Pirate Knights
***Avisos***
- Esse é um fanfic baseado na série Sailor Moon, antes que alguém me pergunte :P
- PODE CONTER LEMON! (Pronto, agora todo mundo lê :P)
- É minha primeira tentativa de escrever uma saga, dêem um desconto...

PIRATE KNIGHTS
                         por Mistress 9

PRÓLOGO
	A noite era calma. Apenas o luar iluminava os verdes campos. Tudo era paz. A música
 ambiente era composta de uma orquestra de insetos e seu canto noturno. Porém, passos 
 apressados cortavam essa paz e tranquilidade. Um vulto percorria os campos. Temia estar
 sendo seguido, mas aparentemente não estava. Outro vulto esperava pouco adiante:
	- Vejo que veio mesmo, Cassandra.
	- Eu não poderia fugir... Não quando estou condenada a morrer por um crime de
 traição, que diferença faria me meter com gente da sua laia ou me entregar às tropas de
 Serenity?
	- Você sabe a resposta tão bem quanto eu... O Milênio de Prata será destruído.
	- Mas todos no reino sabem que Beryl cedo ou tarde atacará! Por que estou me 
 entregando dessa maneira, me metendo em um ato tão sórdido quanto o que pretende fazer?
	- Se não soubesse mesmo você não teria vindo... teria escolhido fugir.
	Cassandra suspirou, mesmo arrependida por antecipação pelo que iria acontecer.
  Temia por sua vida, mas o que poderia fazer? Fugir? Certamente seria morta. Continuar?
  Morreria do mesmo jeito. Será que seu destino era aquele, a morte? O destino de todos os
  seres é a morte, poderia dizer algum cínico. Mas pelas mãos de outras pessoas que, como
  ela, tinham por missão proteger o Milênio de Prata? Não. O crime pelo qual estava
  pagando era alto demais... Afinal de contas, querendo ou não, era uma jurada de morte e,
  como tal, não tinha escapatória. Era a morte ou a morte, bastava apenas escolher pelas
  mãos de quem...
						***
	O despertador tocou. Um tapa, vindo de uma delicada mão feminina, acabou com o
 pequeno martírio matinal. Enquanto a dona dessa mão acalmava o coração e os tímpanos,
 colocava as pernas para fora da cama. Após sentar-se, espreguiçou-se. Os belos olhos
 esmeraldinos fitavam com atenção o quarto. 
	Levantou-se, rumo ao banheiro. A camiseta velha que usava para dormir ocultava a
 beleza e perfeição de seu corpo. O mesmo pesadelo... Mas afinal de contas, o que eram
 sonhos? Não eram simplesmente imagens geradas pelo seu subconsciente? Por que estava tão
 preocupada com um simples produto de sua mente? Mas não deixava de ser estranho... o
 MESMO pesadelo, do MESMO jeito, as MESMAS palavras ditas, já há sete noites. E,
 principalmente, como aquele pesadelo, sem nenhuma lógica, sem nenhuma ligação com
 qualquer coisa que já passara em sua vida, podia atormentá-la tanto?
	Balançou a cabeça negativamente, como se quisesse livrar-se das agruras de sua mente
 fisicamente. O dia era lindo, mais um dia de sua vida. O sol brilhava e não havia nenhuma
 nuvem... Era melhor observar o esplendor daquela manhã do que pensar em bobagens.
	Mas o que adiantava preocupar-se por antecipação? Caminhou em direção ao banheiro.
 Ao entrar no cômodo, tirou a camiseta que usara para dormir e atirou-a em um canto,
 aproveitando para ligar a banheira. Banho refresca o corpo e a alma, diriam alguns. Talvez
 precisasse mesmo refrescar a alma em um banho, principalmente após os pesadelos que já
 estavam tornando-se rotina.
	Após o banho, enrolada em uma toalha azul, voltou para seu quarto. Abriu o
 guarda-roupa. Para relaxar um pouco, pretendia arrumar-se um pouco mais do que de costume.
 Não que se importasse muito com moda, mas sentir-se bem vestida ajudava muito a relaxar.
 Escolheu um vestido azul de alças, que batia nos joelhos, uma de suas roupas prediletas.
 Escolheu um par de sandálias azuis. Iria calçá-las quando estivesse saindo de
 casa. 
