. Estava na hora, era entrarem e fazerem a festa!
	- Isso é um assalto, pode ir passando a grana e as jóias a menos que queira ser toda
 furada de balas!- Cérebro disse.
	A atendente não teve outra reação senão gritar. A dupla enchia as sacolas de material
 roubado e quando saíam da loja, puderam ver que a polícia se aproximava. Claro, a
 atendente havia chamado os policiais!  Mas não era hora de ficar divagando sobre sistemas
 de segurança modernos, mas de fugir!
	Os policiais os perseguiam pelas ruas pacatas de Juubangai. A dupla corria como
 nunca, tinha que escapar. Os policiais começaram a atirar, mas a dupla conseguia desviar
 dos tiros.
	Alguma coisa estava incomodando... Storm sentia-se pesado, tinha que ficar mais leve
 para correr mais. Mas... como? Ah, sim, claro, o peso estava concentrado em suas mãos!
 Soltar as sacolas de jóias e dinheiro foi uma atitude natural, para que corresse mais e
 mais rápido.
	Uma pessoa perspicaz não pararia para pegar as sacolas deixadas pelo companheiro no
 meio do caminho, mas como dito anteriormente, Cérebro não era nem um pouco perspicaz. E
 ele parou para pegar as sacolas. Nesse meio tempo, a polícia o alcançou e o sonho de ser
 alguém em algum lugar do mundo longe de casa estava definitivamente acabado.
	Para Storm, só restava a opção de correr. E ele corria, como nunca tinha corrido em
 toda a sua vida e como não imaginava-se capaz de correr. Tinha que pensar rápido, antes
 que os policiais o alcançassem. Virando a esquina, viu uma árvore. Escalou-a em um pulo e
 continuou a correr pelos telhados das casas do bairro.
	Tinha que achar um lugar para se esconder, rápido... Ao olhar para frente, viu uma
 construção alguns metros a frente. Pronto, ali acharia um esconderijo! Ou pelo menos
 despistaria a polícia um pouco. Tinha que correr rápido até lá, como se sua vida
 dependesse disso. Bom... na verdade dependia.
						***
	Juubangai. Um pacífico bairro de Tóquio. O máximo de anormalidade que acontecia ali
 era um ou outro assalto que quebrava a paz cotidiana. Mas de resto, era um bairro
 tranquilo. Suas construções iam de grandes prédios comerciais a casas residenciais
 bastante confortáveis. Havia também muitas praças e parques, o que garantia alguma
 diversão a seus habitantes. Como não poderia ser diferente, havia também algumas escolas
 e bibliotecas, além de alguns templos de diversas religiões. Definitivamente um bairro
 adorável.
	Em uma das casas, uma garota dava seu já comum berro matutino, ao olhar para o
 despertador que desligara meia hora antes prometendo dormir "só mais cinco minutinhos":
	- TÔ ATRASADA!!!
	A garota levantou-se e foi correndo para o banheiro. Após sua higiene matinal, voltou
 correndo para o quarto. Atirou a camisola branca estampada com estrelinhas na cama,
 enquanto colocava o uniforme escolar. Já estava ficando especialista em arrumar-se em
 menos de um minuto. Enquanto corria pelo quarto pegando o material escolar, penteava os
 longos cabelos castanho-claros. Enquanto punha o material que levara para casa na bolsa,
 colocava no cabelo um par de prendedores em forma de estrelas. 
	A garota corria pelos corredores da casa, descendo as escadas correndo e engolindo o
 café da manhã, enquanto dava bom dia para seus pais, que reclamavam que suas três filhas
 deveriam ser pontuais, não apenas duas delas. Enquanto fazia que sim com a cabeça, a
 garota saía correndo pela porta:
	- Ishie-chan! Esqueceu sua bolsa e de se calçar!
	A garota ganhou uma coleção de gotas de suor na testa antes de voltar para casa
 correndo para se calçar e pegar seu material. As pessoas se afastavam para não serem
 atropelados pelo vendaval humano que corria até a escola. Porém esse vendaval observava
 alguns garotos amarrando latas no rabo de um gato:
	- Parem com isso agora! Olhem o tamanho do gato e o tamanho de vocês! Não o
 maltratem! Vão embora daqui AGORA!
