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| CAPÍTULO 1- SONHOS, LEMBRANÇAS, PERIGOS E OUTRAS COISINHAS | |
O Sistema Solar. O que é um sistema solar? Corpos atraídos pela força gravitacional de uma estrela? Sim. No aspecto físico é isso mesmo, pelo que diz a ciência. Mas será apenas isso? No caso de um em especial, o daquela estrela que se costuma chamar de Sol, não. Ali erguia-se uma sociedade. Uma sociedade rica em cultura e poder. Os habitantes dos dez planetas que orbitavam o Sol viviam em uma utopia denominada Milênio de Prata. Era como uma federação, unindo todos os planetas. Havia o governo de cada um deles e um governo geral, que comandava todo o sistema solar. Esse governo geral estava situado na Lua do planeta Terra, o terceiro contando-se a partir do Sol. Obviamente, havia um soberano. No caso, uma soberana. Serenity. A rainha do Reino da Lua e, consequentemente, de todo o Milênio. Cada planeta também tinha sua própria família real e seu próprio governo, mas todos estavam subjugados a Serenity. A sábia e poderosa rainha Serenity. A população do Milênio de Prata podia definir-se como feliz. Apesar da diferenciação entre os poucos nobres e os muitos plebeus, aparentemente não havia conflitos muito grandes e todos pareciam viver felizes e satisfeitos. Havia muitos privilégios para os nobres, mas aparentemente os plebeus não se importavam muito com isso... E obviamente, havia um exército para defender o Milênio de Prata. Porém, esse exército era um pouco diferente. Era dividido em várias milícias, cada uma independente das outras e com sua função específica. Cada milícia era independente para fazer o que achasse correto e não tinha que prestar contas à soberana, a menos que fizessem algo realmente muito grave. Essas milícias contavam com representantes de todos os planetas da federação e na maioria das vezes os planetas só tinham um representante por planeta. Para preencher essas vagas, os filhos dos nobres desses planetas eram chamados. Muitas vezes, as vagas nas milícias do Exército de Serenity eram soluções para problemas de sucessão nos tronos, o que acabou por evitar muitas guerras civis e prolongar a paz que acompanhava seu reinado, talvez o mais brilhante que o Milênio já vira. Estava na época em que duas das principais milícias tinham que ser renovadas. Sailor Senshi e Pirate Knights. O primeiro grupo era composto apenas por mulheres, que eram de certa forma o braço direito de Serenity. Sempre era composto pelas princesas dos planetas da Federação e tinha por missão proteger a princesa e herdeira do trono também chamada Serenity, como a mãe, ajudar na proteção da Federação contra os invasores externos e também, cabia a uma Sailor Senshi, à representante de Plutão, uma das mais difíceis tarefas de todo o Milênio: guardar o Portal do Tempo, onde passado, presente e futuro misturavam-se como se fossem uma única correnteza. Já ao segundo grupo, também um dos mais fiéis à Serenity, cabia defender o Milênio de Prata dos invasores externos e fazer um certo "monitoramento de fronteiras". E, naturalmente, caso houvesse um grande conflito interno, não podiam ficar apenas olhando. Era um dos batalhões de frente no caso de guerra contra outro Sistema Solar, além disso. Claro, as duas milícias poderiam cooperar entre si, mas uma não deveria interferir no trabalho da outra. E isso valia também para todas as outras, naturalmente. Cada uma tinha sua própria função, suas próprias regras e seus próprios guerreiros, era independente da existência de outras, mesmo que porventura essas milícias viessem a se unir por uma causa em comum. Logo, as Sailor Senshi não interferiam no trabalho dos Pirate Knights e a recíproca valia. Selene, capital do Milênio de Prata. O Palácio Real estava pronto para uma recepção. O grande