	Sentou-se no banquinho que acompanhava sua penteadeira. Olhou-se no grande espelho,
 que deveria ter mais de um século de idade. Ele fora passado de geração em geração em sua
 família, desde uma antepassada que vivera na corte da rainha Vitória. Quantas mulheres
 esse espelho já não devia ter refletido? Lembrava-se de quando era criança e gostava de
 subir na penteadeira de sua mãe e usar sua maquiagem, mesmo que essa pequena travessura
 merecesse uma grande bronca. Não pôde deixar de sorrir ao pensar nisso. Escovava os
 cabelos, prendendo-os com um prendedor em forma de coração azul. Seus cabelos eram de um
 louro escuro, lisos na raiz e com cachos nas pontas, batendo no meio das costas. Sempre
 ficava pensando nas mulheres que passavam horas em salões de beleza para conseguirem um
 cabelo igual ao que ela já tinha naturalmente.    	
	Após arrumar seu cabelo, arrumou sua cama. Estava na hora do café da manhã, tanto o
 seu como o de seu peixe de estimação, Sweet Joe. Pegou um copo de leite na geladeira e
 enquanto bebia seu conteúdo, começou a recolher as revistas que deixara espalhadas na sala
 no dia anterior. Colocou todas as revistas na gaveta de uma estante, de onde tirou um
 pacote de ração. Sempre sentia-se alegre quando via o peixe com tons entre o dourado e o
 laranja nadando pelo pequeno aquário. E, afinal de contas, Sweet Joe era o único ser vivo
 com quem dividia o apartamento. Após colocar a ração no aquário, voltou para a cozinha,
 onde deixou o copo de leite e pegou um pote de biscoitos. Estava com pouca fome nesta manhã
 e uma certa pressa em sair de casa. Após uma última passada no banheiro, foi o que fez.
	Após certificar-se que não tinha esquecido nada, atravessou a porta e chamou o
 elevador, como fazia em todas as manhãs. Enquanto descia os vinte andares, recapitulava
 mentalmente tudo o que deveria fazer durante esse dia. 
	Ao chegar no saguão do elegante prédio situado em um bairro igualmente elegante de
 Tóquio, percebeu que o motorista que a levaria já estava ali. Não estava indo para a 
 escola, como a maioria das garotas de quinze anos estariam fazendo àquela hora do dia,
 mas indo para o trabalho. Como todos diziam, ela era um gênio. Só deveriam existir mais
 seis pessoas como ela dentre toda a humanidade. Apesar de ser algo deveras interessante,
 jogava a jovem em um imenso abismo, afinal de contas, não se relacionava com pessoas de
 sua idade, na verdade, não relacionava-se com quase ninguém. Vivia solitária desde a morte
 dos pais, há alguns anos.
	Enquanto o carro percorria as movimentadas ruas de Tóquio, a garota esquecia um
 pouco de sua solidão para olhar a paisagem. Um verdadeiro formigueiro humano. Milhões de
 pessoas estavam indo trabalhar, estudar, às compras ou o que fosse. Estava em plena hora
 do rush, mas o carro não ficou preso em nenhum congestionamento e em quinze minutos
 alcançou seu objetivo. Um belo laboratório. Um prédio que ocupava um quarteirão inteiro.
 Com certeza um dos maiores do mundo, em extensão e pesquisas. Um dos laboratórios mais
 renomados dentre a comunidade científica. Ali estava o Laboratório Tomoe. 
	A jovem andava pelos iluminados corredores do décimo segundo e último andar. Apesar
 de um laboratório particular, o prédio poderia muito bem estar em algum campus de
 universidade. Porém não havia salas de aula, no máximo um auditório para ocasionais
 palestras. Havia doze andares, divididos cada um em três blocos unidos por corredores com
 paredes de vidro, que se uniam em um quarto bloco, no centro, menor do que os outros,
 onde os elevadores e salas de recepção ficavam. Em cada um dos andares de cada um dos
 blocos, havia algum tipo de pesquisa. A loira parou ao chegar no andar com uma placa
 indicando "Controle Genético de Pragas". Não que pragas agrícolas não fossem algo a ser
 combatido, mas ela preferiria trabalhar com outras coisas... Estava estudando uma
 transferência para outra seção do laboratório. Talvez a seção de estudos de vírus, que
 lhe parecia muito mais excitante.