	Os garotos saíram correndo. A jovem atrasada olhou para o gato que estava a seus pés,
 um belo gato amarelo, mas com muitos machucados. Havia também um esparadrapo grudado em
 sua testa.
	- Que maldade fizeram com você, gatinho! Deixe-me tirar o esparadrapo e... que legal!
 Você tem uma marca em forma de lua crescente na testa!  
	A nem um pouco escandalosa sirene da escola fazia-se ouvir por todo o bairro. A
 garota levantou-se e saiu correndo, lembrando-se de que estava atrasada. Porém, a sorte
 estava a seu favor naquele dia. Quando entrou em sua classe, a professora estava começando
 a fazer a chamada:
	- Aino Ish...
	- Pre...- a garota pisou dentro de um balde, saiu mancando, bateu no armário,
 pisou numa vassoura e levou uma vassourada na cabeça, rodou um pouco e caiu no chão
 -...sente.
	- Não precisa fazer tanto estardalhaço!
	- Desculpe-me. Prometo que não vai se repetir.
	A aula transcorria normalmente, sem muito estardalhaço. A hora ao mesmo tempo mais e
 menos esperada de alunos que fizeram uma prova havia chegado: a entrega das notas. A
 professora calmamente andava pela classe com uma pilha de papéis na mão. A primeira aluna
 da chamada naturalmente receberia sua prova primeiro:
	- Aino Ishtar.
	A garota de estatura diminuta e com estrelinhas no cabelo foi pegar sua prova. A
 expressão de susto foi inevitável:
	- NANI? Três, só isso? Sensei, o que eu fiz para merecer tirar só isso nessa prova,
 hein?
	- Se você fizer uma análise de consciência vai saber o motivo, Aino-san. Talvez se
 você prestar mais atenção na aula, estudar mais e fazer suas lições de casa regularmente
 sua nota aumente.
	Ishtar estava com uma expressão inconformada. Como tinha tirado só três na prova?
 Tinha estudado... quer dizer, quando não estava brigando com a irmã mais velha ou enchendo
 a irmã mais nova. Isso quando não ficava jogada no sofá comendo pipoca e vendo TV,
 cuidando da sua coleção de pôsteres daquelas bandas de meninos bonitinhos que sua irmã
 mais velha definia como "boybands, bandas formadas por cinco meninos simpatiquinhos sem
 nenhum talento criadas apenas para sugar seu dinheiro" ou torrando fichas no fliperama da
 esquina. É claro que essas atividades eram muito mais divertidas do que estudar para uma
 mísera provazinha de inglês... E também é claro que o tempo de estudos da displicente
 aluna do segundo ano do ginásio não tinha sido superior a dois minutos.
	Enquanto voltava para sua carteira, cabisbaixa, uma garota um pouco menor que Ishtar,
 sardenta, meio gordinha e com cabelos muito vermelhos curtos a observava:
	- Calma, Ishie-chan, não precisa ficar assim! Foi só uma prova, o mundo não está
 perdido por causa de uma nota vermelha!
	- Sei disso, Tomoyo-chan, mas inglês é uma matéria tããããããããão difícil... E se esse
 fosse o único vermelho estava ótimo, minhas notas de inglês estão lá embaixo!
	- Não precisa ficar triste, se você tem dificuldades eu posso te ajudar a aprender
 inglês. Você quer minha ajuda?
	- Claro, Tomoyo-chan, muito obrigada!
	Tomoyo abriu um lindo e animador sorriso, retribuído pela sua melhor amiga Ishtar. 
	- Não me agradeça. Se sou sua amiga tenho a obrigação de te ajudar. Sei que faria o
 mesmo por mim!
	As aulas transcorreram normalmente naquele dia, até que a segunda hora preferida dos
 alunos em uma escola (a primeira é a hora do intervalo, é claro :P) chegou: a hora da
 saída. Ishtar e Tomoyo atravessaram os portões da escola conversando animadamente. A já
 conformada com usa sorte Ishtar olhava novamente para a prova onde havia um enorme três
 estampado:
	- Você quer saber o que eu vou fazer com essa prova, Tomoyo?- Ishtar fez uma bolinha
 com a prova e a atirou para trás.- Adio, maledeta!
	- Ei...