salão de mármore branco, com grandes colunas de estilo grego que apoiavam os arcos que apoiavam o teto, com grandes janelas adornadas com cortinas do mais fino e alvo tecido, onde Serenity dava muitas de usas audiências e cerimônias de valor mais prático do que simbólico, como a que estava para ocorrer, aconteciam. No meio da sala, em uma espécie de "altar", colocado quatro degraus acima do piso da sala, estava o trono de Serenity. Era feito da mais nobre madeira do Milênio de Prata e era branco, com detalhes em prata. Diante da soberana, os convidados, logo abaixo dos quatro degraus. Estavam sentados em confortáveis cadeiras e eram as famílias reais de oito dos planetas da Federação. A Soberana começou as boas-vindas: - Sejam bem-vindos a esse palácio, meus jovens e meus caros amigos. Vocês sabem porque estão aqui hoje... É uma data deveras importante, pois o destino de vocês, meus caros jovens, será decidido agora, destino esse traçado e cumprido desde o instante em que nasceram. Não posso precisar o destino de vocês, mas posso encaminha-los para que cumpram a missão a que estão destinados... Cabe a vocês proteger o Milênio de Prata, ajudarei a encaminharem-se para o lugar onde serão mais úteis, à Ordem onde serão mais úteis. As crianças que estavam espalhadas pelas cadeiras trocavam olhares. A ansiedade em saberem qual seria seu destino, se seriam uma Sailor Senshi ou um Pirate Knight, se estariam nesta ou naquela ordem, com esta ou aquela pessoa, era visível. A cada centena de anos em que esse processo acontecia era a mesma coisa, pensou Serenity. Mas era uma saudável ansiedade de jovens querendo conhecer os desígnios de seu destino. - Como devem saber, a alcunha de Sailor Senshi só é dada a mulheres. Portanto, meus caros príncipes e princesas de Mercúrio, Marte, Júpiter e Saturno, o destino de vocês já é claro e sei que já o conheciam. Os casais de irmãos representantes desses planetas entreolhavam-se. Logo, abraços eram trocados, num desejo silencioso por sorte e sucesso como representante do Exército de Serenity, não importando a Ordem. A soberana não pôde deixar de sorrir ao ver a animação dos jovens e a expectativa que se estampava nas faces das princesas que esperavam que seu destino como guerreiras de Serenity fosse revelado. Um jovem de cabelos loiros e olhos azuis, vestido com um casaco de gola alta branco com detalhes prateados, calça da mesma cor do casaco e sapatos da mesma cor da calça disse: - Majestade, Luna já foi chamar Moira. - Sim, Artemis, como o previsto. Após essas palavras serem proferidas, por uma porta lateral uma bela jovem de longos cabelos negros cacheados, olhos de um azul profundo e vestindo um vestido amarelo guiava uma anciã, vestida com uma túnica negra e carregando um cetro em forma de chave para junto dos convidados. Setsuna e Cassandra apertaram as mãos do avô. Era Moira, a famosa Moira, a Sailor Pluto! O sonho das duas garotas era estar no lugar dela, ser Sailor Pluto, cuidar do Portal do Tempo. Apenas uma delas teria essa missão e as irmãs estavam ansiosas por saber a qual delas a missão cabia. Mas estariam satisfeitas com o que quer que o destino havia reservado a elas. - Princesas de Plutão, gostaria de pedir para que se aproximem- disse Serenity. As duas garotas aproximaram-se do trono da soberana. Estavam de mãos dadas, apoiando-se uma na outra para saber de seu destino. Todas as outras crianças observavam atentas ao destino das duas meninas que seria revelado: - Como todos devem saber aqui, Sailor Pluto é a guardiã do Tempo... Por ela tudo passa, a linha temporal está nas mãos dela, o Passado, o Presente e o Futuro são a sua jurisdição. E, ao contrário das outras Sailors, só é substituída de muitas em muitas gerações. A escolhida vai viver no limbo, de onde apenas sairá