	Após atravessar uma das muitas portas, observou um armário, como os usados nas
 escolas para guardar o material dos alunos, ao lado da porta de entrada. Abriu o
 gabinete que estava indicado com seu nome. Beckham Cassandra. "Que nome ridículo, eu
 odeio meu nome. Onde meus pais estavam com a cabeça para colocarem esse nome horroroso
 em sua única filha?", a garota não deixou de pensar. Porém, era hora de trabalhar, não
 de questionar o bom-gosto de seus falecidos pais. Tirou do armário um jaleco e colocou
 sua bolsa ali. Teria um longo dia de testes pela frente e era bom que começasse logo com
 eles. Após cumprimentar todos aqueles que estavam na sala, sentou-se na cadeira que lhe
 era reservada.
	Estava observando algumas amostras no microscópio. Um homem alto, cabelos já
 grisalhos apesar de ser jovem, usando óculos e também um jaleco, estava parado a seu
 lado:
	- Bom dia, Cassie-chan.
	- Bom dia, Tomoe-sensei.
	- Vejo que está concentrada em seu trabalho.
	- Estou, senhor! Finalmente consegui ver algum resultado nas minhas amostras! Depois
 de duas semanas em que minhas experiências sempre falhavam, finalmente consegui notar
 algum resultado!- A garota não conseguia disfarçar a alegria e empolgação na voz. Afinal
 de contas, quanto mais rápido terminasse sua experiência, mais rápido se transferiria de
 seção.
	- Quantas vezes já não disse para não me chamar de senhor? Pode me chamar de você.   
	- Desculpe, Tomoe-sensei, mas para mim não é muito fácil.
	- Deixe disso, Cassie-chan. Se me chamar de senhor me sinto um velho e não sou tão
 velho assim!
	- Anoo... eu tenho muito a fazer, senhor, e penso que o senhor também tem. Tenho que
 terminar minhas experiências logo.
	- Não precisa se desgastar muito com isso... É muito jovem e linda para se desgastar
 com prazos.
	Tomoe aproximava-se da jovem. Suas mãos estavam nos ombros dela. E Cassie ia
 arredando a cadeira para trás para tentar escapar dos gracejos do chefe. Disse, com a voz
 firme, como todos os manuais de "como meninas inocentes devem escapar de chefes
 pervertidos" que lera mandavam:
	- Eu tenho que acabar de analisar meu experimento e o senhor PODERIA DAR LICENÇA?
	Tomoe afastou-se da jovem. Uma exuberante mulher, com longos cabelos ruivos presos
 em um rabo, um vestido vermelho que deixava muito pouco a imaginar por baixo de seu
 jaleco entreaberto, entrava na sala. Sorriu ao ver o chefe:
	- Tomoe-sensei! Sabia que estava aqui.
	- Então, Kaori-san?
	- Já está tudo pronto. A experiência será realizada nesta tarde. Toda a equipe já
 está mobilizada e todo o material já está pronto.
	- Muito bem. Você é a secretária mais eficiente que conheço, Kaori-san.
	Tomoe saiu da sala, para verificar pessoalmente os últimos preparativos para sua
 experiência. A ruiva ficou corada pelo elogio. Porém, o vermelho de vergonha tornou-se
 vermelho de raiva quando a ruiva olhou para a jovem Cassie sentada em sua frente:
	- Sempre me pergunto... O que uma criança está fazendo trabalhando aqui? Deveria
 estar na escola, não fazendo o serviço de adultos.
	A loira ficou observando enquanto a secretária de Tomoe saía da sala. Ajeitou-se
 melhor em sua mesa. Estava com um pouco de raiva, sim. Não só de Tomoe-sensei ou Kaori,
 mas de tudo. "Além de ter de suportar os gracejos
 do meu chefe tenho que provar um pouco do ciúme de sua secretária! Por que tudo tem que
 ser assim, por que  vida tem que ser tão injusta! por que não sou uma garota normal, que
 tem uma rotina normal para uma garota, como ir para a escola, conviver com pessoas de sua
 idade, suspirar por garotos lindos e tolos?".
	Mas era a vida... Não podia fazer muita coisa para impedir. Estava ainda de pé,
 olhando para algum ponto distante. Frequentar uma escola com pessoas de sua idade era um
 sonho impossível, pois sempre se destacara, mesmo na escola pra super-dotados onde estudara.
 Sempre passava na frente da turma, sempre já tinha aprendido tudo antes que os outros
 olhassem para a matéria. Cumprira cada série escolar em alguns meses, sempre com notas
 máximas. O mesmo na universidade, sempre fora considerada um caso à parte para os
 professores. 