	As duas garotas se viraram para trás. Um rapaz mais velho, rosto e corpo muito
 bonitos, mas com uma expressão de "eu sou melhor que você" que afastaria qualquer um
 estava com o que um dia fora uma prova e atualmente era uma bolinha de papel na mão.
	- Quem você pensa que é para ficar jogando bolinhas de papel na cabeça das pessoas da
 rua, hein, pivetinha?
	- Vá cuidar da sua vida!
	- Vejamos... Aino Ishtar, segundo ano ginasial, três em dez... 
	- ENXERIDO!- Ishtar berrou enquanto arrancava o papel da mão do desconhecido.
	 - Pivetinha... você deveria tirar a cabeça da Lua e coloca-la nos livros! 
	- Deixe esse idiota para lá, Ishie-chan, e vamos para casa!- Tomoyo disse enquanto
 puxava a amiga pelo braço.
	- Vamos, Tomoyo-chan... Não vou ficar aquí perdendo tempo com idiotas como ele.
	O Sol fez seu percurso diário no céu. Ainda no crepúsculo, a primeira estrela da
 noite desponta no céu. Estrela é uma maneira de dizer, já que é um planeta. Vênus. O
 terceiro corpo celeste em brilho, só perdendo para o Sol e para Lua. Das "estrelas", a
 mais brilhante. Quantos nomes não existem para denominar o mais brilhante dos planetas
 vistos da Terra? Para aquela que é estrela da noite e estrela da manhã? Além dos, é claro,
 inúmeros mitos que envolvem o planeta Vênus, a Estrela da Noite, a Estrela da Manhã. 
	Porém, Vênus não brilhava no céu, já que era tarde da noite.  Ishtar estava deitada
 em sua cama, se preparando para dormir. Uma leve brisa noturna entrava pela janela aberta
 do quarto, refrescando o ambiente. Mas algo além da brisa noturna invadira o quarto e esse
 algo estava sobre a cama da jovem colegial:
	- AHHHHHHHHHHHHHHH! TEM UM BICHO NO MEU QUARTO, NA MINHA CAMA! SOCORRO!
	- Psiu... Não precisa berrar tanto. Quer acordar a todos da casa?
	- O GATO TÁ FALANDO! SOCORRO! 
	- Calma. Eu sou uma gata e meu nome é Íris.
	- O QUE VOCÊ QUER DE MIM? VOCÊ É UMA GATA ALIENÍGENA QUE QUER TOMAR A MINHA MENTE
 PARA DOMINAR O PLANETA?- Ishtar berrava com uma entonação de choro, enquanto pulava da
 cama e ficava encostada no guarda-roupa.
	- Não é nada disso. Eu sou a gata que você ajudou hoje de manhã.
	- Ah é, é?
	- Não precisa ter medo de mim, eu sou inofensiva. O máximo que posso fazer são alguns
 arranhões, mais nada.
	- Você jura?
	- Juro- uma gota de suor escorria pela testa da gata.
	- Então está bem! Muito prazer, Aino Ishtar! Tenho 14 anos e estou no segundo ano do
 ginasial! Meu tipo sanguíneo é O e meu signo é touro! Minha matéria preferida é Educação
 Física e a que menos gosto é Inglês!
	Uma versão em SD de Ishtar com o dedo indicador direito erguido se apresentava para
 uma gata com inúmeras gotas de suor pela testa.
	- Mas não vim aqui apenas para que você se apresentasse. Tenho que despertar seu
 verdadeiro ser para essa existência.	 
	- QUÊ?
	- Sua verdadeira essência, a essência de guerreira selenita que está dentro de você.
	Ishtar estava com uma expressão de quem não estava entendendo nada. Íris, enquanto
 divagava, olhava para a enorme Lua que estava no céu. A jovem colegial disse:
	- Dá para você explicar direito?
	- Desculpe, acho que estou indo rápido demais! É melhor fazer de outro jeito para as
 coisas ficarem mais fáceis. Ishtar, aproxime-se de mim.
	A garota aproximou-se da gata, que estava perto da janela. A marca no formato de uma
 crescente na testa de Íris brilhava. Do meio da luz que emanava, surgiu um pequeno
 pingente laranja no formato de um losango, com o símbolo de Vênus estampado em prateado.