em alguma situação extrema. Após as palavras de Serenity, Moira bateu com a chave no chão, pedindo atenção: - Estou no fim do meu ciclo, mas terei tempo suficiente para treinar minha substituta. A vida de Sailor Pluto não é fácil, mas é uma das mais nobres missões do Milênio de Prata. Setsuna e Cassandra apertaram mais as mãos. Seria a qualquer momento. Estavam prontas para ouvir as palavras que selariam o destino das duas irmãs: - Garotas, o destino de ambas já está traçado e saibam que ele será glorioso. Cassandra, representante de Pluto Pirate Knights e Setsuna, Sailor Pluto. A surpresa estava presente nos olhos das duas irmãs. Após alguns segundos para absorverem as notícias, abraçaram-se, em prantos. Setsuna disse: - Cuide-se, irmãzinha! - Vou me cuidar... Fique bem no portal do Tempo, tá bom? Um dia iremos nos reencontrar, irmã... - Venha, Setsuna, seu treinamento começa imediatamente- disse Moira, puxando a garota de cabelos verdes pela mão. As seis meninas que ainda esperavam seu destino voltaram os olhos para a jovem Sailor Pluto, que saía da sala. Agora sim a simbólica cerimônia de nomeação dos futuros guerreiros chegava a seu ponto alto... Quem seriam as escolhidas para serem Sailor Senshi? Quem seriam as escolhidas para serem Pirate Knights? Só Serenity sabia... Alheio a tudo isso, Thor, o príncipe de Júpiter, escolhido para ser Jupiter Pirate Knight, olhava para todos que o acompanhavam na sala. Havia uma garota que havia tomado sua mente e seu coração. Nada mais importava na cerimônia, além da princesa de Plutão que fora indicada para ser Pluto Pirate Knight... *** - ACOOOOOOOOOOOOORDA, DESGRAÇADO! Algum lugar de Tóquio, uma cidade de um país chamado Japão, localizado em um planeta denominado Terra. Uma manhã. Essa manhã não tinha nada em especial, era apenas uma das muitas por qual a pessoa que estava sendo acordada aos berros passaria em sua vida. Pouco importava que o sol estivesse brilhando ou que não houvesse nuvens no céu, era apenas mais uma manhã. Um par de olhos castanho-escuros estava aberto. O dono desses olhos era um jovem, que passou a mão direita vagarosamente sobre os cabelos do mesmo tom de seus olhos. Ser acordado aos berros definitivamente não era a melhor maneira de começar o dia. Antes mesmo de levantar-se, comentou sarcasticamente para aquele que o acordara. - Nossa, qualquer dia eu morrerei do coração e nem saberei o motivo. - Nesse dia arranjarei um cachorro, será mais útil do que você. - Como te amo, Cérebro. Você nem imagina. - Sei que me ama tanto quanto ama os ratos desse beco. - Disse tudo. A briga matutina estava se tornando uma rotina entre os dois jovens. Aquele que estava deitado levantou-se e do alto de seus 1,85 metros de altura continuou a fitar seu companheiro, quinze centímetros a menos e capacidade de persuasão muito maior. Seu codinome, Cérebro, devia um pouco a isso. Era sempre o cabeça, sempre fazia os planos e conseguia induzir qualquer um a colaborar, por mais absurdos que fossem esses planos. - Vamos tentar um assalto onde, hoje? - Não sei. De um beco fedorento de Tóquio, dois mendigos preparam um plano para que na noite seguinte dominem o mundo. O Storm e o Cérebro, o Cérebro e o Storm... Tarararã-rã! - Parece que tirou isso de um desenho animado. - Eu inventei, tá bom? Não confia na minha criatividade? Mas tem uma coisa me perturbando... - O que foi? - Tive um sonho hoje... - Oh, que coisinha mais meiga... - Não precisa ser sarcástico. - Continua a ser meigo. - Não foi só um sonho, havia algo mais por trás. Era como se fosse a sombra de alguma coisa importante. Mas deixa para lá, você não entenderia mesmo. Vamos procurar nossa vítima de hoje. A dupla de ladrões saiu do beco escuro e malcheiroso que lhes servia de lar e misturou-se à massa humana que se deslocava