	Depois, por intermédio de seus pais, também cientistas, começou a trabalhar. Havia
 dois anos que estava trabalhando no laboratório. Não se cansava de ver adultos tratando-a
 como "garotinha que está aqui para ver o trabalho dos pais". Principalmente após a morte
 de seus pais, o que mais apareciam eram superiores com ares paternais ou maternais. Era
 sempre a garotinha, sempre a poupavam do trabalho pesado, sempre queriam fazer o serviço
 por ela. E isso a punha nervosa. Isso quando não tinha de suportar as cantadas de alguns
 superiores. Principalmente do seu chefe, Tomoe Souichi.   
	Os olhos muito verdes observavam a bagunça de papéis, amostras, substâncias
 químicas e equipamentos de análise em sua mesa. A garota socou a mesa, talvez para
 descontar todo o descontentamento com sua vida. Ao levantar a cabeça, percebeu o que
 quase acabara de fazer. Jogar o trabalho de um mês no lixo, literalmente. Era melhor
 tentar controlar melhor suas emoções.
	A jovem sentou-se novamente. Não podia entregar-se a seus sentimentos dessa
 maneira. Tinha de se manter fria, afinal de contas, suas pesquisas eram muito mais importantes
 do que seus conflitos internos. Inspirou calmamente e expirou mais calmamente ainda. Tinha
 de se acalmar... Se continuasse a ter ataques de nervos na hora do expediente, aí sim que os
 chefes não deixariam de vê-la como "garotinha que está aqui a passeio". 
	Mas para piorar ainda mais a bagunça em sua mente, ainda tinham os pesadelos... ou
 melhor, _o_ pesadelo, já que era sempre o mesmo, que a atormentava há uma semana. Mas
 afinal de contas, por que iria se curvar à vida? Não! Ela era Beckham Cassie, como
 preferia ser chamada, enfrentava as agruras da vida sozinha e sobrevivia por seus
 próprios esforços... Não iria se curvar ao destino, iria enfrentá-lo!		
	Com essa força para enfrentar o destino, recomeçou a analisar suas amostras. Sua
 experiência finalmente estava dando certo. E sua vida também se ajeitaria, era só dar
 tempo ao tempo.
	Dez e meia da manhã. Após mais de duas horas ininterruptas de análise de amostras,
 a jovem Cassie alongava os músculos. Como era sua rotina, era hora de parar para tomar um
 chá. Levantou-se, ainda alongando os músculos. Enquanto andava pelos corredores de vidro,
 observava como o dia estava bonito lá fora. Um belo céu sem nuvens, o Sol brilhando. A
 cozinha ficava alguns andares abaixo. A jovem esperava o elevador, enquanto olhava para
 algumas flores em alguns vasos que enfeitavam o hall de entrada do seu andar. Flores
 essas brotadas de sementes desenvolvidas por uma das equipes que dividia o sexto andar,
 não pôde deixar de pensar, enquanto entrava no elevador. 
	A cozinha ficava no quinto andar. Cassie, após sair do elevador, foi andando
 calmamente pelos corredores, observando a paisagem. Chegou até aquele que era o ambiente
 mais popular entre os funcionários do prédio. Todos se encontravam ali para tomar chá ou
 café e conversar. Era um ambiente alegre e iluminado por grandes janelas. Algumas pessoas
 conversavam despreocupadamente enquanto saboreavam chá. Outras brincavam com uma
 garotinha:
	- Hotaru-chan? Não sabia que estava aqui.
	- Oi, Cassie-san! Olha só, a Kyu-chan ganhou uma roupa nova!- Hotaru disse apontando
 para a boneca que carregava.
	- Estou vendo... ela está linda! 
	A graciosa garotinha de cerca de seis anos estava ali para acompanhar seu pai nas
 pesquisas. Era mais um motivo de descontração no laboratório. Todos os cientistas
 adoravam brincar com ela. Tomoe Hotaru era um amor de garotinha. 
	- Ela está aqui porque quero que ela veja a experiência que faremos nessa tarde.
	- Tomoe-sensei?
	Tomoe e Kaori estavam na frente de Cassie e Hotaru. A secretária anotava algumas
 coisas em uma prancheta. Hotaru foi correndo para os braços do pai. Cassie foi até o
 fogão pegar um pouco de chá do bule que estava ali, já que não queria fazer o próprio
 chá. Estava andando pela cozinha com a xícara na mão, enquanto bebia o seu conteúdo de
 leve. Voltou para perto de Hotaru, Kaori e Tomoe. O cientista disse:
	- Finalmente vou poder realizar minha experiência, depois de meses de trabalho! Vou
 tentar mapear o genoma daquele corpo estranho. 