 Ishtar sentiu o impulso de pegar o pingente e a pequena corrente de prata que o
 acompanhava. O símbolo de Vênus começou a brilhar em sua testa quando tocou o pingente.
 Íris disse:
	- Você é uma guerreira do Milênio de Prata, renascida nesse tempo presente. Você é
 Venus Pirate Knight, representante do planeta Vênus, obviamente. 
	- Isso é um sonho?
	- Não... É a sua realidade. Agora diga "poder de Vênus, venha a mim".
	Ishtar, convencida de que tudo se tratava de um sonho, pronunciou a frase, mas nada
 aconteceu. Íris retomou a palavra:
	- Você tem que acreditar que é possível, tem que acreditar que essas palavras poderão
 despertar o poder que está latente em seu corpo! Se você não acreditar que é possível, se
 não acreditar que é uma guerreira, essas serão apenas palavras lançadas ao vento.
	Ishtar olhou novamente para o pingente em sua mão. Isso só podia ser um sonho... E
 como em sonhos tudo é possível, por que não acreditaria que era uma guerreira? Afinal de
 contas tudo isso estava acontecendo em sua mente, somente em sua mente. Logo o despertador
 tocaria e voltaria a ser a colegial bobinha de sempre. Por que não acreditar que podia ser
 uma guerreira, nem que fosse por apenas uma noite, por apenas um sonho?
	- Poder de Vênus, VENHA A MIM!
	Uma luz alaranjada começou a sair do pingente e tomou todo o quarto. As roupas de
 Ishtar sumiram. Algumas estrelinhas giravam pelo seu corpo. Logo, uma calça justa, como
 as usadas para a prática de ginástica, por exemplo, indo até pouco abaixo do joelho e
 laranja apareceu. Também um top laranja, do mesmo tom da calça, apareceu. Sobre esse, um
 casaco indo até a metade das coxas, de um tom laranja muito brilhante, com gola alta,
 muitos bordados também em laranja e enormes botões também laranjas. Nos pés, um par de
 meias brancas e sapatos laranja, com um pequeno salto e babados da mesma cor, além de
 fivelas douradas sobre a parte do pé que se encontra com a canela. Além de tudo isso, um
 par de brincos em forma de estrelas. A luz alaranjada dissipou-se e as estrelinhas
 espalharam-se pelo quarto antes de apagarem. Venus Pirate Knight fazia uma pose de
 apresentação.
	- Que legal, que roupa legal! Mas por que tenho que coloca-la?
	- Porque é seu uniforme, ué! Que pergunta...- Íris estava com gotas de suor na testa.
	Venus Pirate Knight estava se olhando no espelho do quarto, visivelmente adorando o
 uniforme que usava. Mas tinha uma pergunta:
	- E eu vou lutar com o quê?
	- Bom... concentre-se, desejando uma arma.
	Venus concentrou-se. Um pouco de luz alaranjada foi emanada de seu corpo e um chicote
 apareceu em sua mão. Ao abrir os olhos, Venus não pôde deixar de comentar:
	- Legal!
	- É o Venus Whip, sua arma. Mas é claro, você não precisa usa-la sempre, use só
 quando achar necessário. Além disso, os Pirate Knights costumavam usar muito mais os
 poderes elementais do que apenas ataques físicos. E só para constar seu elemento é a Luz.
	- Legal! Mas como usarei poderes elementais?
	- Você tem que invocá-los pronunciando seu nome.
	- E quais são os nomes?
	- Não lembro...- Gotas de suor proliferaram-se pelas testas de ambas.- Mas mesmo se
 eu lembrasse não adiantaria. Você tem que conhecer alguma coisa para poder invocá-la. Se
 fizer uma invocação sem saber nem do que se trata não vai adiantar nada!
	- Então agora eu vou usar essas habilidades para combater o crime?
	- Na verdade eu não tinha pensado nisso...
	Gotas inundaram a testa de Venus. Íris continuou:
	- Sua missão é outra. Em primeiro lugar temos que encontrar os outros Pirate Knights,
 porque alguma coisa está para acontecer. O que, eu não sei exatamente. Mas por enquanto,
 nada te impede de lutar contra o crime.
	- Última pergunta. Como eu faço para me destransformar?
	- Deseje voltar a sua forma original que a transformação reverte.