para mais um dia de trabalho. Tóquio, por ser uma cidade enorme, dava uma infinidade de possibilidades de locais e pessoas que mereceriam uma “visitinha”. Logicamente a vítima teria que ser escolhida a dedo, já que a prisão não era indicada para os dois jovens, de jeito nenhum, ao menos que quisessem voltar para o passado da qual haviam fugido... Storm sempre pensava nisso, não tinha como se esquecer de todas as privações que sofrera. Da sua vida de garoto pobre e sem futuro, de que quis fugir, juntamente com Cérebro. Mergulharam de cabeça em uma aventura que dera errado e que não tinha volta. Afinal de contas, que escolha há para jovens que conseguiram entrar como clandestinos em um navio no Brasil e chegaram vivos e sem nenhum dinheiro, apenas vontade de mudar de vida, no Japão? A queda no mundo do crime fora uma saída fácil. Claro, eram ladrões de galinha no Japão agora... Mas seria muito diferente se estivessem no Brasil? Certamente não. Storm brincava com a pequena argola dourada que pendia de sua orelha esquerda enquanto pensava nisso. Nunca fora seu sonho acabar como ladrão, mas agora já não era seu sonho que importava, mas a sua sobrevivência. Também não era muito agradável viver com seu agressivo “companheiro de quarto”, Cérebro. Mas tinha que sobreviver e seria melhor se estivesse em dupla. Além do que, a máscara de agressividade era necessária se queriam sobreviver naquele submundo. Até mesmo ele próprio a usava! - Storm, dá uma olhada nisso- Cérebro ceifou os pensamentos do colega. - Uma joalheira... Vamos roubar jóias hoje? - Isso... OSA-P, prepare-se, porque Cérebro e Storm vêm aí! Cérebro não pôde segurar a risada demoníaca. Enquanto isso, Storm observava as crianças na sua caminhada diária para a escola. Não pôde deixar de notar uma garotinha que corria como um foguete, loira, cabelos presos em forma de “odangos”, vestindo um uniforme de colegial. O choque era visível em sua face: - Que foi, Storm? - Está vendo aquela garotinha? Ela... ela estava em meu sonho! - Pare de falar em sonhos, que coisa idiota. - Mas não foi um sonho comum... Parecia o reflexo de alguma coisa que eu já vivi, a sensação de déjà vu é forte demais... - Que é isso, Storm? Falando difícil agora? Já não basta ter aprendido japonês agora você vai querer falar grego também? - Não, Cérebro, é francês... Significa que você vê uma coisa mas parece que você já viu essa coisa antes, entende? - Entendo é que você está querendo me esnobar. Storm balançou a cabeça. Não adiantaria explicar, Cérebro não o entenderia mesmo. O codinome só queria dizer que ele era o cabeça de qualquer plano, não que tivesse alguma perspicácia, definitivamente. A hora do assalto estava chegando. A OSA-P seria a primeira vítima grandiosa da dupla e a ansiedade e vontade que tudo desse certo os invadia. Era bom prepararem-se. Colocaram máscaras do Nacional Kid, para impedirem uma identificação imediata (não que existissem muitos ladrõezinhos de 1,85 no submundo de Tóquio, mas tudo bem...) das vítimas e pegaram as armas de brinquedo. Estava na hora, era entrarem e fazerem a festa! - Isso é um assalto, pode ir passando a grana e as jóias a menos que queira ser toda furada de balas!- Cérebro disse. A atendente não teve outra reação senão gritar. A dupla enchia as sacolas de material roubado e quando saíam da loja, puderam ver que a polícia se aproximava. Claro, a atendente havia chamado os policiais! Mas não era hora de ficar divagando sobre sistemas de segurança modernos, mas de fugir! Os policiais os perseguiam pelas ruas pacatas de Juubangai. A dupla corria como nunca, tinha que escapar. Os policiais começaram a atirar, mas a dupla conseguia desviar dos tiros. Alguma coisa estava incomodando... Storm sentia-se pesado, tinha que ficar mais leve para correr