	Cassie sorriu, enquanto tomava mais um gole de chá. Sabia o quanto essa experiência
 era importante para seu chefe, para o laboratório, para toda a comunidade científica
 internacional. A ciência não era mesmo maravilhosa? 
	Porém, a visão da jovem turvou-se. Uma imagem projetou-se em sua mente. O
 laboratório, Tomoe-sensei, Hotaru... uma explosão. Logo após, uma outra imagem. Sobre os
 escombros do laboratório destruído, uma belíssima jovem, com um longo vestido preto e os
 cabelos enormes. Ela tinha um olhar mais-do-que-diabólico e sorria ainda mais
 diabolicamente. Essa jovem tinha os traços de Hotaru, mas como isso poderia ser possível?
 O céu estava com a cor do sangue. Toda Tóquio estava em ruínas. Estavam apenas ela e a
 jovem. Uma frase acompanhava a visão: "O Silêncio chegará em breve". Nunca tinha visto
 algo tão assustador.
	O som de uma xícara que se espatifa no chão ecoou pela sala. Todos olhavam para uma
 garota em pânico apoiada em uma parede. Um cientista que estava próximo perguntou:
	- Beckham-san? O que foi?
	- Está tudo bem com você?- Uma cientista perguntou.
	- Não foi nada... Já passou.
	As pessoas que estavam na sala tinham feito com que Cassie se sentasse e tomasse um
 copo de água. Tomoe perguntou:
	- O que houve?
	- Eu vi... o laboratório vai ser destruído! Tomoe-sensei... Kaori-san... todos
 vocês... Hotaru-chan... todos correm perigo!
	Olhares desconcertados eram trocados entre os ouvintes. Pois é... a garotinha estava
 tendo pesadelos. Vai ver tinha ficado impressionada com algum filme que vira na noite
 anterior, no mínimo.
	- O que é isso, jovem Cassandra? Nós estamos em um laboratório científico, não numa
 escola de videntes!- Kaori comentou, sarcasticamente.
	- Mas vocês não entendem? Todos corremos perigo, o laboratório e tudo o que está
 dentro dele serão destruídos! 
	- Acalme-se, Beckham-san. Foi só uma ilusão, não vai acontecer nada de mal- disse a
 cientista que estava próxima.
	- Acho que seria bom se tirasse uma tarde de folga. Vá passear um pouco no
 shopping, como uma garota de sua idade normal faria. Vai relaxar um pouco- disse o
 primeiro cientista que tentara socorrê-la.
	- É o que eu vivo dizendo... Crianças não devem fazer o trabalho de adultos- disse
 Kaori.
	Cassie levantou-se. Disse:
	- Tudo bem... Tomoe-sensei, se o senhor não se importar...
	- Não me importo, Cassie-chan. Só gostaria que você também assistisse à experiência,
 mas será impossível pelo que estou vendo.
	- Até amanhã então para todos... Ah! Hotaru-chan, amanhã você vai ter que me contar
 tudo o que aconteceu na experiência do seu pai, por isso preste bastante atenção!
	- Tudo bem, Cassie-san. Até amanhã.
	A loira, enquanto andava pelos corredores, podia ouvir a conversa na cozinha:
	- Ela quer atenção. Geralmente quando crianças querem atenção inventam histórias
 mirabolantes- disse um dos cientistas que estavam na cozinha.
	- Ela já não é tão criança, mas não é por isso que não pode criar seu mundo interior
 e achar que ele é real- disse outro.
	- Já não é a primeira vez que isso acontece. Há três meses atrás ela se recusou a
 tomar um avião para Boston, tivemos que adiar o vôo. Incrivelmente esse avião explodiu
 após a decolagem e nós teríamos morrido se estivéssemos lá- disse a cientista.     
	- Para mim tudo isso não passa de malcriação- disse Kaori.
	- Já estou estudando a possibilidade de mandá-la para umas férias em alguma casa de
 repouso para que se acalme- disse Tomoe.