	Venus fechou os olhos, querendo voltar a ser a colegial bobinha Aino Ishtar. Ao
 abrir os olhos, já estava novamente com a camisola. Íris continuou falando:
	- Sei que a sua mente deve estar uma bagunça, mas com o tempo você se acostuma com a
 idéia!
	Na mente da jovem colegial, duas idéias. Esse encontro com uma gata falante era um
 sonho, só podia ser um sonho. Ou então estava enlouquecendo. Resolveu contentar-se com a
 primeira idéia, mas a segunda também não deixava de ter seus encantos...
					***
	Só o tempo conserta, só o tempo resolve, só o tempo cura. Duas semanas haviam
 se passado desde o acidente que destruíra o Laboratório Tomoe. As investigações sobre as
 causas do acidente ainda não tinham revelado nada e os escombros ainda tomavam o centro de
 Tóquio, no lugar onde se erguera o belo prédio. 
	Situações difíceis acontecem e devemos aprender a lidar com elas. Não podemos nos
 entregar a depressão ou ao conformismo, temos que encará-las de frente para podermos
 superá-las com êxito. Ser refém de uma situação difícil não adianta nada para muda-la,
 mas ter forças para encara-la é uma atitude louvável.
	Cassie estava em casa. Estava se acost




umando com a idéia de que o lugar onde trabalhara fora destruído, estava em uma espécie de "férias forçadas" até, quem sabe um dia, ser contratada por outro laboratório. Poderia tentar a sorte também na Universidade de Tóquio, naturalmente, mas era melhor esperar mais um pouco, apesar de gostar muito de estar no laboratório, fazendo seus experimentos. Tinha que correr atrás de uma oportunidade, mas por enquanto era melhor dar tempo ao tempo. Estava em casa, lendo sua revista de mangás shonen preferida. Era terrível sentir-se uma inútil total, mas por enquanto não havia outro jeito... Era melhor sentar e aproveitar as férias e o sossego... que foi quebrado pelo barulho do telefone: - Moshi moshi? - Cassie-chan? Sou eu, Tomoe Souichi. - Tomoe-sensei? Está tudo bem com o senhor, com Hotaru-chan, com... - Calma, tudo a seu tempo. Gostaria de pedir uma coisa a você. Sabe muito bem que estou construindo uma escola, uma escola para superdotados. Pois então... Venha até a Mugen Gakuen. Nenhuma palavra mais foi dita, o telefone foi desligado antes que Cassie pedisse maiores explicações. Não deixava de ser estranho... O choque da destruição do laboratório se já era grande para ela deveria ser maior ainda para Tomoe-sensei! Tinha alguma coisa estranha, algo que não cheirava bem. Além do que, o que ele queria que ela fizesse nas obras daquilo que seria uma escola? Tinha que tirar essa história a limpo. Era fato que havia alguma coisa errada, tinha que saber o que. Levantou-se do sofá e foi trocar de roupa. Algo não batia, algo soava como um alarme. Mas ela tinha que ir, era como se seu destino a chamasse para lá. Destino? Esses pensamentos de novo? Não. Estava só instintivamente preocupada e curiosa, por isso estava indo. É... esse pensamento soava melhor. Saindo de casa, sentiu tontura. Apoiou-se na parede e fechou os olhos, para que passasse logo. De olhos fechados, podia ver. Estava caída, um raio vindo em sua direção. Seria vítima fácil de alguma coisa, em algum tempo... A garota loira adoravelmente vestida com um conjunto de saia verde-escura e blusa branca com algumas aplicações em renda na gola e nas mangas estava indo de táxi para seu destino. Tinha que descobrir o que havia de errado em tudo aquilo... Ao chegar nas obras, sentiu um calafrio. Estava andando por uma sala recém construída, as luzes se acendiam à medida que ela ia andando. Sem dúvida era algo apavorante demais para ser descrito com pensamentos, Mas tinha que descobrir o que era, o que a tinha feito ir ali. As luzes apontavam para uma escada. Tinha que descer. No andar inferior, mais luzes. Elas seguiam pelo corredor, apontando o caminho. As pernas bambeavam, o corpo gelava. Porém, se quisesse descobrir o que estava acontecendo, tinha que ir em frente. O corredor de velas acesas a fez seguir até uma porta. As