mais. Mas... como? Ah, sim, claro, o peso estava concentrado em suas mãos! Soltar as sacolas de jóias e dinheiro foi uma atitude natural, para que corresse mais e mais rápido. Uma pessoa perspicaz não pararia para pegar as sacolas deixadas pelo companheiro no meio do caminho, mas como dito anteriormente, Cérebro não era nem um pouco perspicaz. E ele parou para pegar as sacolas. Nesse meio tempo, a polícia o alcançou e o sonho de ser alguém em algum lugar do mundo longe de casa estava definitivamente acabado. Para Storm, só restava a opção de correr. E ele corria, como nunca tinha corrido em toda a sua vida e como não imaginava-se capaz de correr. Tinha que pensar rápido, antes que os policiais o alcançassem. Virando a esquina, viu uma árvore. Escalou-a em um pulo e continuou a correr pelos telhados das casas do bairro. Tinha que achar um lugar para se esconder, rápido... Ao olhar para frente, viu uma construção alguns metros a frente. Pronto, ali acharia um esconderijo! Ou pelo menos despistaria a polícia um pouco. Tinha que correr rápido até lá, como se sua vida dependesse disso. Bom... na verdade dependia. *** Juubangai. Um pacífico bairro de Tóquio. O máximo de anormalidade que acontecia ali era um ou outro assalto que quebrava a paz cotidiana. Mas de resto, era um bairro tranquilo. Suas construções iam de grandes prédios comerciais a casas residenciais bastante confortáveis. Havia também muitas praças e parques, o que garantia alguma diversão a seus habitantes. Como não poderia ser diferente, havia também algumas escolas e bibliotecas, além de alguns templos de diversas religiões. Definitivamente um bairro adorável. Em uma das casas, uma garota dava seu já comum berro matutino, ao olhar para o despertador que desligara meia hora antes prometendo dormir "só mais cinco minutinhos": - TÔ ATRASADA!!! A garota levantou-se e foi correndo para o banheiro. Após sua higiene matinal, voltou correndo para o quarto. Atirou a camisola branca estampada com estrelinhas na cama, enquanto colocava o uniforme escolar. Já estava ficando especialista em arrumar-se em menos de um minuto. Enquanto corria pelo quarto pegando o material escolar, penteava os longos cabelos castanho-claros. Enquanto punha o material que levara para casa na bolsa, colocava no cabelo um par de prendedores em forma de estrelas. A garota corria pelos corredores da casa, descendo as escadas correndo e engolindo o café da manhã, enquanto dava bom dia para seus pais, que reclamavam que suas três filhas deveriam ser pontuais, não apenas duas delas. Enquanto fazia que sim com a cabeça, a garota saía correndo pela porta: - Ishie-chan! Esqueceu sua bolsa e de se calçar! A garota ganhou uma coleção de gotas de suor na testa antes de voltar para casa correndo para se calçar e pegar seu material. As pessoas se afastavam para não serem atropelados pelo vendaval humano que corria até a escola. Porém esse vendaval observava alguns garotos amarrando latas no rabo de um gato: - Parem com isso agora! Olhem o tamanho do gato e o tamanho de vocês! Não o maltratem! Vão embora daqui AGORA! Os garotos saíram correndo. A jovem atrasada olhou para o gato que estava a seus pés, um belo gato amarelo, mas com muitos machucados. Havia também um esparadrapo grudado em sua testa. - Que maldade fizeram com você, gatinho! Deixe-me tirar o esparadrapo e... que legal! Você tem uma marca em forma de lua crescente na testa! A nem um pouco escandalosa sirene da escola fazia-se ouvir por todo o bairro. A garota levantou-se e saiu correndo, lembrando-se de que estava atrasada. Porém, a sorte estava a seu favor naquele dia. Quando entrou em sua classe, a professora estava começando a fazer a chamada: - Aino Ish... - Pre...