	Cassie andava chocada pelo corredor. Qualquer pessoa com um mínimo de ceticismo não
 acreditaria em previsões do futuro, mas a visão era apavorante. Não era a primeira vez
 que ela tinha uma visão desse tipo. E suas visões, por mais estranhas que pudessem
 parecer, SEMPRE se realizavam. E ninguém NUNCA acreditava nela. Bom, vai ver esse fosse o
 mal de conviver com cientistas. Lembrava-se de algumas das coisas que previra... a morte
 dos pais, o atropelamento de uma coleguinha de escola na primeira série, a explosão do
 avião... Também não era sensato que ela ficasse contando as visões que tinha para as
 pessoas. Ninguém nunca acreditava, além do que era uma estupidez falar sobre isso, afinal
 de contas não queria ser conhecida como "gênio com parafusos soltos". 
	Enquanto divagava sobre as visões do futuro que já tivera, Cassie andava
 nervosamente pelo laboratório. Largou o jaleco no armário e pegou sua bolsa. Ainda tremia
 quando o elevador descia rumo ao térreo. O porteiro perguntou se estava tudo bem e a
 jovem respondeu que sim com a cabeça. 
	Andava pela rua, mas nem prestava atenção no trajeto do laboratório até sua casa,
 como sempre fazia. Essa visão em especial a atormentava muito mais do que todas as outras
 que já tivera. Não era só o laboratório que seria atingido, mas todo o mundo. "O Silêncio
 chegará em breve". O que era "Silêncio"? Era algo horrível, tinha certeza. Mas o que
 exatamente? O que vinha a ser "Silêncio"?
	Sem nem notar, a loira já estava na porta do prédio onde morava. Estava louca para
 chegar em casa. Primeiro o pesadelo, depois essa visão. O que estava acontecendo com ela?
 Por que estava acontecendo com ela? Qual era o número do analista mesmo? Ela só podia
 estar enlouquecendo, era a única explicação possível para a maré de coisas estranhas que
 inundara sua mente.
	Após um refrescante banho e um almoço rápido, Cassie atirou-se no macio sofá da
 sala. Passaria a tarde assistindo o que quer que estivesse passando na TV. Com sorte ela
 encontraria alguma espécie de "Vale a pena ver de novo" versão anime. Porém, contentou-se
 com  um filme B que encontrou em um dos canais. Com certeza sua mente daria um bom
 roteiro para um filme desse estilo...
	Na metade do filme, a programação foi interrompida por uma notícia de última hora:
	- Atenção. Interrompemos a programação para comunicar que aconteceu uma explosão há
 alguns instantes no centro de Tóquio, no Laboratório Tomoe. Aqui podemos ver algumas
 imagens.  Equipes de resgate trabalham no local da explosão. Não há um número exato de
 vítimas, mas sabe-se que o renomado cientista Tomoe Souichi e sua filha Tomoe Hotaru
 sobreviveram milagrosamente à explosão. A causa da explosão é desconhecida. Mais
 informações a qualquer momento, Shidou Hikaru da ZFR.
	Cassie estava em choque. Sua visão se realizara mesmo... pelo menos em parte. O
 laboratório havia sido destruído. Todos estavam mortos, exceto Tomoe-sensei e Hotaru,
 como sabia que iria acontecer... Era o destino. Podia mudar o que quisesse no mundo, menos
 o destino.
	O quê? O que havia pensado? Destino? Nada disso, apenas uma coincidência.
 Coincidência? Não existem coincidências, apenas o inevitável. E o acidente era
 inevitável. Não poderia impedi-lo, apenas saber que aconteceria.
	Cassie balançou a cabeça, tentando novamente expulsar com o esforço físico seus
 pensamentos. Estava chocada, tinha que sair um pouco, respirar um pouco, pôr suas idéias
 em ordem. Suas pernas a levaram para uma praça.
	Algumas crianças estavam desenhando ali, acompanhadas por uma professora. Uma
 confusão de tintas, papéis e risadas felizes tomava o ambiente. Cassie sentou-se em um
 banco próximo à alegre agitação. Sua aparente tristeza destoava no feliz ambiente das
 crianças numa atividade extraclasse. Com os olhos lacrimejantes, podia distinguir uma
 garota com um penteado estranho... Ela usava duas longas tranças e o cabelo preso em
 forma de "odangos". Uma sensação de déjà vu... A garotinha aproximou-se, como se tivesse
 adivinhado seus pensamentos:
	- O que foi, moça? Por que está chorando? 
	- Ora, garota... problemas... terríveis problemas. 
	- Você está triste porque ficou de mal com sua amiga?