mãos tremiam tanto que quase não conseguiu abrir a porta. O ambiente dentro da porta era ainda mais lúgubre. Não que uma grande máquina que estava processando alguma coisa que não conseguia ver e enchia a sala com seu barulho e um trono vazio, iluminados pela morbidez da luz de poucas velas espalhadas pela sala fossem lúgubres por si só, mas estar ali não a fazia se sentir bem. Continuou seguindo pelo corredor. Uma porta estava aberta. Após a jovem cientista atravessá-la, a porta se fechou. A reação natural foi olhar apara trás e assustar-se com o que havia acontecido. Alguém que estava em sua frente disse, antes que tivesse qualquer outra reação: - Seja bem-vinda, Cassie-chan. A jovem virou-se para de onde a voz vinha. Era Tomoe, mas ele estava estranho... Os cabelos grisalhos estavam espetados, os óculos brilhavam de uma maneira anormal, havia um sorriso macabro em seu rosto. Um grito não pôde ser contido pela jovem. - Essa é a nossa base. Somos os Death Busters e temos por missão encontrar os Talismãs, que se encontram escondidos nos corações puros das pessoas, para que o Seihai seja formado e a Enviada consiga trazer o grande Mestre Pharaoh 90 para esse mundo e inauguremos a era do Silêncio! Bingo! Então era isso. A segunda parte da visão que tivera do laboratório sendo destruído, a que dizia respeito ao tal "Silêncio", estava diretamente relacionada aos tais Death Busters! E era óbvio que "Silêncio" não era uma coisa boa... - E queremos que una-se a nós- uma voz feminina conhecida da jovem fez-se ouvir. - Kaolinite-san, venha dar as boas vindas a nossa convidada. A mulher saiu das sombras. Cassie colocou a mão sobre os lábios, assustada. Era Kaori, a secretária de Tomoe! Naturalmente ela estava diferente, com um vestido ainda mais provocante do que os que utilizava para trabalhar e com um sorriso maléfico no rosto. Tomoe tomou a mão da jovem convidada. Disse: - E então, vai se tornar uma de nós? A jovem estava assustada. Assustada não, apavorada. O único raciocínio eu explicava a súbita mudança do chefe brotava-lhe nos lábios: - Não é Tomoe-sensei que está falando, mas um demônio que tomou seu corpo e sua mente! Cassie não acreditava que acabara de dizer aquela frase. Puxou a mão da mão do chefe, em pânico, enquanto Kaolinite gargalhava: - Não é à toa que te chamam de gênio, Cassie-chan! - Então, agora que sabe. Vai se juntar a nós? - Nunca! Eu não vou colaborar com vocês, esqueçam! Tomoe disse, calmamente: - Você fez sua escolha. Mas agora que sabe demais vai ter que ser eliminada. - Pode deixar, Tomoe-sensei, eu me encarrego de acabar com ela! Cassie, trêmula pelo pânico, andava para trás. Tinha que fugir, senão morreria. Seria assassinada, tinha que fugir! Mas como é natural em uma situação dessas, o salto do sapato enroscou-se em alguma coisa e ela acabou caindo. Mesmo no chão começou a arrastar-se. Tinha que fugir, senão iria morrer! Um raio vinha em sua direção e não teria escapatória. A jovem só pôde fechar os olhos, colocar as mãos numa tentativa inútil de proteger o rosto e gritar. - NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!! Porém, algo aconteceu. Na testa de Cassie, o símbolo de Plutão brilhava. Uma aura negra rodeava a jovem, o que impediu que o raio lançado por Kaolinite a atingisse. O raio e a aura se dissiparam e Cassie tremia, enquanto esperava pelo inevitável e fatal próximo ataque de Kaolinite. A mulher de vermelho disse: - Diga adeus, Cassie-chan! O segundo raio vinha na direção da jovem, que fechava os olhos com força como se quisesse acordar de um sonho ruim. Porém, Cassie sentiu que algo a empurrou para o lado, impedindo que fosse atingida. - Maldição! Quem é você?- Tomoe perguntou. - Não é hora de perguntar meu nome... Apenas não permitirei que machuque uma garota indefesa. Antes de perder a consciência, Cassie podia sentir que estava sendo carregada por alguém... E aqueles braços passavam uma enorme sensação de conforto.

 

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