- a garota pisou dentro de um balde, saiu mancando, bateu no armário, pisou numa vassoura e levou uma vassourada na cabeça, rodou um pouco e caiu no chão -...sente. - Não precisa fazer tanto estardalhaço! - Desculpe-me. Prometo que não vai se repetir. A aula transcorria normalmente, sem muito estardalhaço. A hora ao mesmo tempo mais e menos esperada de alunos que fizeram uma prova havia chegado: a entrega das notas. A professora calmamente andava pela classe com uma pilha de papéis na mão. A primeira aluna da chamada naturalmente receberia sua prova primeiro: - Aino Ishtar. A garota de estatura diminuta e com estrelinhas no cabelo foi pegar sua prova. A expressão de susto foi inevitável: - NANI? Três, só isso? Sensei, o que eu fiz para merecer tirar só isso nessa prova, hein? - Se você fizer uma análise de consciência vai saber o motivo, Aino-san. Talvez se você prestar mais atenção na aula, estudar mais e fazer suas lições de casa regularmente sua nota aumente. Ishtar estava com uma expressão inconformada. Como tinha tirado só três na prova? Tinha estudado... quer dizer, quando não estava brigando com a irmã mais velha ou enchendo a irmã mais nova. Isso quando não ficava jogada no sofá comendo pipoca e vendo TV, cuidando da sua coleção de pôsteres daquelas bandas de meninos bonitinhos que sua irmã mais velha definia como "boybands, bandas formadas por cinco meninos simpatiquinhos sem nenhum talento criadas apenas para sugar seu dinheiro" ou torrando fichas no fliperama da esquina. É claro que essas atividades eram muito mais divertidas do que estudar para uma mísera provazinha de inglês... E também é claro que o tempo de estudos da displicente aluna do segundo ano do ginásio não tinha sido superior a dois minutos. Enquanto voltava para sua carteira, cabisbaixa, uma garota um pouco menor que Ishtar, sardenta, meio gordinha e com cabelos muito vermelhos curtos a observava: - Calma, Ishie-chan, não precisa ficar assim! Foi só uma prova, o mundo não está perdido por causa de uma nota vermelha! - Sei disso, Tomoyo-chan, mas inglês é uma matéria tããããããããão difícil... E se esse fosse o único vermelho estava ótimo, minhas notas de inglês estão lá embaixo! - Não precisa ficar triste, se você tem dificuldades eu posso te ajudar a aprender inglês. Você quer minha ajuda? - Claro, Tomoyo-chan, muito obrigada! Tomoyo abriu um lindo e animador sorriso, retribuído pela sua melhor amiga Ishtar. - Não me agradeça. Se sou sua amiga tenho a obrigação de te ajudar. Sei que faria o mesmo por mim! As aulas transcorreram normalmente naquele dia, até que a segunda hora preferida dos alunos em uma escola (a primeira é a hora do intervalo, é claro :P) chegou: a hora da saída. Ishtar e Tomoyo atravessaram os portões da escola conversando animadamente. A já conformada com usa sorte Ishtar olhava novamente para a prova onde havia um enorme três estampado: - Você quer saber o que eu vou fazer com essa prova, Tomoyo?- Ishtar fez uma bolinha com a prova e a atirou para trás.- Adio, maledeta! - Ei... As duas garotas se viraram para trás. Um rapaz mais velho, rosto e corpo muito bonitos, mas com uma expressão de "eu sou melhor que você" que afastaria qualquer um estava com o que um dia fora uma prova e atualmente era uma bolinha de papel na mão. - Quem você pensa que é para ficar jogando bolinhas de papel na cabeça das pessoas da rua, hein, pivetinha? - Vá cuidar da sua vida! - Vejamos... Aino Ishtar, segundo ano ginasial, três em dez... - ENXERIDO!- Ishtar berrou enquanto arrancava o papel da mão do desconhecido. - Pivetinha... você deveria tirar a cabeça da Lua e coloca-la nos livros! - Deixe esse idiota para lá, Ishie-chan, e vamos para casa!