	Cassie sorriu para a garota que a olhava com curiosidade. Disse:
	- Vá brincar, aproveite seu passeio, faça um desenho lindo...
	- Eu estou desenhando um coelhinho! E você não pode ficar triste, porque hoje é meu
 aniversário! Não quero ver ninguém triste hoje! Me promete que não vai ficar triste?
	- Prometo... Agora o que acha de acabar seu coelhinho?
	- Boa idéia, moça! Gostei de você! 
	- Ah, meus parabéns pelo seu aniversário... qual é seu nome?
	- Usagi... Tsukino Usagi...
	- Feliz aniversário, Usagi-chan. E vá se divertir com seus amigos!
	Usagi saiu correndo pela praça, voltando para onde tinha largado seu desenho. Cassie
 não pôde deixar de pensar que talvez houvesse mais tinta no uniforme da garota do que
 no papel, mas isso era só um detalhe. O importante é que essa garota, que nunca tinha
 visto antes mas parecia-lhe muito familiar se divertisse. 
	A jovem cientista enxugou as lágrimas que estavam em seu rosto. Nada impedia que
 sentisse muito por seus colegas mortos, mas não era por isso que tinha que se afogar em
 um mar de depressão. Era melhor voltar para casa...
	De volta a seu apartamento, Cassie jogou-se na cama. Tinha que ordenar suas idéias
 um pouco. Aquele laboratório era de certa forma uma extensão de seu lar. Era uma
 lembrança viva de seus pais. Agora não tinha mais nada, mais ninguém. A inglesa nascida
 no Japão estava confusa... Voltaria para Manchester, onde o que restava de sua família
 vivia? Não... Não queria abandonar o país onde nascera, onde fora criada. Permaneceria em
 Tóquio, passado o choque inicial pela tragédia, sua vida se ajeitaria. Com certeza se
 ajeitaria. Mas enquanto isso não acontecesse, preferia ficar na sua cama dormindo...
					***
	Um palácio feito com cristais negros. Não era tão esplendoroso quanto o Palácio Real
 lunar, mas era maravilhoso. Caronte brilhava no céu e refletia seu brilho no Palácio Real
 de Plutão. 
	Dentre as muitas salas. Em uma delas, um homem de muita idade estava sentado em um
 sofá e suas duas netas, uma garota de longos cabelos esverdeados e uma garota loira,
 estavam sentadas no chão, olhando para ele. 
	- Minhas queridas, como sabem, uma de vocês será uma Sailor Senshi. A mais nobre das
 divisões do exército do Milênio. Representarão nosso planeta, Plutão. Como Sailor Pluto,
 a escolhida também terá a missão de guardar o Portal do Tempo, que leva a Passado,
 Presente e Futuro. É uma responsabilidade muito grande... 
	- Sabemos disso, vovô- disse a garota loira.
	- Vocês duas foram muito bem treinadas, sei que se sairão muito bem no destino que
 já foi reservado a vocês. Setsuna... Cassandra... as princesas de Plutão. Amanhã mesmo
 partirei com vocês até a sede do Milênio, o Palácio Real lunar. Nossa amada Rainha
 Serenity  quer vê-las, Moira já está perto de cumprir seu ciclo. Aprontem suas malas,
 meninas, iremos amanhã bem cedo. Estejam prontas.
	- Certo, vovô. Boa noite- disseram Cassandra e Setsuna em uníssono. 
	As duas meninas foram correndo para seus quartos. Porém, Cassandra parou. Sua
 visão turvou-se. Estava vendo... o palácio de cristal tombando... a Rainha usando todo
 o poder do lendário Cristal de Prata... corpos para todos os lados...
					***
	Olhos verdes olhavam para o quarto escuro. Pois é... mais um sonho estranho, Cassie
 pensou. Mas ao contrário do apavorante pesadelo que a perseguira por sete noites, esse
 sonho era diferente... Era como se tivesse sido levada a uma terra que era ao mesmo tempo
 estranha e familiar...
					^.^

Prólogo // Capítulo 01 // Capítulo 02 // Capítulo 03 // Capítulo 04 // Capítulo 05 // Capítulo 06 // Capítulo 07

 

AAAAAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!! Estou tentando fazer uma saga! Será que
 conseguirei? O que está achando do meu texto? Mande sua opinião para:
mis9_fics@hotmail.com
Estou esperando!!! Sua opinião é muito importante!!!