- Tomoyo disse enquanto puxava a amiga pelo braço. - Vamos, Tomoyo-chan... Não vou ficar aquí perdendo tempo com idiotas como ele. O Sol fez seu percurso diário no céu. Ainda no crepúsculo, a primeira estrela da noite desponta no céu. Estrela é uma maneira de dizer, já que é um planeta. Vênus. O terceiro corpo celeste em brilho, só perdendo para o Sol e para Lua. Das "estrelas", a mais brilhante. Quantos nomes não existem para denominar o mais brilhante dos planetas vistos da Terra? Para aquela que é estrela da noite e estrela da manhã? Além dos, é claro, inúmeros mitos que envolvem o planeta Vênus, a Estrela da Noite, a Estrela da Manhã. Porém, Vênus não brilhava no céu, já que era tarde da noite. Ishtar estava deitada em sua cama, se preparando para dormir. Uma leve brisa noturna entrava pela janela aberta do quarto, refrescando o ambiente. Mas algo além da brisa noturna invadira o quarto e esse algo estava sobre a cama da jovem colegial: - AHHHHHHHHHHHHHHH! TEM UM BICHO NO MEU QUARTO, NA MINHA CAMA! SOCORRO! - Psiu... Não precisa berrar tanto. Quer acordar a todos da casa? - O GATO TÁ FALANDO! SOCORRO! - Calma. Eu sou uma gata e meu nome é Íris. - O QUE VOCÊ QUER DE MIM? VOCÊ É UMA GATA ALIENÍGENA QUE QUER TOMAR A MINHA MENTE PARA DOMINAR O PLANETA?- Ishtar berrava com uma entonação de choro, enquanto pulava da cama e ficava encostada no guarda-roupa. - Não é nada disso. Eu sou a gata que você ajudou hoje de manhã. - Ah é, é? - Não precisa ter medo de mim, eu sou inofensiva. O máximo que posso fazer são alguns arranhões, mais nada. - Você jura? - Juro- uma gota de suor escorria pela testa da gata. - Então está bem! Muito prazer, Aino Ishtar! Tenho 14 anos e estou no segundo ano do ginasial! Meu tipo sanguíneo é O e meu signo é touro! Minha matéria preferida é Educação Física e a que menos gosto é Inglês! Uma versão em SD de Ishtar com o dedo indicador direito erguido se apresentava para uma gata com inúmeras gotas de suor pela testa. - Mas não vim aqui apenas para que você se apresentasse. Tenho que despertar seu verdadeiro ser para essa existência. - QUÊ? - Sua verdadeira essência, a essência de guerreira selenita que está dentro de você. Ishtar estava com uma expressão de quem não estava entendendo nada. Íris, enquanto divagava, olhava para a enorme Lua que estava no céu. A jovem colegial disse: - Dá para você explicar direito? - Desculpe, acho que estou indo rápido demais! É melhor fazer de outro jeito para as coisas ficarem mais fáceis. Ishtar, aproxime-se de mim. A garota aproximou-se da gata, que estava perto da janela. A marca no formato de uma crescente na testa de Íris brilhava. Do meio da luz que emanava, surgiu um pequeno pingente laranja no formato de um losango, com o símbolo de Vênus estampado em prateado. Ishtar sentiu o impulso de pegar o pingente e a pequena corrente de prata que o acompanhava. O símbolo de Vênus começou a brilhar em sua testa quando tocou o pingente. Íris disse: - Você é uma guerreira do Milênio de Prata, renascida nesse tempo presente. Você é Venus Pirate Knight, representante do planeta Vênus, obviamente. - Isso é um sonho? - Não... É a sua realidade. Agora diga "poder de Vênus, venha a mim". Ishtar, convencida de que tudo se tratava de um sonho, pronunciou a frase, mas nada aconteceu. Íris retomou a palavra: - Você tem que acreditar que é possível, tem que acreditar que essas palavras poderão despertar o poder que está latente em seu corpo! Se você não acreditar que é possível, se não acreditar que é uma guerreira, essas serão apenas palavras lançadas ao vento. Ishtar olhou novamente para o pingente em sua mão. Isso só podia ser um sonho... E como em sonhos tudo é possível, por que não acreditaria que era uma guerreira? Afinal de contas tudo isso estava acontecendo em sua mente, somente em sua mente. Logo o despertador tocaria e voltaria a ser a colegial bobinha de sempre. Por que não acreditar que podia ser uma guerreira, nem que fosse por apenas uma noite, por apenas um sonho? - Poder de Vênus, VENHA A MIM! Uma luz alaranjada começou a sair do pingente e tomou todo o quarto. As roupas de Ishtar sumiram. Algumas estrelinhas giravam pelo seu corpo. Logo, uma calça justa, como as usadas para a prática de ginástica, por exemplo, indo até pouco abaixo do joelho e laranja apareceu. Também um top laranja, do mesmo tom da calça, apareceu. Sobre esse, um casaco indo até a metade das coxas, de um tom laranja muito brilhante, com gola alta, muitos bordados também em laranja e enormes botões também laranjas. Nos pés, um par de meias brancas e sapatos laranja, com um pequeno salto e babados da mesma cor, além de fivelas douradas sobre a parte do pé que se encontra com a canela. Além de tudo isso, um par de brincos em forma de estrelas. A luz alaranjada dissipou-se e as estrelinhas espalharam-se pelo quarto antes de apagarem. Venus Pirate Knight fazia uma pose de apresentação. - Que legal, que roupa legal! Mas por que tenho que coloca-la? - Porque é seu uniforme, ué! Que pergunta...- Íris estava com gotas de suor na testa. Venus Pirate Knight estava se olhando no espelho do quarto, visivelmente adorando o uniforme que usava. Mas tinha uma pergunta: - E eu vou lutar com o quê? - Bom... concentre-se, desejando uma arma. Venus concentrou-se. Um pouco de luz alaranjada foi emanada de seu corpo e um chicote apareceu em sua mão. Ao abrir os olhos, Venus não pôde deixar de comentar: - Legal! - É o Venus Whip, sua arma. Mas é claro, você não precisa usa-la sempre, use só quando achar necessário. Além disso, os Pirate Knights costumavam usar muito mais os poderes elementais do que apenas ataques físicos. E só para constar seu elemento é a Luz. - Legal! Mas como usarei poderes elementais? - Você tem que invocá-los pronunciando seu nome. - E quais são os nomes? - Não lembro...- Gotas de suor proliferaram-se pelas testas de ambas.- Mas mesmo se eu lembrasse não adiantaria. Você tem que conhecer alguma coisa para poder invocá-la. Se fizer uma invocação sem saber nem do que se trata não vai adiantar nada! - Então agora eu vou usar essas habilidades para combater o crime? - Na verdade eu não tinha pensado nisso... Gotas inundaram a testa de Venus. Íris continuou: - Sua missão é outra. Em primeiro lugar temos que encontrar os outros Pirate Knights, porque alguma coisa está para acontecer. O que, eu não sei exatamente. Mas por enquanto, nada te impede de lutar contra o crime. - Última pergunta. Como eu faço para me destransformar? - Deseje voltar a sua forma original que a transformação reverte. Venus fechou os olhos, querendo voltar a ser a colegial bobinha Aino Ishtar. Ao abrir os olhos, já estava novamente com a camisola. Íris continuou falando: - Sei que a sua mente deve estar uma bagunça, mas com o tempo você se acostuma com a idéia! Na mente da jovem colegial, duas idéias. Esse encontro com uma gata falante era um sonho, só podia ser um sonho. Ou então estava enlouquecendo. Resolveu contentar-se com a primeira idéia, mas a segunda também não deixava de ter seus encantos... *** Só o tempo conserta, só o tempo resolve, só o tempo cura. Duas semanas haviam se passado desde o acidente que destruíra o Laboratório Tomoe. As investigações sobre as causas do acidente ainda não tinham revelado nada e os escombros ainda tomavam o centro de Tóquio, no lugar onde se erguera o belo prédio. Situações difíceis acontecem e devemos aprender a lidar com elas. Não podemos nos entregar a depressão ou ao conformismo, temos que encará-las de frente para podermos superá-las com êxito. Ser refém de uma situação difícil não adianta nada para muda-la, mas ter forças para encara-la é uma atitude louvável. Cassie estava em casa. Estava se acost \n'; document.write(barra); } } changePage();
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